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Bolsonaro na cadeia? STF conclui processo sobre golpe

O Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou, nesta terça-feira (25), o trânsito em julgado do processo que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro e diversos ali

Bruna MachadoPor Bruna Machado7 min de leitura
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O Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou, nesta terça-feira (25), o trânsito em julgado do processo que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro e diversos aliados por tentativa de golpe de Estado e atentado ao Estado democrático de Direito.

Com essa decisão, fica consolidado o entendimento de que não há mais possibilidade de recursos, abrindo-se caminho para que as penas sejam oficialmente executadas.

O avanço processual marca um ponto decisivo no conjunto de investigações e julgamentos conduzidos desde os ataques de 8 de janeiro de 2023 e das articulações golpistas identificadas pela Polícia Federal.

Agora, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, passa a ter competência direta para determinar, a qualquer momento, o início do cumprimento das penas em regime fechado.

A decisão envolve não apenas Bolsonaro, mas figuras-chave de seu governo e de sua estrutura de inteligência, o que reforça o caráter histórico e institucional do julgamento.

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STF confirma trânsito em julgado e encerra fase recursal

O que significa o trânsito em julgado no caso

O trânsito em julgado ocorre quando não há mais possibilidade de apresentação de recursos capazes de modificar o resultado do julgamento. Isso significa que a decisão torna-se definitiva, permitindo a expedição imediata das ordens de execução penal.

No caso de Bolsonaro e seus aliados, o Supremo certificou que o prazo para apresentação dos chamados “segundos embargos de declaração” se encerrou na segunda-feira (24), sem que os condenados protocolassem o recurso.

Quem teve o caso encerrado pelo STF

A decisão de encerramento imediato foi aplicada a três condenados que não apresentaram recursos dentro do prazo:

  • Jair Bolsonaro, ex-presidente da República
  • Alexandre Ramagem (PL-RJ), deputado federal e ex-diretor da Abin
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça

Esses três agora aguardam somente a formalização, por Moraes, da determinação do início da pena.

Penas fixadas pelo Supremo

Condenações definidas pela Primeira Turma do STF

O julgamento da Primeira Turma, concluído em setembro, definiu as seguintes penas:

Pena de Jair Bolsonaro

  • 27 anos e 3 meses de prisão
  • Regime inicial fechado
    A condenação aponta Bolsonaro como líder de uma organização criminosa voltada a impedir a posse do presidente Lula e subverter o Estado democrático de Direito.

Pena de Alexandre Ramagem

  • 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão
  • Regime inicial fechado
    Ramagem foi apontado como responsável por instrumentalizar a Abin em prol das articulações golpistas.

Pena de Anderson Torres

  • 24 anos de prisão
  • Regime inicial fechado
    Torres, como ex-ministro da Justiça, foi condenado por omissões e ações que favoreceram a tentativa de ruptura institucional.

Ainda é possível reverter a decisão? O papel dos embargos infringentes

Teoricamente possíveis, mas inaplicáveis ao caso

Do ponto de vista processual, existe a previsão dos chamados embargos infringentes, um recurso com maior capacidade de alterar condenações, podendo inclusive resultar em absolvição ou redução de pena.

Porém, a jurisprudência do STF determina que o recurso só é admitido quando há ao menos dois votos divergentes absolvendo o réu.

No julgamento realizado em setembro, nenhum dos ministros votou pela absolvição dos condenados. Assim, o Supremo concluiu que:

  • os embargos infringentes não cabem
  • o processo está definitivamente encerrado

Mesmo que as defesas tentem protocolar o recurso, ele será automaticamente rejeitado.

Prisão pode ocorrer antes mesmo de eventual tentativa de recurso

O STF também afirmou que, mesmo na hipótese de apresentação de embargos infringentes, a prisão não precisa aguardar o julgamento do pedido, já que o trânsito em julgado está confirmado.

Outros condenados no processo do golpe

Além de Bolsonaro, Ramagem e Anderson Torres, o julgamento envolveu um conjunto mais amplo de autoridades militares e civis.

Condenados que aguardam encerramento recursal

  • Almir Garnier, ex-comandante da Marinha
  • Augusto Heleno, ex-ministro do GSI
  • Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa
  • Walter Braga Netto, general e ex-ministro
  • Mauro Cid, ex-ajudante de ordens
  • Anderson Torres (já incluído no grupo do trânsito em julgado)
  • Alexandre Ramagem (idem)

Situação de Mauro Cid

Mauro Cid cumpre pena domiciliar de 2 anos, firmada após delação premiada. Ele já não está sujeito à decretação imediata de prisão em regime fechado como os demais.

