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Nubank e Inter entram em trimestre sob maior pressão

Nubank e Inter enfrentam alta da inadimplência em 2026. Veja análise, riscos e o que esperar dos resultados.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes4 min de leitura
Nubank e Inter entram em trimestre sob maior pressão

O início do ano costuma ser um período crítico para o sistema financeiro brasileiro. Após as despesas de fim de ano, impostos e contas acumuladas pressionam o orçamento das famílias — e o reflexo aparece diretamente nos índices de inadimplência.

Em 2026, esse movimento sazonal volta ao radar, mas com um diferencial importante: o foco do mercado está nos bancos digitais, especialmente Nubank e Banco Inter.

Segundo análise do Banco Safra, o momento atual representa um verdadeiro teste de sustentabilidade para o modelo dessas fintechs. A questão central deixou de ser apenas crescimento — agora, o mercado quer saber se ele é sustentável.

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Inadimplência: sazonalidade ou problema estrutural?

Pressão típica do início do ano

Tradicionalmente, o primeiro trimestre traz aumento nos atrasos de pagamento. Isso ocorre por fatores conhecidos:

  • IPTU, IPVA e outras despesas obrigatórias
  • Faturas acumuladas do cartão de crédito
  • Redução da renda disponível das famílias

Esse padrão costuma ser temporário, com melhora ao longo do ano.

O que mudou em 2026

A diferença, segundo o Safra, é que há sinais de uma deterioração mais ampla no sistema financeiro. Ou seja, não se trata apenas de sazonalidade, mas possivelmente de um movimento mais estrutural.

Esse cenário exige atenção redobrada dos investidores e do próprio mercado, que passa a avaliar com mais rigor a qualidade do crédito concedido.

Nubank: crescimento forte, mas com custos crescentes

O Nubank continua sendo um dos principais cases de crescimento do setor financeiro.

Projeções para o primeiro trimestre

  • Lucro líquido estimado: US$ 926 milhões
  • Crescimento anual: +66%
  • Expansão da carteira de crédito: +6,3% no trimestre

A instituição mantém forte avanço em receitas e margem financeira, impulsionada pela expansão do crédito e ganhos operacionais.

Aumento da inadimplência

Apesar dos números positivos, há sinais de alerta:

  • Inadimplência acima de 90 dias projetada em 6,8%
  • Alta de 18 pontos-base no indicador

Por enquanto, o movimento é considerado dentro da normalidade sazonal.

Pressão nos custos

Outro ponto crítico é o aumento das despesas operacionais, com alta superior a 70% na comparação anual, impulsionada por:

  • Expansão internacional
  • Investimentos em tecnologia
  • Mudanças operacionais (como retorno ao escritório)

Isso levanta uma nova questão: o banco consegue manter eficiência enquanto cresce?

Banco Inter: crescimento mais cauteloso

O Banco Inter adota uma estratégia diferente, com maior foco em controle de risco.

Projeções de desempenho

  • Lucro líquido estimado: R$ 394 milhões
  • ROE: 15,4%
  • Crescimento da carteira: 33% em 12 meses

Apesar da expansão relevante, o ritmo já mostra desaceleração.

Estratégia mais seletiva

O banco tem reduzido o apetite por risco, especialmente em linhas mais sensíveis, como:

  • Cartão de crédito
  • Crédito consignado privado

Essa postura busca conter a inadimplência, que já vinha acima da média no fim de 2025.

Eficiência como ponto positivo

Por outro lado, o Inter apresenta melhora operacional:

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  • Redução de despesas no trimestre
  • Avanço na taxa de eficiência

Isso indica uma operação mais ajustada, mesmo em cenário desafiador.

O que o mercado está observando agora

Mudança na tese de investimento

Até recentemente, o foco estava no crescimento acelerado dos bancos digitais. Agora, a análise mudou.

Os investidores passam a considerar:

  • Qualidade da carteira de crédito
  • Controle de custos
  • Sustentabilidade da rentabilidade

Resultados como termômetro

A temporada de resultados do primeiro trimestre será decisiva para entender:

  • Se a inadimplência é pontual ou estrutural
  • Se os bancos conseguem equilibrar crescimento e risco
  • Se haverá necessidade de ajustes nas estratégias

Impactos para o consumidor brasileiro

Crédito mais seletivo

Se a inadimplência continuar subindo, os bancos tendem a:

  • Restringir concessão de crédito
  • Aumentar juros para compensar risco
  • Endurecer critérios de aprovação

Exemplo prático

Um consumidor que antes conseguia limite alto no cartão pode enfrentar:

  • Redução de limite
  • Taxas mais elevadas
  • Maior dificuldade de aprovação

Isso afeta diretamente o consumo e o planejamento financeiro das famílias.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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