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Bancos vão ter que injetar R$ 55 bi no Fundo Garantidor de Créditos, após Master e Will

Liquidações de Master e Will reduzem liquidez do FGC; Moody’s prevê maior custo aos bancos, sem risco sistêmico.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes··5 min de leitura
Agencias

Os bancos brasileiros devem enfrentar custos mais elevados para recompor a liquidez do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) após as liquidações da Master e da Will Financeira. A avaliação é da Moody’s, que estima que o pagamento das garantias aos investidores levará os recursos do fundo abaixo do índice mínimo de cobertura, acionando mecanismos extraordinários de recomposição. Apesar disso, a agência não vê riscos sistêmicos materiais para o sistema financeiro.

O movimento reacende o debate sobre custos de captação, liquidez bancária e transparência, ao mesmo tempo em que autoridades revisam a metodologia do seguro de depósitos no Brasil.

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O que aconteceu com o FGC após as liquidações

Segundo a Moody’s, após os pagamentos aos investidores, o FGC pode apresentar um déficit estimado de R$ 55 bilhões em relação ao índice mínimo de cobertura de 2,5% dos depósitos segurados. Quando o fundo cai abaixo desse patamar, o estatuto permite a ativação de instrumentos para recompor a liquidez.

Quais ferramentas o FGC pode usar

Entre as alternativas previstas estão:

  • Antecipação de contribuições ordinárias futuras, de forma proporcional ao volume de depósitos cobertos de cada banco
  • Sobretaxas temporárias sobre as contribuições
  • Alíquota mensal de 0,01% sobre os depósitos segurados

A Moody’s avalia que o conselho do FGC deve recorrer a uma combinação de antecipação multianual e uma sobretaxa temporária de 50% sobre a contribuição ordinária até que o nível-alvo de liquidez seja restabelecido.

Quem paga mais pela recomposição

Embora não haja divulgação pública da proporção exata de depósitos segurados por instituição, a concentração do sistema é conhecida. Bancos sistemicamente importantes — como Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Bradesco, Santander Brasil, Caixa Econômica Federal e BTG Pactualrespondem por cerca de 75% dos depósitos elegíveis ao seguro. Na prática, isso significa que arcam com a maior parte da conta.

Para o sistema como um todo, a recomposição tende a elevar custos, mas de forma distribuída e diluída no tempo.

Impacto potencial na liquidez e no crédito

A redução de R$ 55 bilhões na liquidez do sistema, em um cenário de Selic ao redor de 15%, implica um efeito anual superior a R$ 8 bilhões na receita líquida de juros, o equivalente a 2,1% do total reportado nos 12 meses até setembro de 2025, segundo a Moody’s.

O que isso pode significar na prática

  • Menor folga de liquidez para alguns bancos
  • Custo marginal maior de captação, sobretudo para médios e pequenos
  • Repasse parcial para operações de crédito, de forma gradual

Ainda assim, a agência destaca que não há indícios de estresse sistêmico, dada a robusta liquidez doméstica e o perfil do mercado brasileiro.

Bancos médios e a aversão ao risco

Um efeito colateral possível é o aumento da aversão ao risco em relação a bancos de médio porte nas próximas semanas ou meses. Por outro lado, a Moody’s ressalta fatores de compensação importantes.

Mercado de capitais como amortecedor

Em setembro de 2025, o volume em circulação de letras financeiras somava R$ 658 bilhões, alta de 57% em três anos. Desse total, 55% foi emitido pelos maiores bancos, indicando que há profundidade de mercado para absorver ajustes.

Além disso, a expectativa de moderação na originação de crédito em 2026, diante de crescimento econômico mais fraco, tende a reduzir pressões de liquidez e a necessidade de captação adicional pelos bancos médios.

Revisão da metodologia do FGC e do seguro de depósitos

O Banco Central do Brasil (BCB) e o FGC anunciaram a reavaliação da metodologia usada para calcular os limites do fundo e seu tamanho geral. A revisão ocorre a cada quatro anos e considera:

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  • Evolução dos depósitos elegíveis
  • Perfis de risco das instituições participantes
  • Participação dos depósitos segurados no sistema

O que pode mudar com a nova metodologia

A atualização pode resultar em prêmios de seguro estruturalmente mais altos, sobretudo para bancos menores que ampliaram o uso do seguro de depósitos nos últimos cinco anos. Somadas às contribuições extraordinárias para recompor o fundo, as mudanças tendem a elevar o custo de captação em todo o sistema.

Visão do setor: impacto tende a ser limitado

Para Leandro Vilain, presidente da Associação Brasileira dos Bancos (ABBC), ainda é cedo para medir o impacto total do aumento das contribuições. A expectativa é que o FGC defina rapidamente a recomposição, com prazo estimado entre 60 e 90 dias, já que os pagamentos aos credores estão em andamento.

Segundo Vilain, as instituições não enxergam um problema relevante: pode haver leve aumento de despesas e algum repasse ao crédito, mas diluído no tempo. “É uma fração muito pequena — 0,01% dos depósitos — e não deve inviabilizar negócios”, afirma.

Mais transparência e acesso a dados

O presidente da ABBC também avaliou positivamente as mudanças aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Destaque para:

  • Acesso ampliado do FGC a dados operacionais das instituições associadas
  • Compartilhamento de informações entre bancos, FGC e Banco Central
  • Possibilidade de o FGC contratar auditorias e consultorias independentes
  • Divulgação pública de relatórios sobre instituições seguradas e instrumentos garantidos

Essas medidas fortalecem a análise de risco, aumentam a transparência e oferecem mais informação ao investidor.

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(Foto: Adobe Stock)

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