Situação atual de Jair Bolsonaro: preso por outro processo

Por que Bolsonaro já está detido

Apesar de o trânsito em julgado só ter sido confirmado agora, Bolsonaro já está preso desde sábado (22), na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. No entanto, essa prisão está relacionada a outro processo.

A prisão preventiva foi decretada por Alexandre de Moraes após a Polícia Federal identificar:

  1. violação da tornozeleira eletrônica, que Bolsonaro utilizava durante o cumprimento de prisão domiciliar;
  2. risco de fuga, reforçado pela convocação de uma vigília religiosa na porta da casa do ex-presidente, organizada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O que diz a defesa

Os advogados do ex-presidente afirmam que:

  • Bolsonaro teria passado por “confusão mental e alucinações”
  • O episódio teria sido provocado por um conjunto de medicamentos
  • Não houve tentativa de fuga

A versão é contestada pela PF e pelo relator do processo.

STF mantém prisão preventiva de Bolsonaro

Nesta segunda-feira (24), a Primeira Turma do STF manteve a prisão preventiva por unanimidade.

Trechos do entendimento de Alexandre de Moraes

O ministro afirmou que Bolsonaro:

  • “violou dolosa e conscientemente” o monitoramento eletrônico
  • representava “risco concreto de evasão”
  • apresentava “conduta reiterada de desobediência a medidas judiciais”
  • estava próximo do trânsito em julgado, aumentando risco de fuga

Com isso, a Turma confirmou que não havia alternativa viável senão manter a prisão.

O que acontece agora?

1. Moraes vai determinar onde cada condenado cumprirá a pena

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A partir do trânsito em julgado, Alexandre de Moraes deve indicar:

  • o local de cumprimento
  • as condições iniciais
  • a expedição dos mandados de prisão (para quem ainda não está preso)

2. Execução da pena começa imediatamente após decisão

Não há mais espaço para suspensão das ordens, e todos os condenados em regime fechado devem ser encaminhados às unidades designadas.

3. Condenados ainda podem pedir progressão de regime no futuro

A progressão deverá seguir:

  • tempo mínimo de cumprimento
  • histórico de comportamento
  • regras gerais da Lei de Execução Penal

Para Bolsonaro, que recebeu pena de 27 anos, a progressão só poderá ser discutida a médio prazo.

Impactos políticos da decisão do STF

1. Bolsonaro fica inelegível por décadas

Com a soma das condenações e a execução definitiva, Bolsonaro:

  • permanece inelegível
  • aumenta sua exposição a novas ações penais
  • enfrenta risco de novas denúncias

2. Pressão sobre aliados aumenta

A confirmação da pena de Ramagem e Anderson Torres tem efeitos diretos:

  • pressiona a base aliada no Congresso
  • fortalece a narrativa da oposição
  • reduz a margem de resistência dentro do PL

3. Consolidação da posição do STF

O trânsito em julgado em um caso dessa magnitude reforça:

  • estabilidade institucional
  • autoridade do Supremo
  • entendimento consolidado sobre atos antidemocráticos

Por que o caso é considerado histórico

Uma condenação inédita de um ex-presidente por tentativa de golpe

É a primeira vez na história brasileira que:

  • um ex-presidente é condenado por tentar subverter o Estado democrático
  • militares de alta patente são responsabilizados por articulações golpistas
  • um processo dessa magnitude transita em julgado no STF

Marco para o futuro da democracia no Brasil

Juristas apontam que o caso:

  • cria precedente contra rupturas institucionais
  • reforça mecanismos de controle
  • consolida o papel das instituições em momentos de crise

Considerações finais

A confirmação do trânsito em julgado do processo do golpe representa um marco político e jurídico profundamente significativo para o Brasil. Ao encerrar definitivamente a fase recursal e autorizar a imediata execução das penas, o STF reafirma seu papel central na preservação do Estado democrático de Direito e sinaliza que tentativas de ruptura não serão toleradas.

Para Bolsonaro e seus aliados, a decisão coloca fim a uma etapa de disputas judiciais e inaugura uma nova fase, agora voltada ao cumprimento das penas. Para o país, marca um momento de afirmação institucional, que deverá influenciar debates políticos, jurídicos e democráticos pelos próximos anos.

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Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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