A temporada de balanços do primeiro trimestre de 2025 (1T25) dos grandes bancos brasileiros está prestes a começar. Na próxima quarta-feira (30), o Santander (SANB11) divulgará seus resultados antes da abertura do mercado, marcando o início da jornada de divulgações. Este período de resultados será crucial para entender como os bancos estão se adaptando ao atual cenário econômico, que ainda reflete as altas taxas de juros e a continuidade de mudanças regulatórias.
Santander, BB, Bradesco ou Itaú? Veja qual bancão deve lucrar mais neste trimestre
Santander, Bradesco, Itaú e Banco do Brasil divulgam os balanços do 1T25 com atenção ao crédito consignado, inadimplência e impacto da nova regra contábil.
A temporada de resultados deve refletir um ambiente operacional que, embora mais brando do que o último trimestre de 2024, ainda se mantém resiliente. A expectativa é de que, apesar de um primeiro trimestre historicamente mais fraco, os bancos devam apresentar números robustos devido ao controle de custos e ao bom desempenho em algumas áreas específicas, como seguros e crédito consignado.
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Expectativas para os resultados dos bancões no 1T25

Santander: Desafios e Resiliência
O Santander será o primeiro a divulgar seus resultados, e as expectativas para o 1T25 são de um desempenho sazonalmente mais fraco. O banco deve enfrentar dificuldades devido ao impacto da Resolução 4.966, que afeta as provisões e a contabilidade das baixas contábeis, além da alta taxa de juros que continua pressionando o crescimento da carteira de crédito.
Apesar disso, analistas esperam que o Santander mantenha a margem financeira com clientes estável, enquanto a margem de mercado deve ser impactada negativamente pelos juros. A expectativa é de uma leve queda de 2,5% no NII (Margem de Juros Líquidos) frente ao 4T24, mas um crescimento de 5,4% em comparação com o 1T24. As provisões devem aumentar, com uma expectativa de inadimplência de 10 pontos base a mais no índice NPL.
O lucro líquido do Santander no 1T25 é projetado em torno de R$ 3,6 bilhões, o que representa uma queda de 6,0% na comparação trimestral, mas um aumento de quase 20% na comparação anual.
Bradesco: Crescimento com cautela
No caso do Bradesco, os analistas da XP Investimentos projetam um crescimento levemente positivo, principalmente nos segmentos de Pequenas e Médias Empresas (PMEs) e Pessoa Física. A desaceleração no ritmo de crescimento das Grandes Empresas deverá impactar negativamente o banco. Apesar de um trimestre sazonalmente mais fraco, o bom desempenho nos seguros deve compensar parcialmente as dificuldades em outras áreas.
A expectativa é de um lucro líquido de R$ 5,3 bilhões, com um retorno sobre o patrimônio líquido (ROAE) de 13%. A estratégia do Bradesco continua focada na reestruturação, com ênfase na digitalização e fechamento de agências, buscando maior eficiência operacional.
Itaú Unibanco: Consistência e Desafios no Crédito
O Itaú Unibanco, tradicionalmente um dos favoritos dos analistas, também deve apresentar um bom desempenho no 1T25, embora sem grandes surpresas. A XP Investimentos projeta um lucro líquido de R$ 11,1 bilhões, o que representa um aumento de 13,2% no comparativo anual. A margem financeira com clientes deve se manter estável, mas o impacto da alta da Selic e a desaceleração do crédito consignado no INSS devem limitar o crescimento.
Os analistas também destacam a importância do Super App One Itaú, que vem ganhando tração e pode ser um motor relevante de crescimento a médio prazo. Embora o primeiro trimestre seja sazonalmente mais fraco, o Itaú deve continuar a demonstrar solidez e uma rentabilidade superior à média do setor.
Banco do Brasil: Expectativa de crescimento mais modesto
O Banco do Brasil também deve apresentar resultados mais tímidos no início do ano, com uma projeção de lucro líquido de R$ 9,5 bilhões, representando um crescimento de 2% no comparativo anual. Embora a carteira de crédito tenha acelerado ao longo de 2024, a expectativa é de que o crescimento no 1T25 seja mais modesto, com uma desaceleração na origem de crédito devido ao cenário macroeconômico desafiador.
A inadimplência, principalmente no setor agropecuário, deve pressionar o banco, elevando as provisões. O NII deve se manter estável, com o banco enfrentando desafios devido ao aumento dos custos de financiamento.
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O impacto das mudanças contábeis

A Resolução CMN nº 4.966, que entrou em vigor recentemente, é um dos principais pontos de atenção para os analistas no 1T25. A norma exige mudanças na forma como os bancos lidam com as provisões para perdas esperadas, o que deve impactar diretamente os resultados. A expectativa é de que essa alteração contábil leve a uma elevação das provisões, especialmente no Santander e no Banco do Brasil.
Essas mudanças podem resultar em um impacto negativo no lucro líquido dos bancos, já que as provisões são um custo considerável. No entanto, os analistas acreditam que as medidas de controle de custos e o bom desempenho em outros segmentos, como seguros e crédito consignado, poderão atenuar esse impacto.
Crédito consignado e os desafios de 2025

O crédito consignado continua sendo um tema estratégico para os bancos em 2025. O mercado de crédito consignado para o setor privado, que já tem mostrado crescimento nos últimos anos, deve se manter como um dos principais motores de crescimento para os bancões. A tendência é que os grandes bancos se concentrem nesse segmento, buscando expandir suas carteiras e aproveitar o crescimento da demanda por esse tipo de crédito.
No entanto, o cenário de juros elevados e a resolução 4.966 podem limitar o crescimento do crédito, já que as condições para a concessão de empréstimos tornam-se mais rígidas. Ainda assim, o crédito consignado continua sendo uma das apostas mais fortes dos bancos para este ano.
Conclusão
A temporada de balanços do 1T25 dos grandes bancos brasileiros promete ser marcada por um desempenho resiliente, apesar dos desafios impostos pelo cenário macroeconômico. O impacto das altas taxas de juros, da Resolução 4.966 e da sazonalidade do primeiro trimestre deverá ser compensado pelo bom desempenho em algumas áreas, como seguros e crédito consignado.
O mercado acompanhará com atenção os resultados de cada banco, principalmente em relação à inadimplência e às novas provisões exigidas pela alteração contábil. A expectativa é que os grandes bancos apresentem resultados sólidos, mas com desafios à frente, especialmente no que diz respeito à qualidade do crédito e ao controle de custos.
