A modernização dos aeroportos no mundo vive um ponto de virada. Com a evolução da tecnologia de identificação digital e o uso da biometria, aeroportos e companhias aéreas passam a ter a possibilidade de reduzir custos, agilizar o tempo de conexão entre voos e aumentar a capacidade de atendimento, sem investir em grandes obras estruturais. As conclusões fazem parte de um novo estudo divulgado pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata).
Fim das filas: biometria nos aeroportos pode reduzir custos e barreiras, diz Iata
Estudo da Iata aponta que aeroportos podem reduzir custos e agilizar conexões ao adotar biometria e identificação digital no fluxo de passageiros.
O levantamento realizado em parceria com a consultoria AtkinsRéalis analisou o Programa de Integração de Passageiros Domésticos e Internacionais (DIPIP). A grande novidade do modelo é a substituição das barreiras físicas entre áreas de embarque nacional e internacional por sistemas de identificação digital capazes de direcionar passageiros automaticamente.
O estudo aponta que aeroportos podem economizar até US$ 80 milhões em investimentos futuros, além de reduzir o tempo mínimo de conexão em até 20%. A adoção da biometria pode também diminuir a necessidade de duplicação de salas de embarque, escadas de acesso, equipes e sinalizações.
A Iata defende que o processo é inevitável e estratégico para a aviação global: menos custo operacional, mais eficiência e maior qualidade na experiência de viagem.
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O que o estudo da Iata revela
A Iata analisou diferentes aeroportos e cenários reais. O resultado demonstra que separar o fluxo de passageiros por meio de sistemas digitais, e não por estruturas físicas, traz ganhos imediatos.
A técnica usada é simples: a biometria funciona como uma “chave” que libera o acesso para as áreas corretas. Assim, passageiros de voos domésticos e internacionais podem circular em áreas compartilhadas, desde que suas identificações estejam previamente validadas no sistema.
Principais dados revelados pelo estudo
- Redução de até 20% no tempo de conexão entre voos.
- Economia de até US$ 5,3 milhões por ano para prestadores de serviços aeroportuários.
- Redução de 11% nos custos de pessoal para aeroportos.
- Economia potencial de US$ 80 milhões, evitando obras de expansão.
- Redução de 18 mil toneladas de CO₂ por ano em emissões.
Segundo o relatório, o modelo é vantajoso porque impede gastos com duplicação de áreas — algo comum quando há divisão rígida entre embarque nacional e internacional. Com a biometria, o próprio sistema define para onde o passageiro deve ir, reduzindo filas, deslocamentos internos e tempo de espera.
Como funciona na prática o embarque com biometria
A identificação biométrica pode ser feita por reconhecimento facial, leitura digital ou até mesmo análise de íris. No caso da aviação, o reconhecimento facial é o mais utilizado.
Processo de embarque com biometria
- O passageiro realiza a identificação digital no check-in ou antes de chegar ao aeroporto.
- No terminal, totens ou portais biométricos confirmam sua identidade.
- O sistema cruza automaticamente os dados com a companhia aérea e o destino do voo.
- Caso o passageiro esteja em conexão internacional, o sistema já o direciona ao fluxo adequado.
Na prática, o reconhecimento facial substitui a checagem manual de documentos de embarque.
Isso significa:
- Menos filas.
- Menor interação humana.
- Controle mais rápido e preciso.
A Iata afirma que, com o sistema, o passageiro pode realizar quase toda a jornada até o portão do avião sem apresentar documentos físicos.
Por que a biometria reduz custos operacionais
A duplicação de áreas é uma das maiores fontes de gasto dos aeroportos. Atualmente, muitos terminais precisam manter duas estruturas separadas: uma para embarque doméstico e outra para embarque internacional.
Com o uso da identificação digital:
- A mesma área pode receber passageiros de diferentes tipos de voo.
- O aeroporto precisa de menos espaço físico.
- Menos funcionários são necessários para monitorar acessos.
A economia se reflete também em menor gasto com ar-condicionado, limpeza e manutenção.
Segundo o estudo:
Um aeroporto médio, com 10 milhões de passageiros por ano, pode deixar de gastar até US$ 80 milhões em expansões estruturais.
Isso porque o uso de áreas compartilhadas adia ou elimina a necessidade de construir novos terminais.
Impactos ambientais e sustentabilidade
Além da economia financeira, a redução do consumo de energia e da necessidade de novas obras torna o modelo mais sustentável.
A Iata estima que:
- Um aeroporto pode economizar 18 mil toneladas de CO₂ por ano.
Esse número é comparado ao plantio de 300 mil árvores, o que mostra o impacto positivo da digitalização na redução das emissões da aviação.
A experiência do passageiro com a biometria
Para o passageiro, a vantagem é clara: a viagem fica mais fluida e a necessidade de apresentar documentos diminui. A biometria reduz o tempo gasto em conexões, já que o sistema identifica automaticamente quem segue para voos internacionais e quem permanece no fluxo doméstico.
Benefícios diretos ao passageiro
- Menos filas.
- Menos checagem manual de documentos.
- Acesso mais rápido aos portões de embarque.
- Menor risco de perder conexões.
A simplificação do trajeto interno torna os aeroportos mais eficientes e o tempo de permanência em filas cai visivelmente.
Roadmap do DIPIP: implementação etapa por etapa
O programa DIPIP, analisado no estudo, sugere um processo de implantação em três fases:
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Etapa 1: Reconhecimento biométrico integrado
Instalação de totens e portais de leitura facial.
Etapa 2: Áreas compartilhadas
Voos domésticos e internacionais passam a usar a mesma infraestrutura, separados apenas pela identificação digital.
Etapa 3: Aeroporto totalmente digital
Processos de identificação feitos antes mesmo do passageiro chegar ao aeroporto.
Segundo a Iata, aeroportos podem adotar o sistema sem mudanças nas leis atuais, desde que autoridades de imigração e segurança aprovem as integrações.
O que diz a Iata sobre o futuro dos aeroportos
Nick Careen, vice-presidente sênior de Operações, Segurança e Proteção da Iata, afirma:
“A modernização é inevitável. A integração digital mantém todos os requisitos de segurança e controle, ao mesmo tempo em que reduz custos e melhora a experiência do viajante.”
Careen reforça que a transformação não diminui a segurança. Pelo contrário: sistemas biométricos reduzem erros humanos e praticamente eliminam fraudes documentais.
Desafios para adoção da biometria em aeroportos
Embora a tecnologia esteja pronta, alguns fatores ainda precisam ser discutidos, como:
- compatibilidade entre sistemas de aeroportos e companhias aéreas;
- compartilhamento de dados com órgãos públicos de imigração;
- proteção de dados sensíveis dos passageiros.
A Iata afirma que todos os padrões de privacidade são seguidos e que nenhum dado é armazenado sem consentimento.
Conclusão
A biometria e a identificação digital representam uma mudança estrutural no setor de aviação. Ao permitir o compartilhamento de áreas de embarque e eliminar barreiras físicas, aeroportos reduzem custos, diminuem o impacto ambiental e melhoram a experiência de viagem.
Os números reforçam que o futuro da aviação é digital, simplificado e mais sustentável. A implementação pode ser gradual, mas o impacto é imediato, tanto para passageiros quanto para operadores aeroportuários.
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