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Mercado de trabalho cria 58,6 mil vagas formais em julho, menor nível do ano

O Brasil criou 58.568 empregos com carteira assinada em julho de 2026, segundo os dados mais recentes do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, o Novo Caged. O resultado foi obtido a partir de 2.262.888 admissões e 2.204.320 desligamentos registrados no mês. Apesar de positivo, o saldo mostra uma perda de ritmo na abertura […]

Avatar de Jessica Cassana Jessica Cassana · · 10 min de leitura
JULHO TRABALHO

O Brasil criou 58.568 empregos com carteira assinada em julho de 2026, segundo os dados mais recentes do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, o Novo Caged.

O resultado foi obtido a partir de 2.262.888 admissões e 2.204.320 desligamentos registrados no mês.

Apesar de positivo, o saldo mostra uma perda de ritmo na abertura de vagas formais. Em junho, o resultado ajustado havia ficado em torno de 137 mil postos, o que significa uma desaceleração expressiva de um mês para o outro.

Ainda assim, o mercado de trabalho continuou criando mais vagas do que fechando. Com julho, o país chegou a 972.203 novos empregos formais acumulados entre janeiro e julho de 2026.

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

O saldo de 58.568 vagas representa a diferença entre trabalhadores admitidos e desligados durante julho.

Isso significa que o resultado positivo não indica que apenas 58 mil pessoas foram contratadas.

Na realidade, mais de 2,26 milhões de admissões ocorreram no período, mas também houve mais de 2,20 milhões de desligamentos.

É justamente essa diferença que forma o saldo líquido divulgado pelo Novo Caged.

O número de julho ficou abaixo do observado em junho e reforçou a percepção de desaceleração da geração de empregos formais no meio do ano.

Mesmo assim, não houve destruição líquida de postos no país.

Para que isso acontecesse, o número de desligamentos teria de superar o de admissões.

Serviços lideraram a criação de vagas

Quatro dos cinco grandes grupamentos econômicos terminaram julho no campo positivo.

O destaque foi o setor de Serviços, responsável pela criação líquida de 24.098 empregos formais.

Na sequência apareceram Construção, Agropecuária e Indústria.

Confira:

SetorSaldo em julho
Serviços+24.098
Construção+12.691
Agropecuária+12.523
Indústria+11.315
Comércio-2.056

Os dados mostram que a geração de postos não ficou concentrada exclusivamente em um segmento.

Por outro lado, Serviços responderam pela maior parcela do resultado positivo do mês.

Comércio foi o único grande setor a fechar vagas

O Comércio terminou julho com saldo negativo de 2.056 empregos formais.

Isso significa que, nesse setor, houve mais desligamentos do que admissões durante o período.

O resultado chama atenção porque o Comércio também é o único dos cinco grandes grupamentos que permanece negativo no acumulado do ano.

Entre janeiro e julho, o setor registrou perda líquida de 7.896 postos formais, segundo o Ministério do Trabalho.

A situação contrasta com os demais segmentos, que ainda mostram expansão no acumulado de 2026.

Serviços já abriram mais de 591 mil vagas no ano

Quando a análise considera os sete primeiros meses de 2026, Serviços aparecem com ampla vantagem.

O setor acumula 591.519 novos empregos formais, crescimento de 2,58% no período.

Dentro desse grupo, o maior destaque ficou com atividades de informação, comunicação e serviços financeiros, imobiliários, profissionais e administrativos, que somaram mais de 211 mil vagas.

A Construção aparece em segundo lugar no acumulado, com 180.449 novos postos, seguida pela Indústria, com 154.052.

A Agropecuária adicionou 54.106 empregos formais.

Esses resultados ajudam a explicar por que, mesmo com a fraqueza observada em julho, o acumulado do ano continua próximo de 1 milhão de novas vagas.

Brasil se aproxima de 1 milhão de novos empregos em 2026

Entre janeiro e julho, o saldo formal chegou a 972.203 empregos.

O avanço corresponde a um crescimento de 2,06% do estoque de vínculos formais no período.

Com isso, o Brasil terminou julho com 48.082.866 empregos com carteira assinada ativos.

Já no acumulado dos últimos 12 meses, entre agosto de 2025 e julho de 2026, o saldo ficou positivo em 880.717 postos, crescimento de 1,87%.

