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Banco do Brasil vê lucro cair e mercado volta a olhar risco no agro

Banco do Brasil registra queda no lucro, alta na inadimplência e revisão de projeções. Entenda impactos no agro, crédito e mercado.

Helena SerpaPor Helena Serpa4 min de leitura
Banco do Brasil

O Banco do Brasil divulgou resultado considerado fraco pelo mercado no primeiro trimestre de 2026, com lucro líquido ajustado de R$ 3,4 bilhões — queda de 53,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho reacendeu preocupações sobre a qualidade da carteira de crédito, especialmente no agronegócio e na pessoa física.

A reação dos analistas indica que o número ficou abaixo das expectativas, mesmo considerando que parte da pressão no setor rural já era aguardada. A principal surpresa negativa veio da deterioração do crédito destinado às famílias.

Inadimplência da pessoa física preocupa analistas

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A carteira de crédito para pessoa física registrou alta na inadimplência, com avanço de 0,9 ponto percentual em relação ao trimestre anterior e de 2 pontos percentuais na comparação anual. Esse movimento sinaliza possível continuidade da pressão sobre os resultados futuros.

Especialistas do mercado avaliam que a tendência pode exigir provisões adicionais ao longo dos próximos trimestres, o que tende a impactar o lucro e a rentabilidade do banco.

Agronegócio e recuperação judicial em alta

No segmento rural, o aumento dos pedidos de recuperação judicial tem chamado atenção. Dados recentes indicam aceleração das solicitações, o que reforça o cenário de estresse no setor.

  • Juros elevados por período prolongado
  • Pressão nos custos de insumos agrícolas
  • Volatilidade internacional de commodities
  • Impactos geopolíticos sobre cadeias de suprimentos

Esse contexto afeta diretamente instituições com forte exposição ao crédito agrícola, como o Banco do Brasil, que historicamente tem papel relevante no financiamento do setor.

Rentabilidade abaixo do custo de capital

Outro ponto sensível é a rentabilidade. O Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) ficou em 7,3%, bem abaixo do custo de capital estimado em 14,5% ao ano. Esse diferencial indica que o banco está gerando retorno inferior ao que o mercado exige para compensar o risco do investimento.

Em termos práticos, quando o ROE fica abaixo do custo de capital, o valor econômico da instituição pode ser pressionado, o que costuma influenciar a percepção dos investidores.

Revisão de projeções aumenta cautela

A administração revisou as estimativas para o ano. O custo do crédito foi elevado para a faixa de R$ 65 bilhões a R$ 70 bilhões, acima da projeção anterior. Já o lucro líquido esperado foi reduzido para intervalo entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões.

Essa atualização sugere que a normalização da carteira de crédito, especialmente no agro, pode ser mais lenta do que o mercado previa. Para analistas, isso reforça a necessidade de acompanhamento próximo dos indicadores de inadimplência e das provisões.

Impacto no mercado e nas ações

Com a divulgação do resultado, investidores passaram a reavaliar o risco da instituição.

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Além disso, o ambiente de juros altos no Brasil continua influenciando o custo do crédito, o que pode afetar tanto a demanda quanto a capacidade de pagamento de famílias e empresas.

O que observar nos próximos trimestres?

Entre os principais pontos de monitoramento estão:

  • Evolução da inadimplência da pessoa física
  • Ritmo de provisões para perdas
  • Tendência dos pedidos de recuperação judicial no agro
  • Trajetória do ROE frente ao custo de capital
  • Revisões adicionais de guidance

Indicadores oficiais do Banco Central do Brasil sobre crédito e inadimplência também ajudam a contextualizar o cenário do sistema financeiro como um todo.

Considerações finais

O resultado do Banco do Brasil no primeiro trimestre de 2026 evidencia um momento de maior pressão na qualidade do crédito, com destaque para a carteira de pessoa física e para o agronegócio.

A combinação de juros elevados, aumento de recuperações judiciais e rentabilidade abaixo do custo de capital reforça um cenário de cautela para investidores e analistas. O desempenho futuro dependerá da capacidade de estabilizar a inadimplência, controlar provisões e retomar gradualmente a rentabilidade.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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