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Eleições no DF mantêm 11 parlamentares que votaram pela compra do Banco Master

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 5 min de leitura
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As eleições de 2026 deram continuidade política a uma parte importante do grupo de deputados distritais que participou da autorização para a tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Dos 15 parlamentares apontados em levantamentos sobre a votação favorável à operação, 11 foram reeleitos para a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), enquanto Thiago Manzoni (PL) deixou a disputa distrital e conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados, com 90.418 votos.

O resultado ocorre em um momento no qual as relações do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com políticos de diferentes partidos continuam sendo examinadas em investigações e apurações. É importante, porém, separar a existência de contatos, contratos ou citações em documentos de qualquer conclusão sobre eventual irregularidade. A própria cobertura do caso ressalta que aparecer em registros relacionados a Vorcaro não significa, por si só, ser investigado ou ter cometido ilícito.

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Como ficou o resultado no Distrito Federal

Eleições 2024
Imagem: Isaac Fontana / Shutterstock.com

Entre os deputados distritais apontados como favoráveis à autorização da operação e que conseguiram renovar o mandato estão Eduardo Pedrosa, Hermeto, Jaqueline Silva, João Cardoso, Martins Machado, Pastor Daniel de Castro, Pepa, Robério Negreiros, Rogério Morro da Cruz, Roosevelt Vilela e Wellington Luiz.

Thiago Manzoni teve um destino eleitoral diferente. Em vez de disputar novamente uma vaga na CLDF, concorreu à Câmara dos Deputados e foi eleito pelo Distrito Federal com 90.418 votos. O resultado o colocou entre os oito representantes escolhidos pelos eleitores do DF para a próxima legislatura federal.

A nova composição da CLDF terá 24 deputados. O sistema proporcional utilizado na eleição faz com que a distribuição das cadeiras dependa não apenas da votação individual, mas também do desempenho das legendas e federações.

O que estava em votação

A operação entre BRB e Banco Master passou pelo Legislativo distrital em agosto de 2025. A Câmara Legislativa aprovou, por 14 votos a 7, o projeto que autorizava o BRB a adquirir 49% das ações ordinárias e 100% das ações preferenciais do Banco Master. F

A redação final do projeto estabelecia ainda mecanismos relacionados à avaliação da participação adquirida e à possibilidade de manutenção de recursos em conta destinada a cobrir eventuais passivos contingentes.

A discussão provocou questionamentos dentro da própria CLDF. Parlamentares solicitaram esclarecimentos ao BRB sobre os termos da operação, sua viabilidade e os possíveis impactos para o patrimônio do Distrito Federal.

Por que o resultado eleitoral chama atenção

O desempenho dos parlamentares que apoiaram a operação ganhou relevância porque a negociação com o Banco Master passou a ser um dos episódios associados às investigações envolvendo Daniel Vorcaro.

Nesse contexto, a reeleição de 11 distritais mostra que a discussão sobre a operação não impediu a manutenção dos mandatos da maioria dos parlamentares identificados como favoráveis à proposta. Entretanto, o resultado eleitoral não permite concluir que os eleitores tenham votado especificamente em razão da posição adotada sobre o negócio.

A votação de um candidato é influenciada por diferentes fatores, como atuação parlamentar, estrutura partidária, alianças, campanha, identificação política e questões locais. Portanto, associar automaticamente o resultado eleitoral a uma única decisão legislativa seria uma interpretação que não pode ser comprovada apenas pelos números das urnas.

Caso Master também alcançou a disputa nacional

O episódio teve reflexos além do Distrito Federal. Políticos de diferentes estados que apareceram em apurações sobre relações com Vorcaro também disputaram as eleições de 2026.

Entre os eleitos estão Hugo Motta (Republicanos-PB), que renovou o mandato de deputado federal, e Antônio Rueda (União Brasil-RJ), eleito para a Câmara dos Deputados. Jaques Wagner também foi reeleito senador pela Bahia.

No caso de Hugo Motta, reportagens mencionaram conversas e encontros com Vorcaro, além de informações sobre uma operação de crédito envolvendo empresa ligada à família do deputado. Motta negou qualquer relação de favorecimento e afirmou que sua atuação política e pessoal é regular.

Antônio Rueda, por sua vez, confirmou que ele e sua irmã prestaram serviços jurídicos ao Banco Master. Segundo sua manifestação pública, os trabalhos foram realizados de forma legítima e dentro das normas profissionais.

Flávio Bolsonaro vai ao segundo turno

A repercussão do caso também chegou à disputa presidencial. Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos válidos, e disputará o segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que obteve 45,16%, segundo os dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Flávio é investigado em inquérito relacionado ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre Jair Bolsonaro. Segundo a Agência Brasil, a investigação apura um repasse de R$ 61 milhões feito por Daniel Vorcaro para custear a produção. Flávio nega irregularidades.

O caso, portanto, permanece em duas frentes diferentes: de um lado, as investigações e apurações sobre relações financeiras e pessoais envolvendo Vorcaro; de outro, a resposta dada pelos eleitores nas urnas.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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