A biometria facial já faz parte da rotina de bancos, fintechs e serviços digitais, mas uma nova tecnologia começa a ganhar espaço em situações que exigem autenticação presencial: a biometria da palma da mão.
Em vez de depender apenas da aparência do rosto, o sistema pode combinar características da mão, linhas da pele e estruturas vasculares localizadas abaixo da superfície. A proposta é criar uma identificação mais difícil de reproduzir artificialmente, especialmente diante do avanço de golpes que utilizam inteligência artificial para produzir imagens e vídeos falsos.
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Como funciona a biometria da palma da mão

A biometria palmar utiliza sensores capazes de captar diferentes características físicas da mão. Dependendo da tecnologia empregada, a análise pode considerar formato, tamanho, textura, linhas da pele e o desenho das veias.
A parte vascular é particularmente importante. Sensores ópticos ou infravermelhos conseguem identificar padrões presentes sob a pele. Como a circulação sanguínea interfere na maneira como determinados comprimentos de onda são absorvidos, as estruturas vasculares podem ser registradas pelo equipamento e utilizadas na autenticação.
Isso cria uma diferença importante em relação a uma fotografia convencional. Uma imagem da mão, por si só, não reproduz necessariamente todas as informações utilizadas pelo sistema para confirmar a identidade.
Segundo Marco Zanini, CEO da DINAMO Cyber Security Company, a combinação entre características físicas e informações vasculares também pode permitir mecanismos de prova de vida, acrescentando uma camada à autenticação presencial.
Por que a tecnologia está sendo considerada uma alternativa à biometria facial
A popularização dos deepfakes aumentou a preocupação com sistemas que dependem exclusivamente de características visíveis. Fotografias e vídeos de uma pessoa podem ser encontrados com relativa facilidade na internet e utilizados como matéria-prima para tentativas de fraude.
Isso não significa que a biometria facial tenha deixado de ser segura ou útil. Ela continua sendo uma tecnologia amplamente empregada, principalmente porque praticamente todo smartphone moderno possui câmera.
A questão é que diferentes métodos apresentam diferentes níveis de exposição. A palma da mão, combinada à leitura vascular, acrescenta informações que não ficam disponíveis simplesmente ao fotografar uma pessoa.
O setor, portanto, trabalha cada vez mais com a ideia de autenticação em camadas, na qual diferentes mecanismos podem ser utilizados conforme o valor ou o risco da operação.
Onde a biometria palmar pode ser utilizada

Os principais usos atualmente considerados envolvem ambientes presenciais com grande circulação de pessoas.
Pagamentos
Uma das propostas é vincular a identidade biométrica a um meio de pagamento. Nesse modelo, a pessoa poderia autenticar uma compra aproximando a mão de um leitor, sem necessariamente apresentar cartão ou celular.
A tecnologia também pode ser associada a contas ou instrumentos de pagamento, incluindo soluções baseadas em Pix, dependendo da infraestrutura adotada pelo estabelecimento e dos requisitos de segurança aplicáveis.
Transporte público
Estações e sistemas de transporte são outro campo de interesse porque exigem autenticação rápida e suportam grande volume de usuários.
No Brasil, um projeto-piloto realizado no metrô de Brasília em 2025 testou a tecnologia com cerca de 3 mil usuários que tinham direito à gratuidade.
Controle de acesso
Empresas, condomínios, eventos e instalações que precisam verificar a identidade das pessoas também podem utilizar leitores palmares.
Uma possível aplicação seria substituir cartões, crachás ou códigos por uma autenticação biométrica. Em ambientes de maior risco, porém, a palma poderia funcionar em conjunto com outro fator de identificação.
Tecnologia ainda enfrenta desafios
Apesar do potencial, a biometria da palma da mão não representa uma solução universal para segurança digital.
Um dos principais desafios está na implantação da infraestrutura. É necessário instalar leitores compatíveis, integrar os equipamentos aos sistemas existentes e estabelecer procedimentos para cadastro, autenticação e recuperação de acesso.
Também existe a questão da proteção dos dados biométricos. No Brasil, informações biométricas vinculadas a uma pessoa natural são consideradas dados pessoais sensíveis pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Isso exige cuidados específicos no tratamento, armazenamento, segurança e compartilhamento dessas informações.
Na prática, empresas que adotam esse tipo de solução precisam considerar não apenas a precisão do reconhecimento, mas também governança, segurança da informação, transparência e finalidade do tratamento dos dados.
Palma da mão vai substituir o cartão e o celular?
A possibilidade existe como conceito, mas não significa que cartões e smartphones desaparecerão no curto prazo.
A tendência apontada pelo setor é de coexistência entre diferentes métodos. Uma pessoa poderia utilizar o rosto em determinada situação, a palma da mão em outra e ainda contar com senha, dispositivo ou outro fator de autenticação quando o risco da operação exigir.
Essa estratégia é especialmente relevante porque nenhuma biometria é adequada para absolutamente todos os cenários. O método escolhido precisa considerar velocidade, conveniência, ambiente, custo, risco de fraude e proteção dos dados.
A biometria palmar, portanto, deve ser entendida menos como uma substituição imediata da biometria facial e mais como uma nova alternativa para ampliar as possibilidades de identificação presencial.
Imagem: Reprodução
