O governo federal oferece um importante apoio aos pescadores artesanais por meio do benefício conhecido como seguro-defeso, pago durante os períodos em que a pesca é proibida temporariamente para proteger espécies em reprodução. Essa política pública cumpre dupla função: garantir a preservação ambiental e assegurar renda aos trabalhadores da pesca artesanal, que dependem exclusivamente da atividade para sobreviver.
Governo paga benefício a pescadores durante período de defeso
Entenda regras do seguro‑defeso de pescadores artesanal, benefício temporário pago durante o período de defeso, exigências e documentação.
Com os recursos do seguro, milhares de famílias conseguem manter a estabilidade financeira nos meses em que não podem pescar. Este artigo explica de forma completa como funciona o benefício, quem tem direito, quais os requisitos legais e como solicitar o seguro-defeso corretamente.
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O que é o seguro-defeso?
O seguro-defeso, tecnicamente chamado de seguro-desemprego do pescador artesanal, é um benefício pago mensalmente durante o período de proibição da pesca de determinadas espécies, também conhecido como período de defeso. A medida visa evitar a pesca predatória em épocas de reprodução dos peixes, contribuindo para a sustentabilidade dos ecossistemas aquáticos.
Durante esse intervalo, o pescador artesanal fica impedido legalmente de exercer a atividade, e, por isso, recebe um valor equivalente ao salário mínimo vigente por mês de defeso.
Quem tem direito ao benefício?
O benefício é direcionado exclusivamente a pescadores artesanais, ou seja, trabalhadores que atuam individualmente ou em regime de economia familiar, sem vínculo de emprego, utilizando técnicas tradicionais, embarcações pequenas e sem uso de equipamentos industriais.
Requisitos para recebimento
Para ter direito ao seguro-defeso, o pescador deve cumprir os seguintes requisitos:
- Estar registrado como pescador artesanal no Registro Geral da Atividade Pesqueira há pelo menos um ano;
- Exercer a pesca como atividade exclusiva ou principal fonte de renda;
- Ter efetuado contribuições ao INSS com base na atividade pesqueira antes do início do defeso;
- Não estar recebendo nenhum outro benefício previdenciário, exceto pensão por morte ou auxílio-acidente, desde que o valor total não ultrapasse um salário mínimo;
- Comprovar que está impedido de pescar durante o período regulamentado como defeso;
- Solicitar o benefício no prazo determinado (geralmente até 30 dias antes do início do defeso).
Valor e duração do benefício
O valor do seguro-defeso é equivalente ao salário mínimo vigente, que em 2025 está fixado em R$ 1.412,00. O benefício é pago mensalmente durante todo o período de defeso, que pode durar entre um e cinco meses, dependendo da espécie protegida e da região do país.
Como solicitar o seguro-defeso
O pedido do benefício pode ser feito por diferentes canais, e o processo é relativamente simples quando os documentos estão organizados.
Onde solicitar:
- Através do portal ou aplicativo oficial da Previdência Social (como o Meu INSS);
- Em agências do INSS com agendamento prévio;
- Com apoio de colônias, associações ou sindicatos de pescadores que auxiliam na intermediação do processo.
Documentos exigidos:
- Documento oficial de identificação com foto (RG, CNH ou CTPS);
- CPF;
- Comprovante de inscrição no registro de pescador artesanal (mínimo de 12 meses antes do defeso);
- Comprovantes de contribuição ao INSS na qualidade de segurado especial;
- Comprovantes de residência e de exercício da atividade pesqueira;
- Caso necessário, procuração e documento do procurador legal.
Como funciona o período de defeso
O defeso é uma medida de proteção ambiental aplicada pelo governo federal que define a proibição temporária da pesca de determinadas espécies, com base em estudos sobre seus ciclos reprodutivos. Cada espécie tem seu período de defeso específico, que varia de acordo com o local, tipo de peixe e condições ambientais.
O calendário oficial do defeso é divulgado anualmente, e os pescadores devem ficar atentos para não perder o prazo de solicitação do benefício.
Benefício não acumulável
O seguro-defeso não pode ser acumulado com outros benefícios previdenciários ou assistenciais, como aposentadoria, auxílio-doença, seguro-desemprego comum ou BPC. A única exceção permitida é o acúmulo com pensão por morte ou auxílio-acidente, desde que o valor total não ultrapasse um salário mínimo.
Dificuldades enfrentadas por pescadores

Apesar da importância do benefício, muitos pescadores relatam dificuldades para ter acesso ao seguro-defeso, principalmente por:
- Falta de informação clara sobre as regras e prazos;
- Dificuldades para comprovar atividade pesqueira com documentação formal;
- Burocracia excessiva nas plataformas digitais;
- Demora na liberação do pagamento;
- Inconsistências no cadastro de pescador artesanal.
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O papel das associações e colônias
As colônias e associações de pescadores desempenham um papel essencial no processo de acesso ao seguro-defeso. Elas ajudam os trabalhadores a:
- Organizar os documentos exigidos;
- Realizar o agendamento de atendimento no INSS;
- Fazer o pedido do benefício online ou presencialmente;
- Acompanhar o andamento da solicitação.
Essas entidades também atuam na defesa dos direitos da categoria e na fiscalização das condições de trabalho dos pescadores.
Importância socioambiental do seguro-defeso
O seguro-defeso é uma das principais políticas públicas de proteção ambiental e justiça social simultaneamente. Ele permite que pescadores respeitem o período de proibição da pesca sem sofrer perdas financeiras, contribuindo para a preservação dos recursos naturais e o equilíbrio ecológico dos rios e mares brasileiros.
Sem esse suporte financeiro, muitos pescadores seriam forçados a continuar pescando em períodos críticos, colocando em risco a reprodução de espécies e o futuro da própria atividade.
Alternativas e melhorias possíveis
Para ampliar o alcance e a eficiência do benefício, especialistas apontam algumas medidas:
- Facilitar o acesso à informação em comunidades ribeirinhas e costeiras;
- Digitalizar o processo com maior acessibilidade para populações tradicionais;
- Reduzir exigências documentais excessivas;
- Garantir parcerias entre o INSS, Ministério da Pesca e entidades representativas;
- Criar canais de atendimento especializados para pescadores artesanais.
Conclusão
O seguro-defeso é um mecanismo vital para a proteção ambiental e a segurança social de milhares de pescadores artesanais no Brasil. O benefício garante que trabalhadores possam cumprir o período de defeso sem comprometer sua renda e alimentação, promovendo o uso sustentável dos recursos naturais.
Apesar dos desafios burocráticos e operacionais enfrentados por quem depende desse auxílio, ele segue sendo uma das mais importantes políticas públicas de equilíbrio entre o homem e a natureza.
Para garantir o acesso, é fundamental que os pescadores mantenham seu registro atualizado, acompanhem os prazos de defeso e busquem apoio das colônias e entidades da categoria.