Portanto, o dado de julho mostra desaceleração, mas não altera o cenário positivo do acumulado do ano.

São Paulo liderou a criação de vagas

Em termos absolutos, São Paulo foi o estado que mais criou empregos formais em julho.

O saldo paulista chegou a 17.814 novos postos.

Mato Grosso apareceu na segunda posição, com 5.766 vagas, seguido por Minas Gerais, com 5.199.

Ao todo, 22 das 27 unidades da Federação tiveram resultado positivo no mês.

Isso mostra que a geração de vagas ficou relativamente disseminada pelo território nacional, embora alguns estados tenham apresentado desempenho negativo.

Amazonas teve maior crescimento proporcional

O ranking muda quando se leva em consideração o tamanho do mercado formal de cada estado.

Nesse recorte, o Amazonas apresentou o maior avanço relativo, de 0,63%.

Mato Grosso apareceu logo depois, com 0,59%, seguido pelo Piauí, com 0,52%.

Essa diferença entre volume absoluto e crescimento proporcional é importante.

São Paulo possui o maior mercado de trabalho formal do país e, por isso, costuma apresentar números absolutos elevados.

Estados menores podem criar menos vagas em quantidade, mas registrar crescimento percentual maior em relação ao próprio estoque.

São Paulo também lidera no acumulado de 2026

Entre janeiro e julho, São Paulo criou 267.107 empregos formais, o maior saldo entre todas as unidades da Federação.

Minas Gerais aparece em seguida, com 113.981, enquanto o Paraná acumulou 68.243 novos postos.

No crescimento proporcional do ano, o destaque foi o Amapá, com avanço de 4,79%.

Mato Grosso registrou 3,96%, e o Piauí, 3,74%.

Esses números reforçam que a dinâmica regional varia bastante dependendo do indicador utilizado.

Jovens concentraram saldo positivo de empregos

O recorte por idade também mostra diferenças relevantes.

Entre pessoas de até 24 anos, o saldo de julho foi positivo em 89.425 postos de trabalho.

Já para trabalhadores com mais de 25 anos, houve saldo negativo de 30.857 vagas.

Na prática, isso significa que a criação líquida de empregos esteve fortemente concentrada nos trabalhadores mais jovens.

Esse comportamento pode estar relacionado a vagas de entrada, aprendizagem, primeiro emprego e ocupações com maior rotatividade.

Homens tiveram saldo maior que mulheres

O mercado formal também terminou julho com saldo positivo para homens e mulheres.

Entre os homens, foram criados 38.085 empregos líquidos.

Para as mulheres, o saldo ficou em 20.483 postos.

Somados, os dois grupos resultam nos 58.568 empregos formais registrados no país.

O dado não mostra, isoladamente, diferenças de remuneração ou qualidade das ocupações, mas ajuda a identificar quais grupos concentraram a expansão do emprego naquele mês.

Ensino médio completo concentrou as novas vagas

O nível de escolaridade também teve peso importante.

O maior saldo positivo foi registrado entre pessoas com ensino médio completo, com 50.675 novos postos.

Quem possui ensino médio incompleto teve saldo positivo de 12.027.

Os demais níveis de instrução, quando somados, apresentaram resultado negativo de 4.134 empregos.

Isso indica que boa parte das vagas líquidas criadas em julho esteve concentrada em ocupações que absorvem trabalhadores com escolaridade de nível médio.

Salário médio de admissão subiu para R$ 2.419

Mesmo com a desaceleração na abertura de vagas, o salário médio real de contratação aumentou.

Em julho, o salário médio real de admissão chegou a R$ 2.419,23.

O valor representa uma alta de 0,6% em relação aos R$ 2.404,10 registrados em junho.

Na comparação com julho de 2025, houve crescimento real de 2,04%, equivalente a R$ 48,38.

A palavra “real” significa que a comparação considera o efeito da inflação.

Assim, o avanço indica melhora do poder de compra médio da remuneração inicial, e não apenas aumento nominal.

Empregos típicos tiveram salário maior

O Novo Caged também separa vínculos considerados típicos e não típicos.

Para os trabalhadores classificados como típicos, o salário médio real de admissão foi de R$ 2.456,27.

Já entre os vínculos não típicos, a média ficou em R$ 2.142,12.

