A Bitcoin2You, uma das corretoras de criptomoedas mais antigas do Brasil, parece ter encerrado suas atividades de forma silenciosa e repentina, deixando milhares de clientes sem acesso aos seus saldos e completamente sem suporte.
Colapso da Bitcoin2You: Corretora de criptomoedas some do Brasil e deixa investidores à deriva
A corretora de criptomoedas Bitcoin2You desapareceu do mercado brasileiro, deixando clientes sem saques e sem suporte. Entenda o que está por trás do colapso.
O caso está gerando enorme preocupação no setor de criptoativos nacional, levantando questões sobre regulamentação, segurança e responsabilidade no mercado de exchanges.
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A origem do colapso: da boa reputação ao caos completo
Fundada pelos irmãos André Horta e Thiago Horta, a Bitcoin2You teve um início promissor e era frequentemente mencionada como uma das corretoras mais bem avaliadas do Brasil. Durante anos, operou com destaque e chegou a figurar entre as plataformas com maior reputação no Reclame Aqui.
Em 2022, a empresa ainda contava com avaliação positiva no site de reclamações, algo incomum em um mercado volátil e repleto de riscos como o das criptomoedas.
No entanto, o cenário mudou drasticamente a partir de 2023.
Encerramento voluntário na Receita Federal
A reviravolta começou a ser percebida quando o CNPJ 12.454.181/0001-05, registrado sob o nome VIVAR TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LTDA, foi baixado na Receita Federal no dia 29 de dezembro de 2022.
Segundo o documento oficial, a extinção da empresa se deu por meio de “encerramento por liquidação voluntária”, o que indica que os próprios sócios decidiram finalizar as operações — um processo que, legalmente, envolve a quitação de dívidas e o pagamento de credores.
No entanto, o que se vê na prática é uma multidão de clientes com valores travados e sem nenhum tipo de resposta.
Site no ar, suporte ausente e suspeitas de golpe

Site ativo sem função
Mesmo após a baixa oficial na Receita, o site da Bitcoin2You segue ativo. A reportagem apurou que, na quinta-feira (17/07), a página oficial ainda estava online, embora a opção de abertura de novas contas tenha sido desabilitada.
Isso sugere que a plataforma travou os cadastros, mas ainda pode estar sendo mantida no ar por outros motivos — possivelmente para conter o pânico ou por desorganização administrativa.
Domínio atualizado às vésperas do vencimento
Outro dado revelador é que o domínio do site da empresa estava prestes a expirar no dia 4 de julho de 2025, mas foi renovado no dia 3 de julho, o que demonstra que alguém ainda está ativamente mantendo o controle do endereço digital da corretora, mesmo com a empresa formalmente extinta e sem oferecer serviços funcionais.
O drama dos investidores: saques travados e desespero
O Reclame Aqui virou o principal canal para clientes buscarem respostas. Sem suporte via telefone, e-mail ou WhatsApp, os usuários recorrem às plataformas públicas para relatar sumiço de valores, silêncio da empresa e promessas não cumpridas.
Um investidor de São Paulo relatou no dia 14 de julho de 2025 que deixou parte de seus bitcoins sob custódia da plataforma, e que, desde então, não consegue mais acessar ou sacar seus fundos. Ele tentou contato por vários meios e afirmou:
“Eles se apropriaram do meu recurso financeiro.”
Respostas evasivas e promessas de solução
Em uma resposta publicada no Reclame Aqui no dia seguinte, a corretora admitiu que o atendimento está comprometido devido à alta demanda e que o e-mail oficial segue disponível. A mensagem orienta os clientes a não realizarem novos depósitos — o que por si só já indica um colapso operacional.
“Pedimos calma e paciência aos clientes”, diz a nota da corretora, que não esclarece os prazos nem a situação jurídica atual da empresa.
Justiça entra em cena: bloqueio de bens e pedidos de liminar
Liminar contra sócios da empresa
Em março de 2025, um cliente de longa data, que investe na plataforma desde 2011, teve que recorrer ao Judiciário para tentar recuperar seu capital. A Justiça acatou o pedido e emitiu uma liminar bloqueando os bens da empresa e dos sócios, incluindo o nome de André Horta, figura conhecida no mercado nacional.
Essa medida acende um alerta sobre o possível uso indevido de recursos de clientes, algo que se assemelha a casos de pirâmide ou má gestão intencional.
Histórico do fundador pesa negativamente
André Horta já teve forte presença no ecossistema cripto brasileiro, participando de eventos e até publicando um livro sobre Bitcoin. Sua reputação agora é colocada em xeque diante do silêncio absoluto em relação às denúncias, à fuga dos canais de contato e ao caos causado a centenas de investidores.
Situação fiscal e regulatória agrava o cenário
Corretora sem registro ativo, mas ainda operando digitalmente
A combinação de elementos — CNPJ extinto, domínios ativos, ausência de suporte, ausência de novos cadastros e site funcional — cria um ambiente jurídico extremamente delicado.
Por não ter registro ativo junto à Receita Federal, a corretora não está autorizada a operar no Brasil. Isso implica que qualquer movimentação de valores ou interações realizadas após o encerramento legal da empresa podem ser consideradas ilegais, agravando a situação dos responsáveis.
Segurança em xeque: o que o caso revela sobre as exchanges no Brasil?

