Apesar de mais da metade da população brasileira desconhecer o conceito de justiça tributária proposto pelo Governo Federal, a maioria dos cidadãos apoia medidas de taxar os mais ricos, como solução que alivie a carga sobre os mais pobres.
Brasileiros defendem taxar os mais ricos para beneficiar os mais pobres
Maioria quer taxar os ricos e aliviar os impostos dos mais pobres, mesmo sem conhecer proposta de justiça tributária do Governo Federal.
Essa é uma das principais conclusões da pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (16), que ouviu 2.004 pessoas em todas as regiões do país.
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De acordo com o levantamento, 63% dos entrevistados são a favor de que os mais ricos paguem mais impostos, desde que isso represente uma redução proporcional na carga tributária da população de baixa renda. A proposta reflete uma preocupação crescente da sociedade com a desigualdade fiscal no Brasil, onde os tributos indiretos, como os que incidem sobre consumo, pesam mais sobre os pobres do que sobre os ricos.
A pesquisa indica ainda que 75% dos brasileiros defendem a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, uma pauta atualmente em discussão no Congresso Nacional. Além disso, 60% dos entrevistados apoiam explicitamente a taxação dos chamados “super-ricos”, aqueles que acumulam fortunas e rendimentos muito acima da média nacional.
Discurso de classe divide opiniões
Se por um lado há consenso em torno da necessidade de equilibrar a balança fiscal entre ricos e pobres, por outro o discurso político que coloca uma classe contra a outra ainda encontra resistência. Segundo a Genial/Quaest, 53% dos brasileiros desaprovam a retórica de oposição entre ricos e pobres, argumentando que esse tipo de posicionamento acirra ainda mais a divisão social no país.
Já 38% dos entrevistados enxergam esse discurso como necessário, pois “chama a atenção para os privilégios de alguns”. A polarização ideológica em torno da justiça social continua sendo um desafio para a formulação de políticas públicas que contemplem tanto o equilíbrio fiscal quanto o apelo popular.
Governo ainda não convence maioria com sua agenda
Mesmo com propostas em curso no Congresso para alterar o sistema tributário, 59% dos brasileiros afirmam não se sentirem representados pela agenda atual do Governo Federal, enquanto apenas 34% dizem se identificar com as propostas. Esse dado pode indicar uma falha na comunicação entre o Planalto e a população ou a percepção de que as ações até aqui não foram efetivas.
A reforma tributária, considerada uma das mais importantes pautas estruturantes do país, ainda enfrenta resistência em setores influentes do mercado e da política, embora tenha amplo apoio popular quando debatida de forma clara e objetiva.
Bolhas digitais contrastam com a realidade
Outro ponto levantado pela pesquisa da Genial/Quaest é a discrepância entre o que circula nas redes sociais e o que realmente chega ao conhecimento da população. Os vídeos produzidos com inteligência artificial para atacar o Congresso, por exemplo, são desconhecidos por 83% dos entrevistados. Além disso, 72% afirmam não ter visto nenhuma crítica ao deputado Hugo Motta, presidente da Comissão Mista de Orçamento.
Esse dado sugere que, embora determinados temas pareçam gerar grande repercussão online, seu impacto real na opinião pública ainda é limitado, refletindo a existência de bolhas digitais que não representam o pensamento da maioria.
Implicações para a reforma tributária

A pesquisa chega em um momento crucial, em que o Governo Federal busca aprovar a segunda fase da reforma tributária, voltada para a tributação sobre a renda e o patrimônio. A primeira etapa, centrada nos impostos sobre o consumo, já foi aprovada pelo Congresso, mas ainda precisa ser regulamentada.
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Especialistas apontam que há espaço político para avançar com a proposta de taxação dos super-ricos, principalmente diante do apoio popular revelado pelo levantamento. No entanto, a falta de conhecimento sobre os detalhes da reforma e a baixa identificação com a agenda do governo podem representar obstáculos importantes.
O que está em discussão no Congresso
- Ampliação da faixa de isenção do IRPF, que atualmente começa em R$ 2.112, mas que o governo pretende elevar para R$ 5 mil.
- Criação de imposto sobre grandes fortunas, ainda sem consenso entre parlamentares.
- Tributação de fundos exclusivos e offshore, já encaminhada por meio de Medida Provisória.
- Redução da tributação sobre a folha de pagamento, principalmente para pequenas e médias empresas.
Considerações finais
Os dados da Genial/Quaest reforçam uma tendência já observada em outras pesquisas: o brasileiro médio deseja mais equidade fiscal, ainda que nem sempre entenda os termos técnicos das propostas em curso. A ideia de que os ricos devem contribuir mais para o equilíbrio das contas públicas é bem recebida, principalmente quando vinculada à promessa de alívio para os mais pobres.
No entanto, a comunicação governamental precisa ser mais eficiente para traduzir as metas de justiça tributária em ações concretas que cheguem até a base da população. Sem isso, cresce o risco de que pautas progressistas sejam percebidas como distantes ou ideológicas demais para surtir efeito prático.
Com uma margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, a pesquisa Genial/Quaest oferece um retrato relevante do momento político e fiscal do país. Os próximos meses serão decisivos para saber se o Congresso conseguirá transformar esse apoio popular em mudanças estruturais no sistema tributário brasileiro.
Imagem: Ricardo Stuckert / PR
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