A remuneração dos empregos típicos ficou cerca de 1,5% acima da média geral, enquanto os não típicos tiveram salário aproximadamente 11,5% menor.

95% do saldo veio de vínculos considerados típicos

Do saldo total criado em julho, 95,1% vieram de vínculos classificados como típicos.

Os postos não típicos representaram 4,9%.

Entre esses vínculos, o governo destacou os trabalhadores intermitentes, que tiveram saldo positivo de 4.344 vagas.

Também houve criação de 1.911 postos envolvendo pessoas físicas inscritas no Cadastro de Atividades Econômicas da Pessoa Física, o CAEPF.

O dado mostra que a maior parte da expansão líquida continuou concentrada nos contratos mais convencionais do mercado celetista.

O que significa o Caged para quem procura emprego?

O Novo Caged não mostra vagas abertas para candidatura naquele momento.

Ele é uma fotografia das movimentações formais já registradas pelas empresas.

Mesmo assim, os dados ajudam quem procura trabalho a identificar setores e regiões que estão contratando mais.

Em julho, por exemplo, Serviços, Construção, Agropecuária e Indústria terminaram com saldo positivo.

Isso não significa que qualquer profissional encontrará vaga imediatamente nesses setores, mas indica onde houve expansão líquida do emprego formal.

Também é útil observar os dados acumulados.

Serviços e Construção, por exemplo, mantêm saldos robustos ao longo de 2026, enquanto o Comércio segue em terreno negativo.

Saldo menor significa crise no mercado de trabalho?

Não necessariamente.

Um único mês de desaceleração não é suficiente para caracterizar uma crise.

O dado de julho mostra que a economia continuou criando empregos formais, apenas em ritmo menor.

Além disso, o acumulado do ano segue próximo de 1 milhão de novas vagas.

Para avaliar se há uma deterioração persistente, seria necessário observar os próximos meses e outros indicadores, como desemprego, rendimento, participação na força de trabalho e comportamento das contratações em diferentes setores.

Por enquanto, o Novo Caged mostra uma combinação de dois movimentos: o emprego formal ainda cresce, mas perdeu velocidade em julho.

Por que a criação de vagas pode oscilar tanto de um mês para outro?

julho mercado de trabalho
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O mercado de trabalho possui forte componente sazonal.

Agricultura, comércio, indústria, turismo e construção podem contratar ou desligar mais trabalhadores dependendo da época do ano.

Também pesam fatores como:

  • nível de atividade econômica;
  • juros;
  • consumo das famílias;
  • investimentos empresariais;
  • exportações;
  • safra agrícola;
  • calendário escolar e turístico;
  • expectativas das empresas.

Por isso, é comum que o saldo varie bastante entre meses consecutivos.

A leitura mais adequada costuma combinar o resultado mensal com o acumulado do ano e dos últimos 12 meses.

Comércio pode melhorar no fim do ano?

Historicamente, os últimos meses do ano costumam aumentar a demanda por trabalhadores no comércio e em serviços ligados ao consumo, principalmente pela Black Friday e pelo Natal.

Isso pode favorecer contratações temporárias e permanentes.

No entanto, o resultado de 2026 dependerá do comportamento da atividade econômica e do consumo das famílias.

O saldo negativo registrado pelo Comércio em julho não permite antecipar sozinho como será o fim do ano.

Os próximos dados do Caged serão importantes para verificar se o setor começa a recuperar vagas.

Mercado formal continua positivo apesar da desaceleração

O resultado de julho traz uma mensagem dupla para o trabalhador.

Por um lado, o Brasil continuou criando empregos formais, com 58.568 novas vagas líquidas e avanço em quatro dos cinco grandes setores da economia.

Por outro, o ritmo de expansão perdeu força em comparação com junho e com períodos anteriores.

Serviços sustentaram a maior parte do saldo, enquanto o Comércio encerrou o mês negativo.

Ao mesmo tempo, o salário médio real de admissão avançou para R$ 2.419,23, indicando melhora na remuneração de entrada.

No acumulado de janeiro a julho, o país já soma 972.203 novos empregos com carteira assinada, deixando o mercado formal muito próximo da marca de 1 milhão de vagas criadas em 2026.

Os próximos resultados do Novo Caged mostrarão se a perda de fôlego de julho foi pontual ou se representa uma desaceleração mais duradoura das contratações no segundo semestre.

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