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Lucro do Banco do Brasil despenca no 3º trimestre, projeta Bradesco BBI

Relatório do BBI estima que o Banco do Brasil terá lucro de R$ 3,2 bilhões no 3º trimestre, queda de 66,2% em um ano, impactado por maiores provisões e impostos.

Bruna MachadoPor Bruna Machado7 min de leitura
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O mercado financeiro se prepara para uma nova rodada de resultados trimestrais do setor bancário, e o Banco BBI divulgou um relatório que antecipa alta moderada nos lucros de instituições como Itaú, Santander, Nubank e Inter, enquanto o Banco do Brasil deve apresentar queda expressiva no resultado.

Segundo os analistas Marcelo Mizrahi e Eric Ito, a combinação entre melhora nas margens financeiras com clientes, redução das provisões e menor alíquota de imposto efetivo deve sustentar o desempenho positivo da maioria das instituições.

Ainda assim, fatores como a trajetória da Selic, despesas operacionais elevadas e pressão nas linhas de tesouraria continuam sendo desafios relevantes para o setor.

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Santander Brasil: lucro de R$ 3,7 bilhões, em linha com o consenso

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

O Santander Brasil deve reportar lucro líquido de R$ 3,7 bilhões no trimestre, representando alta de 1,1% frente ao trimestre anterior e de 0,9% na comparação anual. O resultado está em linha com o consenso de mercado, indicando estabilidade na performance do banco.

De acordo com o BBI, o avanço virá principalmente do resultado de juros com clientes e da redução nas provisões para perdas, fatores que compensam o aumento das despesas operacionais. As receitas de tarifas bancárias também devem permanecer positivas, refletindo o bom desempenho em serviços como cartões e conta corrente.

Tesouraria e impostos

Os analistas preveem uma deterioração relevante no resultado de tesouraria, atribuída à volatilidade nos mercados e aos efeitos da manutenção da Selic em patamar elevado. Contudo, uma taxa efetiva de imposto mais baixa deve ajudar a sustentar o lucro líquido.

“O Santander deve apresentar um trimestre de estabilidade, com avanço em receitas e controle de risco de crédito, mas sensível à dinâmica da taxa básica de juros”, pontuam Mizrahi e Ito.


Itaú Unibanco: estabilidade nas margens e avanço de 10,4% em 12 meses

Para o Itaú Unibanco, o BBI projeta lucro líquido de R$ 11,8 bilhões, o que representa crescimento de 2,4% em relação ao segundo trimestre e de 10,4% em relação ao mesmo período de 2024. A cifra é 0,9% inferior ao consenso de mercado, mas ainda indica forte consistência operacional.

Margem financeira e tesouraria

Os analistas destacam que o banco deve registrar estabilidade no lucro antes de impostos, com leve contração da margem financeira com clientes e pressão na tesouraria. Mesmo assim, as receitas de tarifas e seguros devem compensar parte do impacto negativo.

As provisões para calotes devem permanecer praticamente estáveis, enquanto as despesas operacionais tendem a crescer, influenciadas pelos acordos coletivos trabalhistas.

Alíquota efetiva mais baixa

Um dos pontos positivos é a redução na alíquota efetiva de imposto, que permitirá uma expansão marginal no lucro líquido. O Itaú segue como referência de eficiência operacional no setor, com ROE superior a 20% e baixo índice de inadimplência, fatores que sustentam sua liderança no mercado bancário brasileiro.


Banco do Brasil: queda acentuada de 66,2% em um ano

O Banco do Brasil (BB), por outro lado, deve apresentar o resultado mais fraco entre os grandes bancos. O BBI estima um lucro líquido de R$ 3,2 bilhões, o que representa queda de 14,9% no trimestre e colapso de 66,2% em comparação ao mesmo período de 2024.

Provisões e margens

Embora o BB deva registrar crescimento de 4,9% na margem de juros e na carteira de crédito, esse ganho será mais do que anulado pelo avanço de 8% nas provisões para perdas.

O relatório também menciona menor contribuição da Previ, fundo de pensão dos funcionários do banco, e um aumento das despesas gerais, que devem reduzir o lucro antes de impostos em 9,6%.