O caso da Bitcoin2You expõe, mais uma vez, a necessidade urgente de uma regulamentação robusta para o mercado de criptomoedas no Brasil. Sem regras claras, empresas operam com pouca supervisão, colocando em risco o patrimônio de seus clientes.
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A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Banco Central têm trabalhado em projetos regulatórios, mas ainda existe um vácuo legal que permite a proliferação de plataformas sem responsabilidade institucional.
A ilusão de segurança
Muitos investidores acreditam que corretoras com anos de operação oferecem alguma segurança — o que o caso da B2U mostra é que tempo de mercado não significa garantia de continuidade ou integridade.
O que fazer se você for um dos prejudicados?
1. Reúna todas as provas possíveis
Junte capturas de tela, comprovantes de depósitos, extratos e e-mails. Toda documentação pode ser útil em uma futura ação judicial.
2. Registre boletim de ocorrência
Levar o caso à polícia pode ajudar a desencadear investigações criminais, principalmente se houver indícios de apropriação indébita ou estelionato.
3. Acione o PROCON e a CVM
Embora não haja garantia de ressarcimento, denúncias junto a órgãos de defesa do consumidor e agências reguladoras ajudam a criar uma pressão institucional sobre os responsáveis.
4. Considere entrar com ação judicial
Diversos clientes já buscam a Justiça para bloquear bens e tentar reaver valores. Um advogado especializado em direito digital e criptoativos pode orientar as melhores medidas.
O silêncio dos responsáveis e o risco de impunidade
A reportagem não conseguiu localizar os irmãos Horta ou qualquer responsável pela Bitcoin2You para comentar as denúncias. O espaço segue aberto para manifestações, mas o prolongamento do silêncio aumenta os temores de golpe e impunidade.
Impacto no mercado e desconfiança generalizada
Casos como esse minam a confiança dos brasileiros em corretoras nacionais, incentivando o uso de plataformas internacionais e promovendo um ambiente de insegurança jurídica. A ausência de fiscalização adequada e a demora em medidas legais tornam esse tipo de situação recorrente.
Conclusão: alerta vermelho para o mercado brasileiro

O desaparecimento da Bitcoin2You é um alerta duro para investidores e autoridades. A necessidade de regulamentação, fiscalização, educação financeira e canais seguros de operação nunca foi tão urgente.
O caso não apenas afetou diretamente clientes que viram suas economias sumirem, mas também fragilizou ainda mais a imagem do mercado cripto nacional. Investidores precisam redobrar o cuidado, e o Estado deve agir antes que o próximo colapso aconteça.
