A indústria automotiva brasileira testemunhou uma virada histórica em maio de 2025. Pela primeira vez, a fabricante chinesa BYD (Build Your Dreams) superou a tradicional montadora japonesa Toyota no ranking de vendas no varejo de veículos leves no país. Os dados divulgados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) indicam que a BYD conquistou 8,86% de participação no mercado de varejo de carros comerciais leves, contra 8,67% da Toyota.
Você viu? BYD supera Toyota e entra no top 4 das marcas mais vendidas no Brasil!
BYD supera Toyota em vendas no varejo de veículos leves no Brasil, lidera o mercado de elétricos com 80% e cresce no setor automotivo nacional.
Esse desempenho coloca a BYD como a quarta marca mais vendida no varejo brasileiro, atrás apenas da Fiat, Volkswagen e General Motors. No ranking geral, que considera também vendas diretas para frotistas — segmento responsável por 52,6% das vendas de maio — a BYD ficou na sétima colocação, à frente de nomes consolidados como Hyundai, Honda, CAOA Chery e Jeep.
Leia Mais:
Programa Minha Casa, Minha Vida anuncia 120 mil financiamentos para classe média
Crescimento vertiginoso no Brasil

A ascensão da BYD no mercado brasileiro é notável. Em pouco tempo, a marca não apenas se estabeleceu como uma opção competitiva entre os consumidores, mas também dominou o setor de veículos elétricos.
A empresa tem investido fortemente em marketing, infraestrutura e, sobretudo, em modelos acessíveis e eficientes. O Dolphin Mini, por exemplo, já figura como o quinto hatch compacto mais vendido do país — um feito notável para um modelo 100% elétrico em um mercado ainda majoritariamente movido a combustíveis fósseis.
Disputa no varejo: elétricos e híbridos
No setor de carros totalmente elétricos, a BYD reina soberana. Segundo a Fenabrave, a montadora detém 80,62% de participação no mercado de EVs (Electric Vehicles). Atrás dela, com grande distância, aparecem Volvo (7%), GWM (2,6%), Renault (2,5%) e Omoda (1,7%).
No segmento de híbridos, a disputa é mais acirrada. Em maio, a Fiat liderou com 28% das vendas, enquanto a BYD ficou com 24%. Entretanto, no acumulado de 2025, a empresa chinesa assumiu a liderança, com 29% de participação, superando a italiana e demais concorrentes.
Marca global em ascensão
Não é apenas no Brasil que a BYD vem conquistando território. Em 2024, a empresa alcançou a impressionante marca de 4,27 milhões de veículos híbridos e elétricos vendidos globalmente, o que representa um crescimento de 41,26% em relação ao ano anterior.
Além disso, a BYD exportou mais de 700 mil veículos nos últimos três anos, consolidando-se como a marca de EVs mais vendida em países como Tailândia, Brasil e Singapura. A presença da empresa se estende por mais de 110 países e regiões em seis continentes, demonstrando sua estratégia global e capacidade de adaptação a diferentes mercados.
Reconhecimento de marca
O desempenho comercial robusto da BYD também se reflete no reconhecimento de marca. Pelo terceiro ano consecutivo, a montadora figura no ranking das dez marcas automotivas mais valiosas do mundo da consultoria Kantar BrandZ.
Em 2025, a BYD alcançou a sexta posição, com valor estimado de US$ 14,4 bilhões (cerca de R$ 81 bilhões), registrando um aumento de 43,6% em relação ao ano anterior. O crescimento expressivo reforça a confiança do mercado e dos consumidores na marca, que atua em diversos setores além da indústria automotiva, incluindo eletrônicos, energia renovável e transporte ferroviário.
Estratégia de mercado no Brasil

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
O êxito da BYD no Brasil está diretamente ligado à sua estratégia de adaptação local. A empresa soube identificar uma lacuna no mercado brasileiro de elétricos, que carecia de opções acessíveis e tecnológicas. Modelos como o Dolphin Mini e o sedã Han EV ganharam rápida aceitação entre os consumidores urbanos, interessados em economia de combustível, isenção de IPVA e menor impacto ambiental.
Infraestrutura e nacionalização
Para fortalecer ainda mais sua atuação, a BYD tem investido em infraestrutura própria no Brasil, incluindo a construção de uma fábrica na Bahia. A unidade, que deverá iniciar suas operações em breve, visa nacionalizar a produção de veículos e componentes, reduzindo custos logísticos e de importação, além de gerar empregos e desenvolver a cadeia automotiva nacional.
Com essa base industrial, a expectativa é de que a BYD amplie ainda mais seu portfólio, incluindo veículos voltados para frotistas e utilitários, o que pode colocá-la em posições ainda mais altas nos rankings gerais de vendas nos próximos anos.
O futuro do mercado brasileiro
A ascensão da BYD no Brasil indica uma mudança estrutural no mercado automotivo nacional. A crescente aceitação de veículos elétricos e híbridos, somada à competitividade dos preços e benefícios fiscais, pode representar o início de uma transição real para a mobilidade sustentável.
Ainda que os combustíveis fósseis dominem a frota nacional, o avanço de marcas como a BYD sinaliza uma abertura do consumidor brasileiro para novas tecnologias. A disputa entre montadoras tradicionais e novas entrantes tende a se intensificar, beneficiando o consumidor com mais opções, inovação e preços competitivos.
Imagem: Divulgação

