O Brasil ocupa a quarta posição entre os países com maior percentual de jovens de 18 a 24 anos que não estudam nem trabalham. Em 2024, 24% dessa população encontra-se nesta situação, segundo o relatório Education at a Glance 2025, divulgado nesta terça-feira (9.set.2025) pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).
Brasil entre os piores: 4ª maior taxa de jovens fora da escola e do mercado
Em 2024, 24% dos jovens brasileiros de 18 a 24 anos não estudam nem trabalham, segundo relatório Education at a Glance 2025 da OCDE.
Este índice brasileiro é quase o dobro da média de 14% registrada entre os países-membros da organização, evidenciando desafios estruturais no acesso à educação e à inserção no mercado de trabalho.
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Contexto global e regional

Entre os países analisados, apenas Colômbia (27%), Costa Rica (26%) e Itália (25%) apresentam percentuais superiores ao brasileiro. A OCDE aponta que, globalmente, a tendência de jovens fora da escola e do trabalho tem impactos diretos sobre a economia, produtividade e inclusão social.
A discrepância brasileira em relação à média dos países-membros reflete deficiências no sistema educacional, dificuldade de acesso a empregos formais e a necessidade de políticas públicas mais efetivas.
Fatores que influenciam o elevado percentual
Desigualdade regional
A distribuição desigual de oportunidades de estudo e trabalho entre regiões do Brasil contribui significativamente para o índice elevado. Estados com menor desenvolvimento econômico apresentam maior concentração de jovens fora da educação e do emprego.
Baixo acesso à educação técnica e profissionalizante
A falta de programas de formação técnica e profissional de qualidade limita a entrada dos jovens no mercado de trabalho. A OCDE destaca que políticas de educação técnica integrada ao ensino médio são essenciais para reduzir essa lacuna.
Impactos da informalidade no mercado de trabalho
O mercado informal brasileiro dificulta a criação de vínculos empregatícios estáveis. Muitos jovens acabam realizando trabalhos temporários ou informais, que não contabilizam na estatística de emprego formal, mantendo-os na condição de “nem-nem”.
Consequências sociais e econômicas
O elevado número de jovens fora da escola e do trabalho tem efeitos diretos na desigualdade social, aumento da vulnerabilidade econômica e na produtividade nacional. Jovens sem qualificação enfrentam maiores dificuldades para ascender social e profissionalmente, perpetuando ciclos de pobreza.
Políticas públicas recomendadas

Ampliação de programas de educação e treinamento
Investir em educação técnica, cursos de capacitação e programas de estágio pode facilitar a transição da escola para o trabalho, reduzindo o índice de jovens “nem-nem”.
Incentivos à contratação de jovens
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Programas de incentivo fiscal para empresas que contratem jovens sem experiência podem gerar oportunidades de primeiro emprego, fundamental para integração no mercado formal.
Fortalecimento de políticas regionais
A criação de políticas específicas para estados e municípios com maior concentração de jovens fora do estudo e do trabalho é crucial para reduzir desigualdades regionais.
Comparativo com outros países da OCDE
O relatório indica que, em países como Alemanha, Japão e Coreia do Sul, menos de 10% dos jovens estão fora da escola e do trabalho. Esses países investem pesadamente em educação técnica, políticas de emprego jovem e programas de acompanhamento escolar, servindo de modelo para possíveis iniciativas no Brasil.
Perspectivas futuras

Se não houver intervenções rápidas e eficazes, a tendência é que o Brasil mantenha índices elevados de jovens fora da educação e do trabalho, impactando negativamente o crescimento econômico e a inclusão social nas próximas décadas.
O relatório Education at a Glance 2025 reforça que a educação de qualidade e a inserção precoce no mercado de trabalho são fundamentais para reduzir a desigualdade e preparar os jovens para os desafios do século XXI.
Conclusão
O dado de que 24% dos jovens brasileiros de 18 a 24 anos não estudam nem trabalham reforça a urgência de políticas públicas voltadas à educação e à inclusão no mercado de trabalho. A posição do Brasil no ranking da OCDE evidencia que o desafio vai além de números: trata-se de garantir oportunidades reais para que a juventude possa contribuir com o desenvolvimento social e econômico do país.
