A vice-presidente executiva da BYD, Stella Li, anunciou nesta terça-feira (1º.jul.2025), durante um evento em Camaçari (BA), que a tecnologia de condução autônoma da montadora chinesa chegará ao Brasil nos próximos anos. O sistema, chamado God’s Eye, já está presente em modelos vendidos na China e promete revolucionar o mercado de mobilidade nacional.
BYD anuncia chegada iminente de carros autônomos ao mercado brasileiro
BYD anuncia que trará sua tecnologia de condução autônoma ao Brasil em breve. Sistema God’s Eye já é usado na China e estará em veículos nacionais.
A declaração foi feita em meio às celebrações pela consolidação do complexo industrial da BYD no município baiano, um dos maiores investimentos da empresa fora da Ásia.
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God’s Eye: a tecnologia por trás da promessa

O que é o sistema God’s Eye?
O sistema God’s Eye (Olho de Deus, em tradução livre) é a plataforma de condução autônoma desenvolvida pela BYD, integrando sensores, inteligência artificial e mapas em alta definição para permitir que os veículos operem com mínima ou nenhuma intervenção humana.
Níveis de autonomia
Segundo especialistas do setor, o sistema God’s Eye opera entre os níveis 3 e 4 de autonomia veicular, segundo a classificação da SAE International, o que significa que:
- Nível 3: o carro pode conduzir sozinho em certas condições, mas requer intervenção do motorista quando solicitado;
- Nível 4: o carro é totalmente autônomo em ambientes específicos, como centros urbanos ou estradas bem mapeadas.
Tecnologias embarcadas
O God’s Eye combina diversas tecnologias de ponta, como:
- Sensores LiDAR
- Câmeras de alta resolução
- Radar de ondas milimétricas
- Processamento via IA e machine learning
- Mapeamento 3D em tempo real
- Sistemas redundantes de segurança e freios autônomos
Brasil no radar da revolução autônoma
Camaçari como epicentro da transformação
O município de Camaçari (BA) foi escolhido como sede do novo complexo industrial da BYD, um polo com capacidade para fabricar veículos elétricos e, futuramente, modelos equipados com a tecnologia autônoma da marca. Segundo a própria empresa, a unidade poderá ser responsável por liderar a regionalização da produção de veículos inteligentes na América Latina.
Produção nacional com foco em inovação
O investimento de bilhões de reais no Brasil visa criar uma base sólida para a produção de carros autônomos. A BYD planeja adaptar o sistema God’s Eye às condições brasileiras, considerando:
- Infraestrutura viária;
- Sinalização;
- Clima;
- Ecossistema urbano e rodoviário nacional.
Desafios e regulamentação no Brasil
Legislação precisa avançar
Apesar do avanço tecnológico, o Brasil ainda carece de uma legislação específica sobre veículos autônomos. Existem projetos em tramitação no Congresso Nacional que tratam da regulamentação desse tipo de mobilidade, mas ainda não há normas definidas quanto à:
- Responsabilidade em caso de acidentes;
- Testes em vias públicas;
- Seguro obrigatório;
- Licenciamento de software e atualizações.
Segurança e percepção pública
Outro desafio será a aceitação popular. Pesquisas indicam que boa parte da população brasileira ainda desconfia da confiabilidade de carros que dirigem sozinhos. Por isso, a BYD deve investir também em:
- Campanhas educativas;
- Parcerias com universidades e institutos de pesquisa;
- Programas-piloto com frotas comerciais ou governamentais.
O impacto no mercado automotivo nacional

Nova fase da mobilidade urbana
A entrada da condução autônoma representa um novo capítulo para o setor automotivo brasileiro, com impacto direto em:
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- Montadoras e fornecedores de peças;
- Concessionárias e serviços de pós-venda;
- Companhias de seguro;
- Profissionais como motoristas de aplicativo, ônibus e caminhão.
Concorrência em movimento
A BYD não está sozinha. Outras montadoras já anunciaram testes e intenções de trazer carros autônomos ao Brasil, como Tesla, Volkswagen, Mercedes-Benz e GWM. A diferença está na velocidade de implementação. Ao já ter a tecnologia operando na China, a BYD larga na frente.
A promessa de Stella Li
Durante o evento em Camaçari, Stella Li foi clara:
“Estamos tornando sistemas avançados de mobilidade autônoma acessíveis para cada carro vendido em nosso país de origem — e em breve, para o Brasil também.”
Segundo ela, o foco da BYD é tornar os veículos inteligentes não um luxo, mas uma solução de massa para o transporte moderno.
Perspectivas para os próximos anos
Etapas previstas para a chegada dos veículos autônomos BYD ao Brasil:
- 2025-2026: expansão da fábrica de Camaçari e produção de veículos elétricos convencionais;
- 2026-2027: testes iniciais com veículos dotados do sistema God’s Eye em áreas controladas;
- 2027-2028: lançamento de modelos comerciais com condução autônoma de nível 3;
- A partir de 2029: introdução de veículos com maior autonomia (nível 4) em centros urbanos selecionados.
O Brasil está pronto?

A pergunta que fica é: o Brasil está preparado para essa revolução? Do ponto de vista técnico, a adaptação é possível. Mas será necessário um grande esforço coletivo entre montadoras, governo, entidades de trânsito e consumidores para que o país entre definitivamente na era da mobilidade autônoma.
O que é certo é que, com o anúncio da BYD, o futuro da direção está mais próximo do que imaginamos.
Conclusão
O anúncio da BYD marca um passo importante para a introdução da condução autônoma no Brasil. Com tecnologia já consolidada na China e um forte investimento em infraestrutura nacional, a empresa promete liderar uma transformação no setor automotivo brasileiro. Ainda que desafios legais, técnicos e culturais estejam no caminho, a chegada do sistema God’s Eye representa um avanço significativo rumo a um futuro mais seguro, inteligente e sustentável no transporte. O Brasil, ao que tudo indica, está prestes a entrar de vez na era dos carros que dirigem sozinhos.
