O bloco BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) anunciou que pretende lançar, em setembro de 2025, o Brics Pay, uma plataforma de pagamentos que poderá se integrar ao Pix internacional, permitindo transferências entre países do grupo diretamente em moedas locais, sem a necessidade de conversão pelo dólar.
Pix internacional ganha força no exterior e promete anunciar data de lançamento para todos os bancos
O Brics Pay chega em setembro de 2025 com promessa de integrar o PIX Internacional, permitindo transferências rápidas entre países do BRICS sem uso do dólar.
O objetivo é claro: reduzir a dependência do dólar, estimular o uso das moedas nacionais e tornar as transações entre os países-membros mais rápidas e eficientes.
Leia mais:
Alerta: Mais de R$ 1 bilhão em golpes via Pix nos últimos 60 dias
Como funcionaria o Brics Pay

Base tecnológica
O Brics Pay é inspirado no DCMS (Decentralized Financial Messaging System), modelo de mensageria descentralizada criado pela Universidade de São Petersburgo.
Diferente do SWIFT, sistema global usado atualmente para transferências internacionais, o Brics Pay funcionaria com nós distribuídos, o que reduz pontos únicos de falha e dificulta bloqueios unilaterais.
Estrutura prevista
- Hub de mensagens conectando sistemas de pagamento nacionais;
- Roteamento automático de transferências;
- Criptografia ponta a ponta;
- Controle descentralizado por jurisdição.
Exemplos de integração
O sistema pretende reunir e conectar tecnologias já existentes. Um exemplo é o SBP (Sistema de Pagamentos Instantâneos da Rússia), que hoje conta com mais de 200 bancos e permite transferências 24 horas por dia, inclusive por QR Code.
No Brasil, a expectativa é de interoperabilidade com o Pix, embora os detalhes técnicos ainda não tenham sido divulgados oficialmente.
Integração com o Pix e outros sistemas nacionais
Potencial de interoperabilidade
Materiais preliminares mencionam a intenção de criar “pontes” entre o Brics Pay e sistemas nacionais como:
- Pix (Brasil);
- UPI (Índia);
- PayShap (África do Sul).
Essa integração, se concretizada, permitiria que um usuário brasileiro fizesse uma transferência internacional usando apenas sua chave Pix ou QR Code, com liquidação imediata na moeda do país de destino.
Como funcionaria para o usuário
- O cliente iniciaria a transferência por Pix ou sistema local equivalente;
- O valor seria convertido em reais na origem;
- A liquidação ocorreria diretamente na moeda local do país de destino;
- Taxas e câmbio seriam definidos pelo provedor e reguladores nacionais.
O que muda nas remessas e no comércio exterior
Situação atual
Hoje, transferências internacionais geralmente passam pelo dólar: a moeda local é convertida em dólares e depois reconvertida na moeda de destino, aumentando custos e prazos.
Com o Brics Pay
- Conversão direta entre moedas locais;
- Redução de custos operacionais;
- Liquidação mais ágil;
- Menor dependência de bancos estrangeiros e do sistema SWIFT.
Autoridades de Rússia, Índia e Brasil já declararam que a prioridade é ampliar o uso de moedas nacionais em transações internacionais.
Impactos econômicos e geopolíticos
Risco à hegemonia do dólar
Para o economista Adenauer Rockenmeyer, do Corecon-SP, cada transação fora do SWIFT reduz a influência do dólar:
“O sistema opera com infraestrutura independente, descentralizada, o que dificulta o controle e a aplicação de sanções. Isso representa um desafio direto à supremacia do dólar.”
Benefícios esperados
- Aumento da liquidez em moedas locais;
- Fortalecimento de sistemas domésticos, como o Pix;
- Redução de custos para empresas exportadoras e importadoras;
- Incentivo ao comércio intrabloco.
Limites do projeto
Especialistas alertam que infraestrutura tecnológica não é suficiente. Será necessário garantir:
- Aceitação das moedas locais por exportadores;
- Gestão de riscos cambiais;
- Acordos regulatórios multilaterais.
Lançamento e escopo confirmados
Data prevista
O cronograma oficial prevê lançamento do Brics Pay em setembro de 2025, embora ainda não tenha sido divulgado um documento conjunto com regras detalhadas.
Estratégia gradual
Em 2024, o presidente russo Vladimir Putin já havia sinalizado que o projeto não seria um substituto imediato ao SWIFT, mas sim uma integração entre plataformas domésticas de pagamentos com novas camadas de mensageria.
Desafios de implementação
- Homologação de bancos e arranjos locais;
- Compliance e prevenção à lavagem de dinheiro;
- Padronização de protocolos de segurança cibernética.
Pix internacional: uma possibilidade real?
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Caso a interoperabilidade com o Pix se confirme, brasileiros poderiam usar suas chaves e QR Codes em transações no exterior.
O impacto seria direto para:
- Turistas: pagamentos mais fáceis e baratos fora do Brasil;
- Empresas: maior eficiência nas exportações e importações;
- Trabalhadores migrantes: remessas internacionais com custos reduzidos.
Apesar do otimismo, ainda não há manual técnico oficial detalhando como essa integração funcionará.
Contexto global: por que o Brics Pay importa
A agenda de desdolarização
Os países do BRICS têm buscado reduzir a dependência do dólar em resposta a:
- Sanções internacionais;
- Oscilações de liquidez global;
- Custos elevados de intermediação.
Movimento paralelo
Além do Brics Pay, há esforços em:
- Expansão de acordos bilaterais de comércio em moedas locais;
- Uso de sistemas instantâneos nacionais para transferências cruzadas;
- Criação de linhas de crédito intrabloco sem exposição ao dólar.
Impactos para o Brasil

Empresas exportadoras
A redução da necessidade de conversão em dólar pode diminuir custos e aumentar margens de lucro.
Consumidores e turistas
Pagamentos internacionais poderiam ser feitos via Pix, tornando viagens mais práticas.
Sistema financeiro
O Banco Central terá que estabelecer protocolos de segurança e compliance para garantir que a integração ocorra sem riscos à estabilidade financeira.
Considerações finais
O lançamento do Brics Pay em setembro de 2025 pode marcar um ponto de inflexão no comércio internacional. Ao propor um sistema alternativo ao dólar e ao SWIFT, o bloco BRICS reforça sua agenda de autonomia econômica e tecnológica.
Se a integração com sistemas nacionais, como o Pix brasileiro, se concretizar, consumidores e empresas terão acesso a pagamentos internacionais mais rápidos, baratos e menos dependentes de moedas estrangeiras.
O sucesso do projeto, no entanto, dependerá da adoção prática por bancos, empresas e governos, além da capacidade de superar barreiras cambiais e regulatórias.
Pode ser do seu interesse:
