O Bitcoin (BTC) tem sido objeto de intensas análises e debates no cenário financeiro global. Recentemente, a Fidelity Digital Assets destacou que a criptomoeda pode estar subvalorizada, sugerindo um potencial de valorização no médio prazo.
Bitcoin em foco: Subvalorização e perspectivas de alta com dados econômicos dos EUA
Análise aponta que o Bitcoin está subvalorizado, com potencial de alta impulsionado por dados econômicos dos EUA e entradas significativas em ETFs.
Essa perspectiva é reforçada por métricas específicas que analisam o comportamento da rede e por movimentos significativos no mercado de ETFs de Bitcoin, como o iShares Bitcoin Trust (IBIT) da BlackRock, que continuam a atrair bilhões de dólares.
Paralelamente, dados econômicos dos Estados Unidos, como o relatório JOLTS, indicam uma possível desaceleração no mercado de trabalho, aumentando as expectativas de cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve.
Esses fatores combinados criam um ambiente propício para ativos de risco, como o Bitcoin, ganharem tração. Com um cenário macroeconômico mais dovish, investidores voltam sua atenção para a maior criptomoeda do mundo como um possível hedge contra a inflação e instabilidades no mercado tradicional.
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A subvalorização do Bitcoin segundo a Fidelity
A Fidelity Digital Assets utiliza uma métrica própria chamada “Bitcoin Yardstick” para avaliar o valor relativo do Bitcoin com base na segurança da rede.
Essa métrica é calculada dividindo a capitalização de mercado do Bitcoin pela taxa de hash da rede, o que permite inferir se o ativo está caro ou barato em relação à energia computacional que o sustenta. Quando essa proporção está em patamares baixos, indica que o Bitcoin está subvalorizado.
Durante o primeiro trimestre de 2025, essa métrica permaneceu entre -1 e 3 desvios padrão, uma clara indicação de resfriamento após os níveis de superaquecimento registrados no quarto trimestre de 2024. O número de dias acima de dois desvios padrão caiu de 22 para 15, e nenhum dia ultrapassou a faixa de 3 desvios padrão, algo comum em momentos de pico eufórico.
Esses dados sugerem que o ativo está sendo negociado abaixo de seu valor justo em termos de segurança e uso energético.
Oferta ilíquida em ascensão
Outro dado relevante citado pela Fidelity é o aumento da oferta ilíquida de Bitcoin — ou seja, o percentual de moedas que estão em carteiras que não apresentam movimentação frequente. Essa proporção subiu de 61,50% para 63,49%, enquanto a oferta líquida, ou seja, a quantidade de Bitcoin disponível para negociação no mercado, caiu 4%.
Esse comportamento indica uma postura mais conservadora dos investidores, que estão preferindo manter seus ativos em hold ao invés de liquidá-los. Historicamente, aumentos na oferta ilíquida são precursores de fortes valorizações, pois reduzem a pressão vendedora e criam escassez de oferta.
Índice de choque de oferta ilíquida
O Índice de Choque de Oferta Ilíquida, que mede a relação entre a oferta disponível e a quantidade ilíquida, está atualmente 16% abaixo do pico de 2017 — ano em que o Bitcoin teve uma de suas maiores altas.
Embora ainda distante de máximas históricas, esse índice sinaliza que o mercado está se preparando para movimentos mais agressivos nos próximos meses.
ETFs de Bitcoin: IBIT lidera as entradas
Em 28 de abril de 2025, o ETF iShares Bitcoin Trust (IBIT), da gigante de investimentos BlackRock, registrou uma entrada líquida de US$ 970,9 milhões, a segunda maior desde seu lançamento em janeiro de 2024. Esse volume é significativo não apenas por seu valor absoluto, mas também por ter ocorrido em um momento de retração em outros ETFs concorrentes, como o FBTC da Fidelity e o ARKB da ARK Invest.
Desde 22 de abril, o IBIT acumulou mais de US$ 4,5 bilhões em aportes, consolidando sua liderança com mais de US$ 54 bilhões em ativos sob gestão (AUM).
