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Governo Lula estuda medidas emergenciais para conter aumento de importações chinesas

Em meio à guerra comercial entre EUA e China, o Brasil avalia medidas emergenciais para proteger sua indústria. Veja os riscos!

Vitória MonckesPor Vitória Monckes··5 min de leitura
Lula eua governo

Com o cenário de guerra comercial entre Estados Unidos e China se intensificando após o tarifaço implementado pelo presidente americano Donald Trump, o Brasil se vê diante de um novo desafio econômico.

Para proteger a indústria nacional de uma possível inundação de produtos chineses, a Câmara de Comércio Exterior (Camex), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), estuda alternativas de proteção comercial emergencial.

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Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Contexto: guerra comercial e impactos no Brasil

O chamado “Liberation Day” – o aumento massivo de tarifas promovido por Trump – criou uma situação de incerteza nos fluxos comerciais internacionais. Com barreiras impostas às exportações chinesas para os Estados Unidos, cresce a preocupação de que parte dos produtos manufaturados da China busque novos mercados, entre eles o Brasil.

A indústria brasileira, que já vinha acompanhando o aumento das importações chinesas nos últimos anos, vê a necessidade de ações rápidas para evitar o agravamento do déficit industrial e a perda de competitividade.

Quais medidas de proteção estão sendo estudadas?

Antidumping tradicional

O antidumping é o instrumento mais conhecido, utilizado para punir produtos importados que entram no mercado interno a preços inferiores aos praticados no país de origem. No entanto, o processo de apuração de dumping é longo e burocrático, o que limita sua eficácia em situações emergenciais.

Salvaguardas temporárias

Diante da urgência, a Camex avalia a adoção de salvaguardas temporárias. Estas medidas:

  • Têm duração inicial de até um ano;
  • Podem ser aplicadas a todos os países simultaneamente;
  • Não exigem comprovação de práticas desleais, apenas de aumento súbito de importações que causem dano à indústria nacional.

Uma versão simplificada das salvaguardas, com processos mais ágeis, está sendo considerada para conter rapidamente o fluxo excessivo de produtos.

Movimento já vinha se intensificando

O aumento das importações, especialmente de manufaturados chineses, não é um fenômeno novo. De acordo com Rene Medrado, sócio do escritório Pinheiro Neto e presidente do Instituto Brasileiro de Estudos de Concorrência, Consumo e Comércio Internacional (Ibrac), a indústria nacional já observava um crescimento preocupante nas importações nos últimos anos.

Dados do Departamento de Defesa Comercial (Decom), do Mdic, apontam que:

  • Em 2024, houve um salto de 140% nos pedidos de medidas de proteção em relação a 2023;
  • Foram 106 petições recebidas em 2024, a maioria solicitando investigação de práticas de dumping.

Em 2025, até o momento, já foram protocoladas 17 novas petições, com tendência de alta caso a guerra comercial se agrave.

Quais setores são mais afetados?

imposto de importação de ferro
Imagem: Dmitry Demidovich / Shutterstock.com

Segundo o Decom, os setores que concentram o maior número de investigações contra produtos chineses são:

  • Metais (11 casos);
  • Têxteis (5 casos);
  • Plásticos (4 casos);
  • Produtos químicos (4 casos).

Atualmente, existem 73 investigações em andamento, sendo 34 envolvendo diretamente produtos chineses. No total, 126 medidas de defesa comercial estão em vigor no Brasil, a maior parte contra a China.

Salto nas importações chinesas para o Brasil

Entre 2019 e 2024, as importações brasileiras de produtos da indústria de transformação chinesa cresceram 78%. Esse aumento se intensificou:

  • Em 2024, alta de 29% nas importações em relação ao ano anterior;
  • No primeiro trimestre de 2025, crescimento de 36% em comparação com o mesmo período de 2024.

O economista Livio Ribeiro, sócio da BRCG Consultoria e pesquisador da FGV, destaca que houve uma “forte aceleração” nos embarques chineses a partir de dezembro do ano passado, provavelmente como uma antecipação às medidas tarifárias anunciadas por Trump.

O que esperar dos próximos meses?

Possível redirecionamento de produtos

Segundo Ribeiro, com a imposição de barreiras nos Estados Unidos, é provável que o excedente de produção chinesa busque novos destinos, incluindo o Brasil. No curto prazo, seria difícil para o mercado interno chinês absorver todo o volume.

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Crescimento limitado da absorção brasileira

Já José Augusto de Castro, presidente da Associação do Comércio Exterior do Brasil (AEB), acredita que, embora o fluxo de importações chinesas continue, o Brasil não deverá absorver tantos produtos quanto poderia, devido a:

  • Crescimento econômico mais fraco previsto para o Brasil em 2025;
  • Aproximação política e econômica da China com o Brasil, o que pode evitar práticas comerciais agressivas.

Castro ressalta que a China precisa de parceiros estratégicos em meio à tensão comercial com os EUA, e isso pode moderar o volume exportado diretamente para o mercado brasileiro.

Desafios para o Brasil

O Brasil enfrenta um dilema:

  • Proteger a indústria nacional para preservar empregos e competitividade;
  • Evitar medidas protecionistas excessivas que possam gerar retaliações comerciais ou aumento de preços para os consumidores.

O equilíbrio entre essas duas necessidades será fundamental para garantir a sustentabilidade do comércio exterior brasileiro nos próximos anos.

Como funcionam salvaguardas e medidas emergenciais?

Imagem: Maxx-Studio / Shutterstock.com

Salvaguardas tradicionais

  • Aplicadas em casos de aumento repentino de importações que causem dano grave a um setor;
  • Dependem de investigação prévia e aprovação da Organização Mundial do Comércio (OMC);
  • Têm prazo de validade definido.

Salvaguardas simplificadas

  • Possibilidade em estudo pela Camex para acelerar o processo;
  • Evitam a burocracia típica dos casos antidumping;
  • Medidas provisórias podem ser aplicadas rapidamente enquanto a análise definitiva é concluída.

Esses mecanismos visam dar resposta rápida às mudanças abruptas no comércio internacional.

Imagem: Marcelo Camargo / Agência Brasil

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