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COP 30: biscoito de café da Amazônia é vitrine do mercado sustentável do Brasil

Embrapa e UnB criam biscoito de café com casca de Robusta Amazônico, unindo sabor, saúde e sustentabilidade para a agricultura familiar.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
Imagem da Floresta Amazônica e de um rio

O Brasil dá mais um passo importante na valorização de seus produtos regionais com a criação de um biscoito de café inovador, resultado de uma parceria entre a Embrapa Rondônia e a Universidade de Brasília (UnB). A receita, registrada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em 4 de setembro, utiliza 30% de farinha feita com a casca do café Robusta Amazônico, substituindo parte da farinha tradicional de trigo.

Mais do que um simples alimento, o biscoito representa uma confluência entre ciência, sabor e sustentabilidade. Com base em pesquisas aprofundadas, ele eleva um subproduto antes descartado a um ingrediente funcional, promovendo a economia circular e valorizando os produtores da região Norte.

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Do subproduto ao ingrediente nobre

A valorização da casca do café

Durante décadas, a casca do café no Brasil foi tratada como um resíduo, geralmente aproveitada como adubo. No entanto, estudos recentes mostraram que, especialmente nos cafés finos da variedade Coffea canephora (conilon ou robusta), essa casca possui riqueza nutricional, além de um perfil sensorial único.

O pesquisador Enrique Alves, da Embrapa Rondônia, ressalta que as cascas dos Robustas Amazônicos, com pontuações acima de 80 pontos segundo os critérios da Specialty Coffee Association (SCA), têm potencial nutritivo e aromático tão elevado quanto os grãos em si.

Pesquisa científica e tecnologia alimentar

Conduzido por equipes da Embrapa e da UnB, o projeto durou dois anos e testou diferentes formas de processamento das cascas — natural, lavado e fermentado. A engenheira de alimentos Lívia de Oliveira, da UnB, coordenou os testes que comprovaram o alto teor de compostos antioxidantes, como flavonoides e antocianinas, especialmente nas cascas submetidas à fermentação controlada.

O resultado foi um biscoito funcional, com redução de até 45% das gorduras saturadas, 25% menos açúcar adicionado, e um acréscimo de 15 g de fibras por 100 g de produto, atendendo às normas da RDC nº 429/2020 da Anvisa.

Robustas Amazônicos e o território da sustentabilidade

Indicação Geográfica e reconhecimento internacional

Os cafés utilizados na produção do biscoito fazem parte da Indicação Geográfica (IG) Matas de Rondônia, concedida pelo INPI em 2021. Trata-se da primeira IG do mundo para cafés do tipo Coffea canephora, resultado do trabalho de mais de 17 mil famílias da região, que há décadas aprimoram o cultivo de clones adaptados ao ambiente amazônico.

Esse avanço técnico permitiu um salto expressivo na produtividade: de 10 sacas por hectare para até 200 sacas em propriedades tecnificadas, de acordo com dados da Conab e do IBGE.

Agricultura familiar como protagonista

O biscoito de café não é apenas um produto alimentar, mas também uma ferramenta de valorização dos agricultores familiares, indígenas e comunidades tradicionais da Amazônia. Ao incorporar a casca — um elemento antes desprezado — como insumo principal, o projeto transforma a cadeia produtiva do café em um exemplo de economia circular com inclusão social.

Uma receita que une sabor, ciência e tradição

Perfil sensorial inovador

Os testes sensoriais com mais de 250 consumidores identificaram que a versão do biscoito produzida com cascas fermentadas por 8 dias apresentou o melhor desempenho. O equilíbrio entre doçura natural, acidez controlada e notas frutadas agradou ao paladar, garantindo aceitação acima da média.

Além disso, a adição de ingredientes como lecitina e polidextrose aprimorou textura e valor nutricional, sem comprometer o sabor.

Lançamento e reconhecimento

O biscoito foi apresentado oficialmente durante a Semana Internacional do Café, um dos maiores eventos do setor na América Latina. Mas sua estreia internacional está marcada para a COP30, em Belém (PA), em 2025. No espaço Cooking Show da Agrizone, será oferecida uma degustação do produto, em uma parceria entre Embrapa e o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).

Casca de café: do biscoito às novas fronteiras de pesquisa

Bebidas fermentadas e cosméticos

Empolgadas com os resultados, Embrapa e UnB já planejam novas aplicações para a casca de café até 2026. As linhas de pesquisa incluem:

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  • Bebidas fermentadas (como kombuchas à base de casca);
  • Infusões aromatizadas com propriedades funcionais;
  • Aplicações cosméticas, com foco em tratamentos contra alopecia, aproveitando compostos bioativos presentes na casca.

Inovação e sustentabilidade como estratégia nacional

Essa diversificação não apenas amplia a valorização do café, como também reforça o compromisso do Brasil com a transição agroecológica, a bioeconomia e a soberania alimentar.

O impacto da inovação para o Brasil e o mundo

Uma resposta à crise ambiental e alimentar

O aproveitamento integral do café, como proposto no biscoito da Embrapa e UnB, responde diretamente a dois grandes desafios contemporâneos:

  • Redução do desperdício de alimentos: com a reutilização da casca;
  • Criação de alimentos saudáveis e acessíveis: com alto valor nutricional.

Além disso, a iniciativa fortalece a imagem do Brasil como líder em inovação agroalimentar, demonstrando que soluções tecnológicas podem — e devem — estar a serviço da inclusão social, da proteção ambiental e da valorização dos saberes locais.

Fortalecimento do agronegócio sustentável

Produtos como esse biscoito de café fortalecem a estratégia nacional de promoção da agricultura regenerativa, da gastronomia funcional e da economia verde. Ao mesmo tempo, abrem portas para novos mercados internacionais, especialmente em países onde há crescente demanda por produtos sustentáveis e éticos.

Imagem: Panga Media / shutterstock.com

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Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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