O fundo agora detém 51% do mercado de ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos, um feito que demonstra o crescente apetite institucional pela criptomoeda e a confiança em produtos regulados como meio de exposição ao ativo digital.
O significado das entradas
Entradas massivas como essas são muitas vezes interpretadas como uma forma de validação institucional do ativo. A confiança em um produto como o IBIT da BlackRock sugere que investidores institucionais — incluindo fundos de pensão, hedge funds e family offices — estão buscando exposição ao Bitcoin de forma segura, com custódia profissional e conformidade regulatória.
Essas alocações têm o poder de gerar uma pressão compradora significativa, o que, combinado à escassez mencionada anteriormente, pode funcionar como catalisador para novas altas.
Além disso, a presença de players institucionais tende a reduzir a volatilidade no longo prazo, tornando o mercado mais atrativo para novos entrantes.
O efeito dos dados econômicos dos EUA no Bitcoin
O Resumo de Abertura de Empregos e Rotatividade de Mão de Obra (JOLTS) divulgado em abril mostrou que o número de vagas abertas nos EUA caiu para 7,19 milhões em março, abaixo da expectativa de 7,48 milhões e também dos 7,57 milhões de fevereiro.
Esse resultado é interpretado como um sinal de desaquecimento no mercado de trabalho, o que pode abrir espaço para cortes nas taxas de juros por parte do Federal Reserve.
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Taxas de juros mais baixas costumam favorecer ativos de risco, como ações e criptomoedas. Além disso, uma política monetária mais branda tende a enfraquecer o dólar, o que também beneficia ativos escassos e globais como o Bitcoin. O mercado já precifica a possibilidade de cortes a partir do terceiro trimestre, o que pode coincidir com um novo ciclo de valorização do BTC.
Análise de Alex Kruger
O economista e analista de Bitcoin Alex Kruger foi enfático ao afirmar que os dados do JOLTS representam uma vitória de curto prazo para o Bitcoin. Segundo ele, a criptomoeda está posicionada como um “híbrido entre risco e ouro”, ou seja, pode se beneficiar tanto de cenários inflacionários quanto de políticas monetárias expansionistas.
Kruger também alertou que, após a pausa tarifária de 90 dias implementada por Donald Trump — que termina em 8 de julho —, o mercado pode experimentar maior volatilidade, mas o Bitcoin tende a se sobressair frente a outros ativos.
Ele também destacou que, enquanto os investidores monitoram os resultados corporativos de gigantes como a Caterpillar e ações de tecnologia, a atenção maior estará voltada para a próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), onde Jerome Powell pode dar novos sinais sobre a trajetória dos juros.
Perspectiva para o terceiro trimestre de 2025

Embora os sinais atuais sejam positivos para o Bitcoin, Kruger alertou para uma possível desaceleração econômica no terceiro trimestre, o que pode tornar os mercados voláteis.
No entanto, essa instabilidade pode reforçar o papel do Bitcoin como reserva alternativa de valor, principalmente se os bancos centrais responderem com novos estímulos.
Bitcoin vs. Altcoins
Kruger também expressou ceticismo quanto ao desempenho das altcoins, classificando-as como sobrecompradas e vulneráveis a correções. Segundo ele, o risco-retorno único do Bitcoin o coloca em uma posição de destaque no cenário macroeconômico atual.
A dominância do BTC no mercado de criptomoedas pode aumentar ainda mais, à medida que os investidores institucionais evitam ativos com maior risco regulatório ou menor liquidez.
Conclusão: Oportunidade de ouro para o Bitcoin?

Os dados apontam para uma confluência de fatores que favorecem o Bitcoin: subvalorização técnica, aumento na retenção de longo prazo, influxos institucionais recordes via ETFs e um cenário macroeconômico em transição para uma política monetária mais branda. A médio prazo, essas variáveis indicam uma forte possibilidade de valorização da criptomoeda.
Com a aproximação da reunião do FOMC e o fim da pausa tarifária nos EUA, o mercado pode viver semanas decisivas para definir a trajetória do Bitcoin em 2025. Seja como ativo de risco, seja como proteção contra a inflação, o BTC se consolida cada vez mais como uma peça estratégica nas carteiras dos grandes investidores.
