A escalada do conflito entre Israel e Irã atingiu não apenas a geopolítica mundial, mas também os mercados financeiros. O Bitcoin — principal criptomoeda do mundo — registrou queda expressiva em meio à intensificação dos combates.
Crise entre Israel e Irã derruba Bitcoin e ofusca aprovação de lei nos EUA
Conflito Israel-Irã pressiona Bitcoin, enquanto Senado dos EUA aprova lei sobre stablecoins. Entenda o cenário!
A retração reflete o movimento de investidores em busca de ativos mais seguros. Paralelamente, nos Estados Unidos, a aprovação do projeto Genius Act, que regula stablecoins, marca um passo importante para a institucionalização dos criptoativos, mas teve seu impacto ofuscado pela tensão global.
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Bitcoin recua com aumento da aversão ao risco

Nesta quarta-feira (19), o Bitcoin recuou 1,5% nas últimas 24 horas, sendo cotado a US$ 103.979, enquanto o Ether, moeda da rede Ethereum, teve desvalorização de 3,2%, sendo negociado a US$ 2.475. Os dados são do CoinGecko. Já em reais, a queda do Bitcoin foi de 1,2%, cotado a R$ 575.384, segundo o Cointrader Monitor.
A instabilidade dos mercados é alimentada pela crise geopolítica no Oriente Médio. A guerra entre Israel e Irã, que chega ao sexto dia de confrontos, elevou a aversão global ao risco. O CEO da Boost Research, André Franco, resume:
“O Bitcoin começou a sentir o impacto do clima de aversão ao risco, refletindo a saída de capital de ativos mais voláteis em meio à incerteza geopolítica e à expectativa em torno da decisão do Fed e do discurso do Jerome Powell.”
Altcoins também sofrem com instabilidade global
O cenário de tensão também pressionou outras criptomoedas. O XRP, da Ripple, caiu 4,4%, negociado a US$ 2,12. A Solana teve perdas de 4%, enquanto o BNB, token da Binance Smart Chain, recuou 2,6%. Com a volatilidade generalizada, o valor de mercado somado de todas as criptomoedas caiu para US$ 3,34 trilhões.
Stablecoins em pauta: Genius Act avança no Senado dos EUA
Mesmo em meio à turbulência, uma notícia positiva se destacou: a aprovação do projeto Genius Act no Senado dos Estados Unidos. A proposta visa regular as stablecoins, criptomoedas lastreadas em ativos estáveis, como o dólar. O texto ainda será avaliado pela Câmara dos Representantes e, se aprovado, seguirá para sanção presidencial.
Segundo Rocelo Lopes, CEO da SmartPay, essa é uma conquista histórica:
“Uma das maiores potências econômicas do mundo sinaliza de forma positiva para o setor. Isso demonstra que os criptoativos vieram para ficar.” (Fonte: Valor Econômico)
Mercado aguarda decisões do Federal Reserve
Além da geopolítica e da regulação, outro fator de peso no desempenho das criptos é a política monetária dos Estados Unidos. O mercado monitora atentamente a reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), que deve manter os juros na faixa entre 4,25% e 4,5% ao ano.
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Mais importante que a taxa em si é o discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, que poderá indicar cortes nos juros nas próximas reuniões. A expectativa de uma política monetária mais branda pode reaquecer o apetite por ativos de maior risco, como criptomoedas.
ETFs de criptoativos continuam atraindo capital
Mesmo diante da volatilidade, os ETFs de Bitcoin listados nas bolsas americanas seguem registrando entradas líquidas de capital. Na última sessão, os fundos movimentaram US$ 216,5 milhões em aportes, com destaque para o IBIT, da BlackRock, que captou US$ 639,2 milhões líquidos.
O interesse também se estendeu aos ETFs de Ether, que apresentaram fluxo positivo de US$ 11,1 milhões. O fundo ETHA, também da BlackRock, foi o principal destino, com entradas de US$ 36,7 milhões.
Conflito ou regulação: o que pesa mais no futuro do Bitcoin?

O contraste entre os dois eventos — o agravamento do conflito e o avanço do Genius Act — mostra a dupla natureza do mercado de criptomoedas. Por um lado, ele é sensível à volatilidade e incertezas globais. Por outro, ganha tração com passos concretos em direção à regulação e institucionalização.
Segundo André Franco, o impacto de curto prazo no Bitcoin é de “negativo a neutro”, com investidores migrando para ativos considerados mais seguros, como o dólar e os Treasuries americanos. Mas a aprovação de regulações como o Genius Act pode pavimentar o caminho para mais confiança institucional, maior adoção e, possivelmente, valorização no longo prazo.
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