Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Bolsas em alta hoje: projeções da XP para a economia animam o mercado

Bolsas e XP analisam o avanço do Ibovespa após o PIB fraco, a queda dos juros futuros e o cenário dos mercados globais neste pregão.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto8 min de leitura
XP bolsas

O mercado financeiro iniciou o último pregão com forte apetite por risco, impulsionado pela divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre abaixo do esperado. O dado, que apontou crescimento mais modesto da economia, foi interpretado como um sinal positivo para a política monetária, reforçando as expectativas de início do ciclo de corte de juros no Brasil nos próximos meses.

A reação dos investidores foi imediata, com valorização expressiva dos ativos de risco e fechamento da curva de juros. Esse movimento reforça a leitura de que o mercado passa a antecipar um ambiente de crédito mais favorável e menor custo de capital para empresas e consumidores.

Leia Mais:

Novo processo da CNH reduz custo em até 80%, veja quanto vai custar na sua cidade

Desempenho do Ibovespa no último pregão

O Ibovespa encerrou a quinta-feira com alta consistente de 1,7%, aos 164.456 pontos. O índice foi impulsionado principalmente por ações sensíveis ao comportamento dos juros, que tendem a se beneficiar de um cenário de afrouxamento monetário.

Entre os destaques positivos estiveram:

Ações que lideraram os ganhos

A Totvs (TOTS3) disparou 7,2%, refletindo a expectativa de melhora nas condições de financiamento para empresas de tecnologia. Na sequência, a Localiza (RENT3) avançou 5,0%, enquanto a Cury (CURY3) registrou alta de 4,2%, ambas favorecidas pelo fechamento das taxas futuras de juros.

Principais quedas do dia

Na ponta negativa, a C&A (CEAB3) teve queda expressiva de 9,0%. O movimento chamou atenção, especialmente por ocorrer em um dia de alívio nas taxas de juros, o que normalmente favorece empresas do setor de varejo.

Renda fixa: alívio nas taxas futuras de juros

O mercado de renda fixa acompanhou a leitura mais fraca do PIB e registrou queda das taxas ao longo da curva. A percepção de desaceleração da atividade econômica reforçou a precificação de cortes da taxa Selic ao longo de 2025.

O leilão de títulos prefixados realizado pelo Tesouro Nacional também contribuiu para o fechamento das taxas, já que a oferta foi considerada baixa, elevando a demanda pelos papéis.

Desempenho dos contratos DI

Os principais contratos futuros de juros fecharam com comportamento misto, mas com viés de queda nos prazos mais longos:

Curto prazo

O DI janeiro/26 encerrou em 14,9%, com leve alta de 0,1 ponto-base em relação ao pregão anterior.

Médio prazo

O DI janeiro/27 caiu para 13,55%, com recuo de 4,1 pontos-base. Já o DI janeiro/29 fechou em 12,65%, com queda de 4,9 pontos-base.

Longo prazo

O DI janeiro/31 encerrou em 12,88%, com recuo de 3,5 pontos-base, consolidando o movimento de fechamento da curva longa.

Movimentação das Treasuries nos Estados Unidos

Nos Estados Unidos, os pedidos iniciais de seguro-desemprego surpreenderam ao totalizar 191 mil, abaixo das 220 mil solicitações esperadas pelo mercado. Esse dado pressionou os rendimentos dos títulos do Tesouro americano.

Os yields dos papéis de dois anos encerraram em 3,52%, enquanto os títulos de dez anos fecharam em 4,09%, ambos com leve alta em relação ao pregão anterior.

Mercados globais: expectativa por dados de inflação

Os mercados internacionais operaram em clima de otimismo moderado, com investidores atentos à divulgação de indicadores de inflação que podem influenciar diretamente as próximas decisões do Federal Reserve.

Bolsas dos Estados Unidos

Os futuros dos índices americanos operaram em alta:

S&P 500 e Nasdaq

O S&P 500 subiu 0,2% nos contratos futuros, enquanto o Nasdaq 100 avançou 0,4%. O movimento foi sustentado pelo desempenho recente de grandes empresas de tecnologia.

Destaques corporativos

As ações da Meta registraram alta de 3,4%, enquanto a Nvidia subiu 2,1%, contribuindo para a sequência positiva do setor de tecnologia.

Mercado de trabalho nos EUA

O cenário permanece misto. De um lado, os pedidos de seguro-desemprego atingiram o menor nível desde setembro de 2022. De outro, os anúncios de cortes corporativos já ultrapassam 1 milhão no acumulado do ano.

Europa: avanço das bolsas e foco no Fed

As bolsas europeias iniciaram o dia em alta, com o índice Stoxx 600 avançando 0,3%. A expectativa de corte de juros pelo Federal Reserve tem sustentado o apetite ao risco também na região.

Fatores geopolíticos em destaque

Investidores monitoram as declarações recentes de Vladimir Putin sobre o conflito na Ucrânia, além das discussões internas da União Europeia sobre o uso de ativos russos.

