O Benefício de Prestação Continuada (BPC) é um direito garantido pela Constituição Federal e regulamentado pela Lei Orgânica da Assistência Social (Lei nº 8.742/93). Criado em 1993, ele assegura o pagamento de um salário mínimo mensal a idosos com mais de 65 anos e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade socioeconômica.
BPC: o que é, quem tem direito e como solicitar o benefício
Entenda o que é o BPC, quem tem direito ao benefício, como solicitar, e os motivos do impasse entre Congresso e Governo sobre os gastos.
Atualmente, o valor do benefício é de R$ 1.518 em 2025. O BPC é considerado um benefício assistencial e não exige contribuição prévia à Previdência Social, diferentemente das aposentadorias tradicionais.
A Bahia é um dos estados com maior número de beneficiários. Segundo dados recentes, mais de 599 mil pessoas recebem o benefício no estado, o que reforça sua importância como ferramenta de inclusão social e combate à pobreza.

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Diferença entre BPC e aposentadoria
Embora o BPC e a aposentadoria possam ter o mesmo valor, eles são benefícios distintos. A professora e advogada previdenciarista Anna Carla Fracalossi, conselheira da OAB-BA, destaca que o BPC não utiliza recursos do sistema previdenciário, sendo um benefício não contributivo.
Isso significa que, mesmo sem nunca ter contribuído ao INSS, o cidadão pode ter direito ao BPC se atender aos critérios legais. Além disso, o BPC não garante 13º salário, nem pensão por morte. Ou seja, ao contrário da aposentadoria, ele não deixa nenhum direito sucessório para familiares.
Requisitos para receber o BPC
Para ter direito ao BPC, é necessário cumprir os seguintes requisitos:
Para idosos
- Ter 65 anos ou mais;
- Comprovar que não possui meios de se sustentar e vive em família cuja renda per capita seja inferior a ¼ do salário mínimo (R$ 379,80 em 2025).
Para pessoas com deficiência
- Apresentar impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial;
- Comprovar que esse impedimento limita sua participação plena e efetiva na sociedade;
- A renda per capita da família também deve ser inferior a ¼ do salário mínimo.
A comprovação da deficiência exige avaliação médica e social por parte do INSS. A recente exigência da Classificação Internacional de Doenças (CID) busca trazer mais precisão aos laudos apresentados.
O que é considerado renda para o BPC
Para calcular a renda per capita familiar, somam-se os rendimentos brutos de todos os membros da família que vivem na mesma residência. No entanto, certos valores não entram nesse cálculo:
- Benefício de outro idoso ou deficiente da mesma família que já receba BPC;
- Bolsas de estágio supervisionado;
- Auxílios financeiros ou indenizações por desastres, como rompimento de barragens;
- Gastos comprovados com medicamentos, fraldas e tratamentos contínuos também podem ser considerados para demonstrar vulnerabilidade.
Como solicitar o BPC
O primeiro passo para solicitar o BPC é estar inscrito no Cadastro Único (CadÚnico), que é o banco de dados utilizado pelo Governo Federal para a concessão de benefícios sociais.
Passo a passo:
- Compareça ao CRAS do seu município para fazer ou atualizar o cadastro no CadÚnico com documentos de todos os moradores da casa;
- Faça o pedido do BPC no site ou aplicativo Meu INSS ou presencialmente em uma agência, com agendamento;
- Escolha entre “BPC para idoso” ou “BPC para pessoa com deficiência”;
- Envie os documentos exigidos, como CPF, RG, comprovante de residência e laudos médicos (no caso de deficiência);
- Aguarde o agendamento da perícia e da avaliação social, se for o caso.
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O andamento do pedido pode ser acompanhado pelo aplicativo Meu INSS. O tempo médio de resposta varia conforme a demanda da unidade responsável.
O impasse entre Governo e Congresso
O BPC se tornou foco de um embate entre o Governo Federal e o Congresso Nacional em 2025. A preocupação central é com o aumento constante do número de beneficiários e o impacto disso nas contas públicas.
Enquanto o Congresso pressiona por medidas que restrinjam o crescimento do gasto com o benefício, o Governo Federal tenta manter o acesso ao programa sem ampliar demais o orçamento. Essa disputa envolve possíveis alterações nos critérios de renda e na forma de avaliação da deficiência, além da implementação de mecanismos mais rigorosos de fiscalização.
Propostas em análise
Entre as propostas discutidas nos bastidores do Congresso estão:
- Redefinir o conceito de renda familiar per capita, incluindo novos tipos de rendimentos;
- Reavaliar periodicamente todos os beneficiários do BPC;
- Tornar mais rigorosa a perícia médica e social;
- Estabelecer tetos regionais para concessão, baseados em indicadores de pobreza e exclusão social.
No entanto, especialistas alertam que mudanças abruptas podem deixar desassistidas milhares de pessoas que dependem exclusivamente do benefício para sobreviver.
A importância do BPC na prática

Além de garantir dignidade a idosos e pessoas com deficiência, o BPC tem reflexo direto na economia de comunidades pobres. Em muitas cidades pequenas do interior da Bahia, por exemplo, o pagamento do BPC representa uma das principais fontes de renda da população local.
A advogada Anna Carla ressalta que restringir o acesso ao BPC sem oferecer alternativas reais de inserção social ou de políticas públicas de inclusão é um retrocesso. Segundo ela, o papel do Estado é assegurar uma rede mínima de proteção social, especialmente para os mais vulneráveis.
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