O BTG Pactual promoveu mudanças relevantes em sua carteira recomendada de dividendos para setembro de 2026. A estratégia passou a contar com Sanepar (SAPR11) e Sabesp (SBSP3), enquanto Copasa (CSMG3) deixou a seleção.
A carteira reúne 13 ações e combina empresas de setores como bancos, petróleo, mineração, saneamento, energia, telecomunicações, construção e shoppings. A proposta é priorizar companhias com capacidade de geração de caixa e potencial de distribuição de proventos, mas também existem teses de valorização associadas a algumas posições.
A composição divulgada para setembro confirma os pesos atribuídos pelo BTG e mostra que a instituição mantém uma estratégia diversificada, sem concentrar a carteira exclusivamente em empresas de maior dividend yield.
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Sanepar ganha espaço na carteira do BTG
A entrada da Sanepar chama atenção principalmente pela combinação entre valuation e possibilidade de mudanças estruturais na companhia.
Segundo a tese atribuída ao BTG, SAPR11 apresentava P/L projetado de aproximadamente 6,1 vezes para 2026 e 5,9 vezes para 2027. O EV/EBITDA estimado era de 4,0 vezes e 3,9 vezes, respectivamente. A avaliação considera a companhia negociada a múltiplos relativamente baixos.
A possibilidade de uma eventual privatização ou de mudanças na estrutura de gestão após as eleições também aparece como um fator especulativo da tese. A expectativa seria de que alterações na administração ou no modelo societário pudessem contribuir para ganhos de eficiência.
Apesar disso, esse cenário não deve ser interpretado como garantia de valorização. A eventual privatização depende de decisões políticas e regulatórias, enquanto o desempenho da ação também está sujeito aos resultados operacionais e às condições do mercado.
A Sanepar mantém uma política de distribuição de proventos e, segundo seus dados oficiais, distribuiu R$ 585,27 milhões referentes ao exercício de 2025, com payout de 29,6% sobre o lucro líquido ajustado.
Sabesp aparece como aposta de longo prazo
A Sabesp (SBSP3) também passou a integrar a carteira, mas com peso menor, de 5%.
A companhia atravessa uma fase de transformação depois da privatização, e o BTG avalia que parte do potencial da empresa ainda pode aparecer nos próximos anos. Entre os fatores destacados estão crescimento de EBITDA e lucro, aumento dos dividendos e ganhos de eficiência.
O cenário de curto prazo, entretanto, apresenta obstáculos. A empresa enfrentou pressão de despesas, especialmente relacionadas a marketing e atendimento ao cliente, movimento que contribuiu para uma queda aproximada de 15% nas ações mencionada na análise do banco.
A tese, portanto, não depende apenas dos dividendos atuais. A expectativa está relacionada principalmente à evolução dos resultados e à capacidade de a companhia capturar ganhos de eficiência.
Os dados divulgados pela própria Sabesp mostram a dimensão da operação: a empresa atende 376 municípios paulistas, levando água diariamente a 30,6 milhões de pessoas e serviços de coleta de esgoto a 27,7 milhões.
Quais são as ações da carteira de dividendos do BTG

A composição de setembro ficou da seguinte forma:
| Empresa | Ticker | Peso | Dividend yield 2026E |
|---|---|---|---|
| Itaú Unibanco | ITUB4 | 10% | 8,1% |
| Bradesco | BBDC4 | 10% | 10,1% |
| Vale | VALE3 | 10% | 7,8% |
| Allos | ALOS3 | 5% | 13% |
| Sanepar | SAPR11 | 10% | 4,9% |
| Cury | CURY3 | 10% | 8% |
| Petrobras | PETR4 | 10% | 8,6% |
| Copel | CPLE3 | 10% | 7,1% |
| Engie | EGIE3 | 5% | 3% |
| TIM | TIMS3 | 5% | 12% |
| Compass | PASS3 | 5% | 5,8% |
| Sabesp | SBSP3 | 5% | 2,5% |
| Axia Energia | AXIA3 | 10% | 5,1% |
Os percentuais de dividend yield são estimativas para 2026, e não pagamentos garantidos. O retorno efetivamente recebido pelo acionista dependerá dos resultados das empresas, das decisões de distribuição e do preço de aquisição das ações.
O que a carteira indica para o investidor

A seleção mostra que o BTG não está perseguindo apenas as maiores taxas de dividendos. A Allos, por exemplo, aparece com yield projetado de 13%, enquanto a Sabesp tem estimativa de 2,5%.
Isso acontece porque uma carteira de dividendos pode combinar renda atual e potencial de crescimento futuro. Uma companhia com yield menor pode ser escolhida caso exista expectativa de aumento dos lucros e dos proventos nos próximos anos.
Outro ponto relevante é a diversificação. Bancos, petróleo, mineração, saneamento, energia, telecomunicações e construção apresentam diferentes fatores de risco. Dessa forma, o desempenho da carteira não fica totalmente dependente de um único segmento da economia.
Ainda assim, trata-se de uma carteira de renda variável. Dividendos não são equivalentes a juros de uma aplicação de renda fixa, e as ações podem sofrer oscilações significativas.
Copasa sai e saneamento continua na estratégia
A saída da Copasa não significa que o BTG abandonou a tese de saneamento. Pelo contrário: a substituição colocou duas empresas do setor na carteira.
A diferença está nas características das teses. A Sanepar recebeu peso de 10% e aparece associada principalmente ao valuation e à possibilidade de mudanças estruturais. Já a Sabesp recebeu 5% e está mais relacionada ao potencial de crescimento de resultados e eficiência após a privatização.
Para o investidor, a mudança reforça a importância de analisar o motivo pelo qual uma ação entrou na carteira, e não apenas observar o dividend yield.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