Indicadores econômicos aguardados

A agenda europeia contempla a divulgação de:

PIB da União Europeia
Pedidos industriais na Alemanha
Vendas no varejo da Itália

Ásia: desempenho misto dos mercados

Os mercados asiáticos encerraram o pregão sem direção única, refletindo fatores internos e externos.

China: forte valorização

Na China, os índices fecharam em alta, com o CSI 300 subindo 0,8% e o HSI avançando 0,6%. O grande destaque foi a estreia da fabricante de chips gráficos Moore Threads, que teve valorização superior a 400% em Xangai.

Japão: pressão dos juros

O Nikkei 225 recuou 1,05%, pressionado pela alta dos rendimentos dos títulos públicos. O juro do JGB de 10 anos atingiu 1,94%, o maior nível desde 2007.

Índia: corte de juros impulsiona mercado

Na Índia, o principal índice subiu 0,2% após o banco central anunciar corte de 25 pontos-base na taxa de juros, citando fraqueza em indicadores econômicos apesar da desaceleração da inflação.

IFIX: fundos imobiliários em alta

O Índice de Fundos Imobiliários (IFIX) encerrou o pregão em alta de 0,24%, acompanhando o movimento de fechamento da curva de juros futuros. O desempenho foi positivo tanto para os fundos de tijolo quanto para os fundos de recebíveis.

Desempenho dos principais segmentos

Fundos de tijolo

Os fundos focados em imóveis físicos registraram alta média de 0,24%, impulsionados pela expectativa de juros mais baixos.

Fundos de recebíveis

Os fundos de papel, que investem em títulos ligados ao setor imobiliário, subiram em média 0,26%.

Maiores altas e quedas do dia

Entre as maiores altas estiveram:

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

DEVA11 com alta de 3,0%

VILG11 com alta de 2,4%

SNFF11 com alta de 2,1%

Entre as quedas, destacaram-se:

BCIA11 com recuo de 1,1%

JSRE11 com queda de 0,9%

WHGR11 com baixa de 0,8%

O IFIX acumula alta de 0,42% no mês e expressivos 17,96% no ano.

Economia brasileira: sinais claros de desaceleração

Os dados mais recentes do PIB mostram que a economia brasileira perdeu fôlego. No terceiro trimestre, o crescimento foi de apenas 0,1% em relação ao trimestre anterior, levemente abaixo das projeções de mercado, que apontavam expansão de 0,2%.

O dado contrasta com o avanço médio de 0,9% registrado nas duas leituras anteriores, confirmando uma desaceleração gradual da atividade econômica.

Consumo das famílias e demanda interna

A demanda doméstica apresentou crescimento moderado, com o consumo das famílias praticamente estável. Isso indica um ambiente de maior cautela por parte dos consumidores, especialmente diante do nível ainda elevado dos juros.

Revisões na série histórica do PIB

A divulgação dos dados trouxe revisões para cima em trimestres anteriores, especialmente no desempenho da agropecuária no primeiro semestre. Esse efeito elevou a projeção de crescimento do PIB para 2025.

Projeções atualizadas

A expectativa de crescimento para 2025 foi revisada para 2,3%, ante 2,1% anteriormente. Para 2026, a projeção foi mantida em 1,7%, refletindo a expectativa de mercado de trabalho ainda aquecido e manutenção de estímulos via crédito e renda.

Orçamento, estatais e cenário fiscal

O Congresso aprovou o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2026, trazendo mudanças relevantes para o cenário fiscal brasileiro.

Exclusões na meta fiscal

O texto aprovado permite a exclusão de até R$ 10 bilhões na meta fiscal das estatais federais, em meio às discussões sobre a situação financeira dos Correios.

Novo critério para contingenciamentos

O PLDO autoriza que o Poder Executivo utilize o piso da meta fiscal como referência para bloqueios e contingenciamentos, em vez do centro da meta.

Abertura de espaço fiscal

Para viabilizar um espaço fiscal de aproximadamente R$ 13 bilhões em 2026, em razão das mudanças na regra dos precatórios pela PEC 66, o governo estima arrecadar cerca de R$ 14 bilhões com a elevação do Imposto de Importação, ainda sem definição dos produtos que podem ser impactados.

Conclusão: juros, crescimento e oportunidades no radar

O cenário atual reforça a sensibilidade dos mercados a qualquer sinal de desaceleração da economia. A leitura de um PIB mais fraco, combinada com expectativas de corte de juros, tem favorecido ativos de risco, tanto no Brasil quanto no exterior. Ao mesmo tempo, o investidor segue atento aos desdobramentos da política monetária nos Estados Unidos e às incertezas fiscais no cenário doméstico.

A dinâmica entre crescimento econômico, inflação e juros continuará sendo o principal vetor dos mercados nas próximas semanas.

Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

Não perca nenhuma oportunidade de crédito e pagamento: acesse agora nossas últimas notícias no Seu Crédito Digital.

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

Topicos relacionados