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Brics sob influência da China: bloco vira frente contra o Ocidente

China fortalece hegemonia no Brics e transforma bloco em frente contra EUA e Europa, com apoio de países aliados e nova expansão geopolítica.

Bianca BorgesPor Bianca Borges7 min de leitura
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O Brics, grupo originalmente formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, vive uma transformação radical sob o comando velado — mas cada vez mais evidente — da China.

A ausência do presidente Xi Jinping na cúpula realizada no Rio de Janeiro não impediu que Pequim ditasse a agenda e reafirmasse sua liderança dentro do bloco.

Representado pelo primeiro-ministro Li Qiang, o país asiático ampliou sua hegemonia e reposicionou o grupo como uma frente contra a ordem ocidental liderada pelos Estados Unidos e a União Europeia.

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A expansão do Brics e o avanço da influência chinesa

bandeiras de países do BRICS.
Imagem: Oleg Elkov / shutterstock.com

Brics Plus: o alargamento estratégico da zona de influência

Desde 2023, o Brics tem adotado uma política de ampliação com a entrada de novos membros e parceiros. O modelo “Brics Plus”, idealizado e promovido pela China, aumentou a presença do bloco no Sul Global.

Hoje, já são 11 membros plenos e ao menos 10 países parceiros em processo de aproximação. Com isso, a influência da China se estende a regiões estratégicas como Oriente Médio, África e Sudeste Asiático.

Peso econômico crescente desafia o G7

Segundo dados do FMI, o Produto Interno Bruto combinado dos países do Brics chegou a US$ 31,3 trilhões em 2024 — o equivalente a 28,4% da economia mundial. Isso coloca o bloco praticamente em paridade com o G7, cujo PIB gira em torno de 30% do total global.

A diferença está no modelo de governança: enquanto o G7 é formado por democracias consolidadas, o Brics abriga autocracias, regimes híbridos e democracias parciais.

China dita a agenda financeira e institucional do bloco

Renminbi avança enquanto o dólar perde espaço

Uma das grandes vitórias da China nesta cúpula foi o avanço das transações entre os membros do Brics em moedas locais.

Embora a ideia de uma moeda única tenha sido deixada de lado, a substituição gradual do dólar como intermediário nas trocas comerciais internas vem ganhando tração. A Rússia, por exemplo, já realiza 95% de seu comércio bilateral com a China em renminbi.

Banco dos Brics sob controle chinês

O Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), criado como uma alternativa ao FMI e ao Banco Mundial, tem sede em Xangai — uma vitória simbólica e prática para Pequim. O edifício-sede foi construído em apenas 10 meses e funciona como epicentro financeiro do bloco.

A presidência da instituição está nas mãos de Dilma Rousseff, ex-presidente do Brasil, mas sua recondução foi articulada por Vladimir Putin a pedido do presidente Lula. A estrutura de governança é, na prática, moldada pela China.

A declaração de Liu Jiaxin: voz oficial da influência

Em artigo publicado pela CGTN, a jornalista chinesa Liu Jiaxin afirmou que a China “está ativamente moldando o Brics em uma força formidável” e que sua liderança vai além da filiação.

A reportagem expôs o papel decisivo de Pequim na criação do banco, na expansão do bloco e na articulação de políticas alternativas à ordem global vigente.

Tensão crescente com os Estados Unidos

Retórica de Trump acirra a polarização

O ex-presidente Donald Trump, provável candidato republicano em 2024, voltou a criticar duramente o Brics. Em sua mais recente declaração, ameaçou aplicar tarifas de 100% sobre produtos de países que “apoiem as políticas antiamericanas” do bloco.

Ele ainda prometeu um adicional de 10% sobre exportações vindas de membros e parceiros do Brics caso a movimentação contra o dólar continue.

Reação prática é limitada, mas pressão aumenta

Apesar do tom agressivo, as ameaças de Trump ainda são apenas retóricas. No entanto, sinalizam uma escalada de tensões que pode redefinir as relações comerciais internacionais nos próximos anos.

Para Pequim, é um sinal de que o caminho escolhido gera desconforto em Washington — o que, paradoxalmente, valida a estratégia chinesa.

