A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, afirmou nesta terça-feira (5) que há uma expectativa concreta de que o governo dos Estados Unidos possa rever a aplicação da nova tarifa de 50% sobre alguns produtos brasileiros, em especial a carne e o café. A medida, anunciada pela administração de Donald Trump, gerou apreensão no setor agroexportador, mas o governo brasileiro ainda acredita em uma reversão, ou ao menos um adiamento.
EUA podem revisar tarifas elevadas sobre café e carne, afirma Simone Tebet
Brasil espera que os EUA recuem sobre tarifa de 50% à carne e café. Governo avalia impactos e aposta em solução diplomática e econômica.
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Produtos brasileiros seguem na lista de sobretaxa

Apesar de um decreto assinado por Trump que retirou cerca de 700 itens da lista de sobretaxas, dois produtos cruciais para o Brasil permaneceram: a carne e o café. Ambos têm forte relevância para a pauta de exportações brasileiras e são amplamente consumidos pelos americanos.
“A única coisa que ficou de fora nos Estados Unidos, que realmente é caro para o paladar deles, é a carne e o café. O resto eles se reposicionam”, declarou Tebet.
Segundo a ministra, a lógica econômica e até eleitoral pode fazer os EUA reconsiderarem a medida.
Impacto no consumidor americano pode influenciar decisão
Café da manhã e hambúrguer podem pesar no bolso
Simone Tebet foi enfática ao dizer que o impacto inflacionário interno, somado à pressão de setores empresariais e consumidores, pode forçar o governo norte-americano a recuar.
“Eles não querem inflacionar o café da manhã, o hambúrguer do final de semana”, afirmou a ministra, em tom crítico, ao destacar o valor simbólico e cotidiano desses itens para os americanos.
Pesquisas de opinião como termômetro político
A ministra sugeriu que uma pesquisa de opinião pública nos EUA pode levar à reavaliação da medida, o que indica que o governo brasileiro aposta na reação popular americana como aliada.
Estratégias para mitigar prejuízos
Possibilidade de redirecionamento de mercados
De acordo com Tebet, a indústria brasileira está preparada para se adaptar. O setor cafeeiro, por exemplo, pode buscar novos destinos, ainda que não imediatos. Já os frigoríficos, embora preparados para cortes específicos demandados pelos EUA, podem facilmente ajustar a produção para atender outros mercados.
“O boi é o mesmo. Então ele só faz o corte específico para outros países”, explicou Tebet.
Participação de bancos públicos
Tebet também destacou que, caso o tarifaço se confirme, o governo brasileiro está disposto a agir. Bancos públicos poderão ser acionados para mitigar os efeitos econômicos e apoiar o setor exportador.
“Vamos aguardar amanhã. Vai que a gente ganha antecipadamente um presente de Natal e há uma prorrogação de 90 dias na tarifa de 50%, ou uma redução para 30%.”
Alckmin reforça a análise otimista do governo
A avaliação de que os EUA podem recuar não é exclusiva de Tebet. O vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, também expressou confiança em uma possível reversão ou, ao menos, no adiamento da medida. Ele tem mantido diálogo próximo com empresários brasileiros e representantes do governo americano.
Lula acompanha de perto e avalia cenários

Orientação do Planalto é manter a cautela
Segundo informações divulgadas pela “Folha de São Paulo”, o presidente Lula está ciente dos desdobramentos e tem orientado seus ministros e governadores a manterem a cautela, evitando movimentos precipitados até que a real dimensão do impacto seja conhecida.
Medidas emergenciais em análise
Durante um almoço no Palácio do Itamaraty, após reunião do Conselhão da Presidência, Lula teria ressaltado que o Executivo está preparado para adotar todas as medidas cabíveis para proteger os setores afetados, inclusive buscando novos mercados e, eventualmente, comprando parte dos produtos retidos.
Setores mais afetados reavaliam estratégias
O impacto na cadeia produtiva da carne
O setor de carnes é um dos que mais pode sofrer com a nova tarifa. Grandes frigoríficos brasileiros, como JBS e Marfrig, têm contratos significativos com os Estados Unidos. Embora haja possibilidade de realocação de cortes para outros países, essa adaptação não ocorre sem custos ou impacto imediato na produção.
A vulnerabilidade do café diante de fatores climáticos
O cenário para o café é ainda mais delicado. O Vietnã, principal concorrente do Brasil no mercado mundial, enfrentou problemas de safra, o que poderia aumentar a dependência do produto brasileiro no mercado americano. A sobretaxa pode causar um desequilíbrio no fornecimento global, elevando preços e pressionando o consumidor dos EUA.
“Por interesse deles, a carne e o café têm muito mais desvantagem do que nós”, reforçou Tebet.
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EUA buscam equilíbrio entre política comercial e eleições
Pressão eleitoral pode frear medida
Com as eleições presidenciais se aproximando nos Estados Unidos, especialistas veem pouca lógica na manutenção da tarifa sobre produtos tão populares no cotidiano americano. O hambúrguer de final de semana e o café matinal são hábitos enraizados e qualquer aumento nos preços pode ser malvisto pelo eleitorado.
“Não há absolutamente lógica nenhuma, até eleitoral interna americana, se eles estiverem pensando também em reeleição”, avaliou Tebet.
Trump mantém postura protecionista
Apesar disso, o ex-presidente Donald Trump, em sua tentativa de retorno à Casa Branca, tem retomado uma postura mais protecionista. A nova rodada de tarifas, mesmo com exclusões, sinaliza um discurso de proteção da indústria nacional, alinhado à sua base mais conservadora.
Caminhos possíveis: diplomacia ou retaliação?
Diplomacia como prioridade
O governo Lula tem adotado o caminho diplomático como primeiro recurso. A ideia é manter canais abertos com Washington, mobilizar a comunidade internacional e reforçar o papel do Brasil como parceiro comercial confiável.
Retaliações: alternativa em estudo
Caso a via diplomática falhe, o país pode recorrer à OMC para contestar as tarifas, ou adotar retaliações específicas, como sobretaxar produtos americanos importados. No entanto, essa estratégia é vista como último recurso, para evitar um conflito comercial.
Expectativa é de decisão rápida

O prazo inicial para a entrada em vigor das tarifas é esta quarta-feira (6). A ministra Simone Tebet, porém, indicou que ainda há espaço para negociação e que surpresas positivas podem ocorrer a qualquer momento.
“A gente pode ter uma surpresa nos próximos dias.”
Conclusão
O impasse em torno do tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre carne e café brasileiros escancara os desafios das relações comerciais internacionais em um contexto de instabilidade política e econômica global. O governo brasileiro adota uma postura cautelosa, mas ativa, na tentativa de proteger seus setores produtivos e manter a competitividade no comércio exterior.
Com conversas diplomáticas em andamento e análise constante do cenário, a expectativa é que o bom senso prevaleça. Afinal, como lembrou Tebet, inflacionar o hambúrguer e o café da manhã do americano médio pode ser um tiro no pé — inclusive eleitoral.
