A criação da chamada “taxa das blusinhas” tem transformado o comportamento de consumo dos brasileiros. Desde sua implementação, a compra de produtos em sites internacionais, especialmente os chineses, caiu de forma expressiva.
“Taxa das blusinhas” muda o jogo: brasileiros reduzem compras de sites chineses
A “taxa das blusinhas” tem mudado o comportamento de compra dos brasileiros. Entenda como o novo imposto reduziu importações.
Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Nexus, a quantidade de consumidores que desistiram de importar subiu de 13% em 2024 para 38% em 2025 — uma alta significativa que revela os efeitos da nova taxação.
O que é a “taxa das blusinhas”?

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A expressão popular “taxa das blusinhas” surgiu com a cobrança de um imposto federal sobre produtos importados de baixo valor, especialmente roupas e acessórios comprados em plataformas como Shein, Temu, Shopee e AliExpress.
Desde 2024, o governo federal passou a cobrar 20% de imposto sobre todas as encomendas internacionais abaixo de US$ 50. Para produtos acima desse valor, a alíquota sobe para 60%. Além disso, há o ICMS estadual, que pode variar de 17% a 25%, dependendo da localidade.
Como a taxação afeta o bolso do consumidor
| Tipo de compra | Valor declarado | Taxa federal | ICMS médio | Total estimado de impostos |
|---|---|---|---|---|
| Encomenda até US$ 50 | US$ 49 | 20% | 18% | 38% |
| Encomenda entre US$ 50 e US$ 100 | US$ 80 | 60% | 20% | 80% |
| Encomenda acima de US$ 100 | US$ 150 | 60% | 22% | 82% |
Os dados mostram que o preço final de um produto importado pode dobrar após a aplicação das taxas, tornando a compra menos atrativa em comparação com produtos vendidos nacionalmente.
Quem mais desistiu de importar
O levantamento da CNI revela mudanças expressivas em diferentes perfis de consumidores:
- 51% dos brasileiros com ensino superior deixaram de comprar no exterior;
- 46% dos jovens entre 16 e 40 anos abandonaram planos de importação;
- 45% dos consumidores com renda acima de 5 salários mínimos também desistiram.
Esses números evidenciam que a taxa não afeta apenas o público de baixa renda. Mesmo consumidores com maior poder aquisitivo têm reconsiderado o custo-benefício das compras internacionais.
O peso do ICMS na decisão de compra
Além da taxação federal, o ICMS estadual passou a ser um dos principais vilões para o consumidor. A pesquisa mostra que 36% dos entrevistados deixaram de importar devido a esse imposto adicional, um aumento de 4 pontos percentuais em relação ao ano anterior.
O acúmulo de tributos — federal e estadual — tem feito com que muitos consumidores migrem para o comércio interno, preferindo lojas com entregas rápidas e sem surpresas fiscais.
Mercado nacional se beneficia da mudança
Curiosamente, o impacto negativo nas importações tem gerado efeitos positivos na economia interna.
De acordo com o mesmo levantamento:
- O número de brasileiros que preferem produtos com entrega nacional subiu de 22% para 32%;
- As lojas físicas também apresentaram leve crescimento, de 13% para 14%;
- A desistência total de compra caiu de 58% para 42%, mostrando que o consumidor busca alternativas internas em vez de simplesmente abrir mão da compra.
Esse redirecionamento beneficia o varejo brasileiro, especialmente pequenas e médias empresas que atuam no e-commerce nacional.
O impacto nos Correios e nas plataformas internacionais
Os Correios também têm sentido o reflexo da queda nas importações. Com o volume reduzido de pacotes internacionais, a estatal registra queda de receita e sobrecarga logística em processos de fiscalização e liberação de encomendas.
Enquanto isso, plataformas como Shein, Shopee e AliExpress tentam se adaptar. Algumas empresas têm reforçado o programa Remessa Conforme, criado para agilizar a liberação de pacotes de empresas regularizadas junto à Receita Federal, mas ainda enfrentam barreiras tributárias estaduais.
O que é o programa Remessa Conforme
O Remessa Conforme é uma iniciativa do governo brasileiro voltada a formalizar e controlar as importações de pequeno valor.
Empresas cadastradas no programa garantem maior transparência e rapidez na entrega, além de permitir a arrecadação imediata dos tributos devidos.
Entretanto, para o consumidor, o programa não representa isenção: ele apenas facilita o pagamento da taxa de 20% já prevista. Na prática, o valor final ainda fica mais alto do que antes da taxação.
Debate político no Congresso

A questão segue em pauta no Congresso Nacional. Há projetos de lei em tramitação que tentam revogar a taxação ou aumentar o limite de isenção para encomendas internacionais.
Entretanto, o governo federal sinaliza que não pretende alterar a regra no curto prazo. O argumento é que a arrecadação gerada é essencial para equilibrar as contas públicas e proteger o comércio interno.
Enquanto isso, consumidores seguem divididos entre pagar mais caro por produtos importados ou redirecionar suas compras para o mercado nacional.
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FAQ – Perguntas frequentes
O que é a “taxa das blusinhas”?
É o apelido popular dado à cobrança de 20% de imposto federal sobre compras internacionais de até US$ 50, implementada pelo governo brasileiro.
Todos os produtos internacionais são taxados?
Sim. Desde a nova regulamentação, todas as compras internacionais estão sujeitas à cobrança de imposto federal e ICMS estadual.
O que é o programa Remessa Conforme?
É um sistema que registra e fiscaliza empresas de e-commerce estrangeiras, garantindo o pagamento imediato dos tributos devidos.
A taxa pode ser revogada?
Existem projetos de lei em análise no Congresso que propõem alterar ou revogar a taxa, mas o governo federal ainda não demonstrou interesse em mudar a política atual.
Como a medida afeta o comércio nacional?
A nova taxação reduziu as importações e fortaleceu o mercado interno, beneficiando principalmente lojas físicas e virtuais brasileiras.
Considerações finais
A taxa freou as importações, alterou hábitos e reacendeu o debate sobre tributação, concorrência e desenvolvimento econômico nacional.
Enquanto o governo mantém sua posição e o comércio local tenta aproveitar a nova oportunidade, o consumidor busca o equilíbrio entre preço, qualidade e praticidade nas suas compras.
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