Desde a criação do MED, em novembro de 2021, o Banco Central já recuperou mais de R$ 1 bilhão em fraudes e falhas no sistema de pagamentos instantâneos Pix. Apenas nos primeiros sete meses de 2024, foram devolvidos R$ 317 milhões aos usuários do serviço.
BC revela que devolveu mais de R$ 1 bilhão por fraudes e falhas no Pix
Banco Central devolveu mais de R$ 1 bilhão por fraudes e falhas no Pix desde 2021. Saiba como o Mecanismo Especial de Devolução funciona.
A implementação deste mecanismo foi uma resposta à crescente popularidade do Pix e à necessidade de proteger os usuários de fraudes e erros operacionais.
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Resultados expressivos em 2024

Segundo dados divulgados pelo Banco Central, entre janeiro e julho de 2024, houve 2,5 milhões de solicitações de devolução de valores por fraudes, mas apenas 32% dos pedidos foram atendidos. Isso resultou na recuperação de R$ 284 milhões, um percentual ainda pequeno em relação ao total de valores solicitados.
No mesmo período, em casos de falhas operacionais, foram registrados 63 mil pedidos, dos quais 45,1% resultaram em sucesso, com a devolução de R$ 33 milhões.
Fraudes e desafios no Pix
A alta taxa de fraudes no Pix é um desafio constante para o Banco Central. Uma das maiores dificuldades para recuperar os valores se deve à agilidade dos criminosos, que transferem rapidamente os recursos entre diferentes contas, dificultando o bloqueio do dinheiro.
Segundo o BC, o MED só consegue atuar com sucesso se os recursos ainda estiverem disponíveis na conta de destino.
Fraudes recorrentes: uso indevido do MED
Um golpe cada vez mais comum é o uso indevido do próprio Mecanismo Especial de Devolução. Nesse tipo de fraude, o golpista finge ter recebido um Pix indevido e entra em contato com a vítima, pedindo a devolução do valor para uma nova chave Pix, que não é a original.
A vítima, acreditando estar devolvendo o valor corretamente, transfere o dinheiro para o fraudador. Em seguida, o golpista abre um protocolo no MED, alegando ser vítima de golpe, e solicita novamente a devolução do valor. Como resultado, a vítima acaba sendo lesada duas vezes.
O que esperar do MED 2.0?
Diante dos desafios e da sofisticação dos golpes envolvendo o Pix, o Banco Central já trabalha em uma versão aprimorada do Mecanismo Especial de Devolução, chamada “MED 2.0”.
Esta nova versão do sistema está sendo desenvolvida em parceria com bancos e instituições de pagamento, com lançamento previsto para 2025. Entre as melhorias esperadas, está o rastreamento completo das transações via Pix, o que permitirá o bloqueio dos recursos de forma mais eficiente.
Rastreabilidade aprimorada
O MED 2.0 terá um sistema de rastreamento das transações desde o momento em que o golpe é identificado, o que facilitará a localização dos valores e o bloqueio das contas utilizadas pelos golpistas. Com isso, o Banco Central espera aumentar significativamente a taxa de recuperação dos valores.
Prazo para devoluções mais curto
Atualmente, o prazo para que os bancos iniciem uma solicitação de devolução após identificar uma fraude é de 30 minutos.
No entanto, com o MED 2.0, o objetivo é tornar esse processo ainda mais ágil, reduzindo o tempo de resposta e aumentando as chances de sucesso na devolução dos valores.
Como funciona o Mecanismo de Devolução?

O Mecanismo Especial de Devolução (MED) é um sistema criado para facilitar a devolução de valores em casos de fraudes ou falhas nas transações via Pix.
Ele permite que as instituições financeiras, ao identificarem uma transação suspeita ou realizada de forma indevida, acionem um processo de bloqueio e devolução dos valores diretamente para a conta do usuário lesado.
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Condições para acionamento
Para que o MED funcione corretamente, é necessário que o dinheiro ainda esteja disponível na conta de destino. Se os golpistas conseguirem movimentar os valores rapidamente, o processo de devolução se torna inviável.
Além disso, o banco tem um prazo curto para identificar a fraude e iniciar a devolução, o que torna o processo ainda mais desafiador.
Percentual de sucesso
Apesar dos desafios, o MED tem sido eficaz em diversos casos, especialmente em transações de menor valor e em situações onde os golpistas não conseguem movimentar rapidamente os valores.
No entanto, o percentual de sucesso em fraudes ainda é baixo, devido à complexidade das operações criminosas e à velocidade com que os recursos são movimentados.
O impacto do Pix no Brasil
Desde seu lançamento em 2020, o Pix se tornou o método de pagamento mais popular no Brasil, com milhões de transações realizadas diariamente.
A facilidade e a rapidez com que os pagamentos são efetuados fizeram do Pix uma ferramenta essencial para os brasileiros, mas também criaram novas oportunidades para golpes e fraudes.
O Banco Central tem se empenhado em aumentar a segurança do sistema, e o Mecanismo Especial de Devolução é uma das principais ferramentas para proteger os usuários. A expectativa é que, com a chegada do MED 2.0, o combate às fraudes se torne ainda mais eficaz, garantindo maior tranquilidade aos usuários do sistema.
O trabalho do Banco Central para devolver valores decorrentes de fraudes e falhas no Pix é um passo importante para a segurança financeira dos usuários. Com a evolução do MED, espera-se que o sistema continue a melhorar e oferecer maior proteção contra golpes, fortalecendo ainda mais a confiança no Pix.
Imagem: Brenda Rocha – Blossom / Shutterstock.com
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