“A alta nas provisões e a elevação da alíquota de imposto devem pressionar o resultado do BB, mesmo com crescimento moderado da carteira”, apontam os analistas.

Contexto de juros e crédito

A elevação da Selic e a desaceleração do crédito agrícola, tradicional motor do banco, ajudam a explicar a piora no resultado. Além disso, a menor participação de receitas não financeiras, como tarifas e seguros, reforça a dependência do BB em relação à margem de juros.


Nubank: lucro de US$ 728 milhões e crescimento acelerado na América Latina

O destaque positivo entre as instituições financeiras é o Nubank, que deve reportar lucro líquido de US$ 728 milhões, uma alta de 14,3% no trimestre e de 31,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado está 1,1% acima do consenso de mercado, reforçando a tendência de crescimento sustentável e rentável.

Expansão regional e rentabilidade

Segundo o BBI, a fintech se beneficia da queda no custo de funding no México e da expansão de ativos rentáveis em toda a América Latina. A carteira de crédito deve acelerar 8,5%, impulsionando um crescimento de 14,1% no resultado de juros.

As provisões para inadimplência foram revisadas para cima, refletindo o ritmo mais forte de originação de crédito, mas ainda dentro de níveis controlados.

Eficiência operacional

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As despesas operacionais devem subir 6,7%, abaixo do crescimento da receita, o que reforça a melhora na eficiência. O lucro antes de impostos deve avançar 14,2%, mostrando o sucesso do modelo de expansão com controle de custos.

“O Nubank mantém a combinação rara de crescimento acelerado, margens elevadas e custo operacional contido, consolidando sua posição como principal fintech da América Latina”, diz o relatório.


Banco Inter: lucro de R$ 340 milhões e solidez na carteira de crédito

O Banco Inter também deve apresentar crescimento expressivo, com lucro líquido estimado em R$ 340 milhões, alta de 8% no trimestre e de 40,2% em relação ao ano anterior. Apesar disso, o número é 6,4% inferior ao consenso da Bloomberg, o que indica desempenho sólido, mas abaixo das expectativas do mercado.

Fatores de crescimento

A corretora destaca a aceleração da carteira de crédito, tanto no núcleo (varejo) quanto no total consolidado, além da melhoria das margens financeiras.

Por outro lado, provisões e despesas operacionais mais altas devem limitar um avanço mais forte no lucro. Ainda assim, as receitas de tarifas e serviços financeiros permanecem sólidas, contribuindo para a sustentação do resultado.

Estratégia digital consolidada

O Inter segue expandindo sua presença digital, com crescimento na base de clientes e integração com a plataforma Inter Shop, que impulsiona as receitas de marketplace e cashback.


Panorama geral do setor bancário

Banco do Brasil
Imagem: Freepik e Canva

A leitura geral do BBI indica um trimestre de estabilidade e transição para o setor financeiro brasileiro. Enquanto bancos tradicionais enfrentam pressão de custos e margens comprimidas, fintechs como o Nubank e o Inter continuam ganhando espaço, especialmente entre clientes de renda média.

A trajetória da Selic e o comportamento da inadimplência permanecem os principais vetores de risco para os resultados futuros. Contudo, a redução gradual dos juros esperada para 2026 pode beneficiar especialmente os bancos de varejo, que operam com maior sensibilidade à taxa básica.


Considerações finais

O relatório do BBI revela que o terceiro trimestre de 2025 deve marcar um momento de consolidação e diferenciação entre as principais instituições financeiras do país.

  • Itaú e Santander mantêm solidez e eficiência, mesmo com margens comprimidas.
  • Nubank se destaca como a fintech mais rentável e inovadora da América Latina.
  • Inter confirma trajetória de expansão, ainda que sob pressão de custos.
  • Banco do Brasil enfrenta o trimestre mais desafiador, com lucros em forte retração.

Com o cenário macroeconômico em transição e o crédito voltando a crescer gradualmente, o mercado espera que os resultados de 2026 tragam uma recuperação mais equilibrada, marcada por eficiência operacional, digitalização e diversificação de receitas.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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