Brasil: linha auxiliar de Pequim no bloco

Lula aposta em protagonismo moderado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta equilibrar o papel do Brasil no Brics, mas tem atuado como aliado próximo da China. Além de apoiar a recondução de Dilma Rousseff ao comando do NDB, o governo brasileiro tem endossado pautas econômicas e geopolíticas defendidas por Pequim.

A política externa brasileira mostra uma guinada clara em direção ao Sul Global, com menos ênfase nas relações tradicionais com Europa e Estados Unidos.

Dilma, o símbolo institucional da aproximação

A presença de Dilma no comando do banco é vista como mais do que simbólica: representa o alinhamento técnico e político com a China.

Embora a ex-presidente afirme que o NDB respeita a igualdade entre os países-membros, fontes diplomáticas revelam que a influência de Pequim é predominante nas decisões mais estratégicas.

O “novo Brics” e a crise das democracias

Democracias versus regimes autoritários

A expansão do Brics também trouxe um dilema geopolítico e ético. A maioria dos novos integrantes — como Irã, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Etiópia — não são democracias plenas.

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O bloco reúne agora países com histórico de violações de direitos humanos e pouca transparência institucional. A comparação com o G7, formado exclusivamente por democracias liberais, evidencia essa diferença.

Sul Global: potência econômica, mas desafio institucional

O chamado Sul Global, que substituiu termos como “países em desenvolvimento” ou “terceiro mundo”, busca maior protagonismo nas decisões internacionais.

Porém, a ausência de compromissos com a governança democrática pode comprometer a legitimidade do Brics como alternativa ao modelo ocidental. É uma equação complexa: crescimento econômico sem estabilidade política ou respeito a liberdades civis.

O papel da mídia estatal chinesa na narrativa internacional

CGTN e o soft power chinês

A China tem utilizado seus veículos de comunicação estatais, como a CGTN, para promover sua liderança no Brics. O discurso de hegemonia “benevolente” aparece frequentemente como um contraponto ao que é chamado de “imperialismo ocidental”.

Essa estratégia de soft power acompanha o avanço econômico e institucional do país na Ásia, África e América Latina.

O futuro do Brics e o novo mapa geopolítico

Duas pessoas fazendo aperto de mãos em frente às bandeiras da Venezuela e Brasil
Imagem: Lunopark / Shutterstock.com

Bloco caminha para institucionalização

A tendência é que o Brics se torne cada vez mais institucionalizado, com regras mais claras, comitês permanentes e uma política externa coordenada.

A criação de uma secretaria-geral está em discussão, o que aproximaria o bloco de modelos como o da União Europeia — com a diferença fundamental de objetivos e valores.

Uma nova Guerra Fria?

Analistas internacionais já falam em uma “nova Guerra Fria”, mas com características distintas. Em vez de blocos ideológicos como na disputa entre capitalismo e socialismo no século XX, o embate agora ocorre em campos econômicos, tecnológicos e geopolíticos.

O Brics, liderado pela China, não pretende impor um sistema alternativo, mas desafiar a hegemonia do Ocidente.

Considerações finais

O Brics caminha para se consolidar como uma força relevante no cenário internacional, mas sob forte influência da China. A hegemonia econômica, política e simbólica do país asiático dentro do bloco tem redefinido sua estrutura, prioridades e alinhamentos.

O Brasil, ainda que tente preservar certa autonomia, tem atuado como aliado de Pequim nesse novo tabuleiro global. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos observam e reagem com preocupação ao surgimento de um bloco que desafia sua influência histórica.

A ausência de Xi Jinping no Rio não significou ausência de poder. Ao contrário: sua presença simbólica foi reforçada pela condução chinesa dos temas mais sensíveis da cúpula.

Em um mundo cada vez mais multipolar, o Brics — com seus 11 membros e 10 parceiros — assume papel central na redefinição das esferas de influência global. E a China está no centro desse movimento.

Bianca Borges

Autor

Bianca Borges

Bianca Borges é estudante de Publicidade e desenvolvedora em formação, com paixão por cultura pop, tecnologia e universos geek. Fã de Star Wars, DC Comics, RPG e The Walking Dead, ela traz sua visão criativa e analítica para o time do Seu Crédito Digital, colaborando na produção de conteúdos relevantes sobre consumo, serviços públicos e finanças do dia a dia. Com estilo descontraído e foco em clareza, Bianca ajuda leitores a entender temas complexos com leveza e precisão.

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