Os maiores bancos privados do Brasil passaram a adotar uma postura mais seletiva na concessão de crédito diante de um cenário marcado por juros elevados, maior endividamento das famílias e aumento dos custos para proteger as carteiras contra calotes.
Nos balanços financeiros divulgados referentes ao segundo trimestre, instituições como Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil destacaram o avanço de modalidades consideradas mais seguras, principalmente operações que possuem garantias associadas, como crédito consignado, financiamento de veículos e financiamento imobiliário.
A estratégia não representa uma interrupção da oferta de empréstimos, mas uma mudança no perfil das operações priorizadas. Com um ambiente econômico mais desafiador, os bancos passaram a concentrar recursos em linhas nas quais existe maior previsibilidade de pagamento e menor exposição ao risco.
O movimento ocorre em um momento em que a qualidade das carteiras de crédito ganhou importância para o mercado financeiro. A preocupação das instituições está relacionada principalmente ao comportamento da inadimplência e ao impacto das despesas destinadas a cobrir possíveis perdas.
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Por que os bancos estão priorizando créditos com garantia?
As linhas de crédito com garantia oferecem maior proteção às instituições financeiras porque possuem mecanismos que reduzem o risco de perda.
No crédito consignado, por exemplo, o pagamento das parcelas ocorre por meio de desconto direto na folha de pagamento do trabalhador ou do beneficiário. Essa característica reduz a possibilidade de atraso em comparação com modalidades sem garantias.
Já nos financiamentos de veículos e imóveis, o próprio bem financiado funciona como uma proteção para o banco. Em caso de inadimplência prolongada, existem mecanismos legais que permitem a recuperação do ativo conforme as regras de cada contrato.
Segundo analistas do setor, o cenário atual fez as instituições financeiras aumentarem o rigor na análise de risco. A lógica passou a ser conceder crédito de forma mais estratégica, priorizando clientes e produtos com maior capacidade de pagamento.
Itaú, Bradesco e Santander reforçam linhas consideradas mais seguras

Os três maiores bancos privados do país indicaram em seus resultados recentes uma preferência por carteiras com menor exposição ao risco.
No Itaú Unibanco, o crescimento da carteira de pessoas físicas esteve associado principalmente a produtos considerados mais resilientes, como crédito imobiliário e consignado.
A instituição destacou a expansão dessas modalidades como parte de uma estratégia de equilíbrio entre crescimento da carteira e controle da qualidade dos ativos.
O Bradesco também apontou avanço em operações com garantias, incluindo crédito para empresas com respaldo em ativos, consignado privado e financiamento de veículos.
Já o Santander Brasil reforçou a importância da disciplina na concessão de crédito, buscando preservar a qualidade da carteira diante das condições econômicas.
Inadimplência aumenta preocupação das instituições financeiras
O avanço de algumas taxas de atraso nos pagamentos tornou o controle de risco uma prioridade para os bancos.
Quando uma instituição concede empréstimos, ela precisa reservar parte dos recursos para possíveis perdas futuras. Esse mecanismo é chamado de Provisão para Devedores Duvidosos (PDD).
Com o aumento das incertezas econômicas, os bancos elevaram essas reservas.
O Bradesco ampliou as despesas com provisões, assim como Itaú e Santander, refletindo uma postura mais conservadora diante do cenário de crédito.
A elevação dessas despesas não significa necessariamente prejuízo, mas indica que as instituições estão se preparando para eventuais dificuldades de pagamento por parte dos clientes.
Cartão de crédito rotativo segue como modalidade de maior risco
Dados do Banco Central mostram diferenças significativas entre os níveis de inadimplência das modalidades de crédito.
Operações com garantias costumam apresentar índices menores de atraso, enquanto produtos sem garantia possuem maior risco.
O crédito rotativo do cartão de crédito continua entre as modalidades mais preocupantes, principalmente por causa dos juros elevados e da dificuldade de consumidores conseguirem quitar o saldo integral da fatura.
O cheque especial também permanece como uma das linhas com maior custo para o consumidor.
Essas modalidades possuem taxas médias muito superiores às encontradas em financiamentos com garantias, justamente porque envolvem maior risco para as instituições.
Juros elevados influenciam estratégia dos bancos
A política monetária brasileira também tem impacto direto na decisão dos bancos.
Com a taxa Selic permanecendo em patamar elevado por um longo período, o custo do dinheiro aumentou para empresas e consumidores.
Juros mais altos tornam financiamentos mais caros, reduzem a capacidade de pagamento e podem aumentar o risco de inadimplência.
Por esse motivo, as instituições financeiras passaram a adotar critérios mais rigorosos para liberar novos empréstimos.
O objetivo é manter a rentabilidade das operações sem ampliar excessivamente a exposição a clientes ou segmentos considerados mais vulneráveis.
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Endividamento das famílias muda comportamento do mercado

O avanço do endividamento dos brasileiros também influencia a postura dos bancos.
Com uma parcela maior da renda comprometida com dívidas, consumidores encontram mais dificuldade para assumir novos compromissos financeiros.
Esse cenário exige que as instituições analisem não apenas o histórico de pagamento do cliente, mas também sua capacidade atual de absorver novas parcelas.
Na prática, isso pode resultar em maior seletividade para aprovação de crédito pessoal, cartões e empréstimos sem garantias.
Ao mesmo tempo, linhas com desconto automático ou associadas a bens continuam sendo vistas como alternativas mais previsíveis.
Bancos buscam equilíbrio entre crescimento e controle de custos
Além da gestão do risco de crédito, as instituições financeiras também destacaram o controle das despesas operacionais.
Os bancos afirmam que continuam investindo em tecnologia e transformação digital, mas procuram manter o crescimento dos custos abaixo da inflação.
A estratégia inclui ampliar eficiência, automatizar processos e melhorar a relação entre despesas e receitas.
Esse movimento ocorre em um período no qual o setor financeiro enfrenta desafios relacionados à competição digital, mudanças no comportamento dos consumidores e necessidade de manter margens em um ambiente de juros elevados.
O que muda para consumidores que precisam de crédito?
Para quem busca empréstimos ou financiamentos, a mudança de estratégia dos bancos pode significar uma análise mais criteriosa antes da aprovação.
Clientes com bom histórico de pagamento, renda estável e menor comprometimento financeiro tendem a encontrar melhores condições.
Além disso, modalidades com garantia podem oferecer taxas mais competitivas justamente porque apresentam menor risco para o banco.
Antes de contratar qualquer operação, o consumidor deve comparar o custo efetivo total, avaliar o impacto das parcelas no orçamento e evitar recorrer frequentemente a linhas de juros elevados.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital



