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Inter e Chainlink no Drex: como a parceria vai ligar bancos centrais de Brasil e Hong Kong

Banco Inter e Chainlink finalizam teste com BC e HKMA para usar Drex em exportações via blockchain.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
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O Banco Inter, em parceria com a Chainlink, o Banco Central do Brasil (BC) e a Autoridade Monetária de Hong Kong (HKMA), concluiu um dos mais ambiciosos testes de financiamento ao comércio exterior com blockchain, voltado ao setor primário. A iniciativa, anunciada na sexta-feira (31), marca um avanço histórico ao integrar o Drex, a versão tokenizada do real, com plataformas internacionais de pagamento programável, criando novas possibilidades para pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras exportarem commodities com segurança, rastreabilidade e liquidação automatizada.

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

O experimento e seus objetivos

Conectando sistemas monetários com segurança e automação

O projeto faz parte da Fase 2 da iniciativa Drex, promovida pelo Banco Central, e teve como foco central a interoperabilidade entre diferentes jurisdições monetárias por meio da blockchain. O teste simulou a liquidação de exportações com uso do Drex no Brasil e da rede Ensemble em Hong Kong, ambas integradas pela infraestrutura da Chainlink.

A iniciativa envolveu grandes players institucionais como:

  • Standard Chartered Bank
  • Global Shipping Business Network (GSBN)
  • 7COMm

Esses agentes participaram da simulação de transações de Delivery-versus-Payment (DvP) e Payment-versus-Payment (PvP), formatos que garantem a entrega dos produtos e o pagamento simultaneamente, reduzindo os riscos para as partes envolvidas.

O papel do Drex e da rede Ensemble

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

O real digital ganha aplicação internacional

A plataforma do Drex, ao lado da Ensemble, permitiu pagamentos programáveis, o que significa que os fundos foram liberados apenas mediante condições pré-definidas, como atualizações no status logístico da carga ou recebimento da mercadoria.

Com essa automação, o modelo substitui processos manuais por fluxos de trabalho regidos por contratos inteligentes (smart contracts), representando um novo paradigma de eficiência no comércio exterior.

Chainlink: a ponte entre os mundos

Interoperabilidade entre blockchains via CCIP

A Chainlink, empresa referência em infraestrutura de blockchain, foi a responsável por garantir a comunicação entre os sistemas distintos do Brasil e de Hong Kong. Para isso, utilizou duas tecnologias de ponta:

  • Chainlink Runtime Environment (CRE): responsável por executar os contratos inteligentes em tempo real.
  • Cross-Chain Interoperability Protocol (CCIP): responsável pela comunicação segura entre redes distintas, permitindo a interoperabilidade entre o Drex e a Ensemble.

Segundo Fernando Luis Vázquez Cao, presidente de Banking e Capital Markets da Chainlink Labs:

“Conectar com sucesso o Banco Central do Brasil e a Autoridade Monetária de Hong Kong para permitir DvP/PvP seguro entre fronteiras é um grande avanço para o comércio global.”

PMEs como foco principal

Democratização do comércio internacional

Um dos principais objetivos da iniciativa é facilitar o acesso de pequenas e médias empresas às exportações, reduzindo as barreiras de entrada nos mercados globais. Com a tokenização de ativos, como commodities, e pagamentos garantidos por contratos programáveis, os riscos de inadimplência e custos operacionais são significativamente reduzidos.

Além disso, o uso da validação automática via blockchain diminui a necessidade de intermediários, tornando o processo mais acessível e transparente.

Transações DvP e PvP: como funcionam?

Automatizando confiança

Os modelos DvP (Delivery-versus-Payment) e PvP (Payment-versus-Payment) representam formas de assegurar que duas partes só cumpram suas obrigações se ambas as condições forem atendidas.

Delivery-versus-Payment (DvP)

  • Entrega do ativo (commodity) só ocorre após o pagamento confirmado.
  • Substitui sistemas de custódia e conferência manuais.
  • Garante que o exportador só libere a carga se o pagamento estiver bloqueado e validado.

Payment-versus-Payment (PvP)

  • Pagamentos em moedas diferentes, como o Drex (real digital) e dólar de Hong Kong, são processados simultaneamente.
  • Mitiga o risco de liquidação em transações cambiais.
  • É crucial para negócios internacionais multimoeda.

Ambas as modalidades foram executadas com sucesso durante o experimento, confirmando a viabilidade de pagamentos condicionados com liquidação simultânea.

Tokenização de ativos: liquidez em tempo real

Novos instrumentos financeiros

Um dos destaques do projeto foi a introdução de um ativo digital tokenizado, lastreado em commodities. Com isso, o exportador pode:

  • Vender antecipadamente o token em mercados secundários.
  • Obter liquidez imediata, mesmo antes da entrega física.
  • Reduzir riscos operacionais com garantias criptográficas de cumprimento.

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Essa abordagem revoluciona o crédito à exportação, criando instrumentos de financiamento mais baratos e seguros.

Impactos para o sistema financeiro e regulatório

O papel do Banco Central e da HKMA

A participação ativa do Banco Central do Brasil (BC) e da HKMA indica uma mudança significativa na abordagem regulatória: de um papel passivo para uma atuação experimental e inovadora. Ao apoiar um projeto com múltiplas jurisdições, os órgãos sinalizam:

  • Abertura para regulações voltadas à Web3 e ativos digitais.
  • Interesse em reduzir o custo do crédito no comércio exterior.
  • Proatividade na exploração de novas fronteiras tecnológicas.

O que dizem os envolvidos

Inter, Chainlink e parceiros celebram o avanço

Em nota oficial, o Banco Inter declarou:

“A plataforma testada representa um divisor de águas para o comércio internacional ao conectar de forma segura os registros de títulos tokenizados com um sistema de pagamentos programáveis e automatizados.”

Já a Chainlink Labs destacou que essa tecnologia poderá ser estendida para novos mercados, acelerando a adoção de contratos inteligentes em setores como energia, alimentos, agronegócio e logística.

A GSBN e o Standard Chartered também elogiaram o potencial transformador da iniciativa para portos, armadores e agentes de carga, integrando a logística global com os sistemas financeiros digitais.

Próximos passos

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Imagem: Divulgação / Banco Inter

Da simulação à realidade

Com o sucesso da simulação, os próximos passos envolvem:

  • Aprovação regulatória plena para uso em operações reais.
  • Expansão para outros países parceiros comerciais do Brasil.
  • Criação de plataformas de liquidação global interconectadas.
  • Desenvolvimento de novos produtos financeiros tokenizados, incluindo seguros, crédito rural e cartas de crédito digitais.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

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Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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