A Caixa Econômica Federal apresentou uma nova proposta para reduzir o déficit do Saúde Caixa. O plano de assistência médica dos empregados e dependentes acumula um déficit estimado em cerca de R$ 410 milhões, com projeção de chegar a R$ 734 milhões em 2026.
A proposta foi apresentada no sábado (29), durante a 10ª mesa de negociação entre a Caixa e a Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito (CONTEC). Para equilibrar as contas, o banco prevê um aporte financeiro, mas também propõe mudanças que podem elevar os gastos de empregados e dependentes.
Entre as principais alterações estão o aumento das mensalidades conforme a idade, a elevação do limite de contribuição familiar de 7% para 9% da remuneração-base e o reajuste do teto anual de coparticipação. A proposta ainda será submetida à avaliação da categoria.
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O que a Caixa propôs para reduzir o déficit do Saúde Caixa?

O banco apresentou um conjunto de medidas financeiras para tentar equacionar o déficit do plano.
Pela proposta, a Caixa prevê um aporte de aproximadamente R$ 536 milhões. Parte dos recursos viria de mudanças na contabilização de determinadas despesas e da antecipação de valores relacionados à 13ª parcela.
As despesas do Programa de Assistência Médica Supletiva (PAMS) deixariam de ser contabilizadas diretamente nas contas do Saúde Caixa e passariam para uma rubrica judicial. Também está prevista a antecipação de valores equivalentes a dois anos da 13ª parcela.
Segundo as informações apresentadas durante a negociação, essas medidas representariam cerca de R$ 190 milhões adicionais em 2026, além dos recursos destinados ao equacionamento do déficit.
Quanto os empregados poderão pagar pelo Saúde Caixa?
A principal mudança para os beneficiários está na forma de cobrança das mensalidades.
Pela proposta, o titular passaria a pagar entre 2,7% e 4,5% da remuneração-base, conforme sua faixa etária.
Para os dependentes, a cobrança seria feita por valores fixos, também de acordo com a idade. Os valores propostos ficam entre R$ 480 e R$ 660 por dependente.
Na prática, o impacto financeiro será diferente para cada família. A quantidade de dependentes, a idade dos beneficiários e a remuneração do titular serão fatores relevantes para determinar quanto será pago.
Limite familiar subiria de 7% para 9%
Outra alteração importante está no limite de contribuição do grupo familiar.
Atualmente, o teto é de 7% da remuneração-base. A Caixa propõe elevar esse percentual para 9%.
Além disso, alguns dependentes indiretos ficariam fora desse limite. É o caso, por exemplo, de filhos entre 21 e 27 anos e pais.
A proposta ainda estabelece que cada dependente pagaria pelo menos R$ 50, mesmo quando o limite de contribuição familiar já tivesse sido alcançado.
Coparticipação do Saúde Caixa também pode ficar mais cara
O teto anual de coparticipação também está entre os pontos que podem mudar.
O limite atualmente estabelecido em R$ 3,6 mil passaria para R$ 4,8 mil por ano.
A coparticipação corresponde ao valor pago pelo beneficiário em determinados procedimentos e atendimentos realizados pelo plano. Com o aumento do teto, o trabalhador poderá ter uma despesa anual maior caso utilize os serviços sujeitos à cobrança.
A proposta prevê ainda uma cobrança de R$ 150 para atendimento em pronto-socorro.
Por outro lado, as teleconsultas ficariam isentas de coparticipação.
Renda familiar também entrará no cálculo
A proposta prevê que a renda do grupo familiar passe a ser considerada nos cálculos relacionados aos limitadores do plano.
A mudança pode alterar a forma como o custo do Saúde Caixa é distribuído entre os beneficiários, levando em consideração não apenas a remuneração do titular, mas também a composição e a renda do grupo familiar.
Por isso, o impacto da nova regra não será necessariamente igual para todos os empregados.
Quem está fora do Saúde Caixa poderá entrar?
Sim. A proposta apresentada pela Caixa estabelece uma janela de 90 dias para adesão de empregados que atualmente estão fora do plano.
Há, porém, uma condição relevante: quem deixar o Saúde Caixa depois da adesão não poderá retornar ao plano, segundo a proposta apresentada na mesa de negociação.
Por esse motivo, empregados que atualmente não utilizam o benefício deverão avaliar as novas condições antes de decidir pela adesão.
O que muda para empregados afastados pelo INSS?
A negociação também prevê mudanças para trabalhadores afastados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O empregado poderá escolher se deseja receber o adiantamento da Caixa durante o período de afastamento.
Caso o benefício previdenciário seja negado, a proposta prevê que a devolução do valor não seja cobrada imediatamente. O pagamento somente seria exigido depois da análise dos recursos.
Se houver necessidade de devolução, o empregado poderá parcelar o valor ou compensá-lo por meio do banco de horas, de acordo com as condições previstas na proposta.
Empregado poderá vender até dez dias de férias
Outra mudança negociada permite a venda de até dez dias de férias, independentemente do período de descanso.
A medida amplia a possibilidade de conversão de parte das férias em abono pecuniário, permitindo que o trabalhador receba financeiramente pelos dias vendidos.
Como os demais pontos, a regra depende da aprovação do acordo para ser efetivamente incorporada às condições de trabalho.
Caixa propõe medidas para empregados PCDs
A proposta também contempla mudanças relacionadas aos empregados com deficiência (PCDs).
A Caixa propôs que esses trabalhadores possam passar por avaliação de uma equipe especializada. A partir dessa análise, o ambiente de trabalho poderá ser adaptado de acordo com as necessidades individuais.
Outra medida prevê a extensão da redução de jornada já concedida a pais e mães de pessoas com deficiência.
As negociações também avançaram em temas relacionados à diversidade e às condições de trabalho.
Como ficará a PLR da Caixa em 2026 e 2027?
Para a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de 2026 e 2027, a proposta mantém a regra da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).
Além disso, seria mantida uma PLR Social correspondente a 4% do lucro líquido, com distribuição linear entre os empregados.
O pagamento adicional ficaria condicionado às metas definidas pela Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest).
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O adiantamento deverá ser pago até 30 de setembro, respeitando os limites estabelecidos no acordo.
Negociação também envolve carreira e atendimento digital
As discussões entre Caixa e representantes dos empregados não ficaram restritas ao plano de saúde.
No Figital e no Genesys, o indicador NS não terá impacto no Alcance.Caixa até 31 de dezembro, segundo a proposta. O tempo máximo de atendimento também deverá passar de cinco para dez minutos.
Os programas Super Caixa e PFG serão discutidos em grupos de trabalho específicos.
A negociação também avançou em assuntos como carreira, promoção por mérito, remuneração variável e condições de trabalho.
Segundo o coordenador da Mesa de Negociação CONTEC/Caixa, houve avanços em diferentes pontos da pauta, incluindo diversidade, pessoas PCDs, atendimento digital e carreira.
A representação dos trabalhadores também informou que houve a suspensão da migração das funções de caixas e tesoureiros para negociação na mesa permanente.
Quando as novas regras do Saúde Caixa começam a valer?
As mudanças ainda não estão valendo.
A proposta apresentada pela Caixa precisa ser avaliada pelos empregados nas assembleias da categoria. A previsão divulgada pelas entidades que acompanham a negociação é de que as assembleias ocorram nos dias 3 e 4 de setembro de 2026.
Até que o processo seja concluído, as condições atuais do Saúde Caixa permanecem vigentes.
O resultado da votação será determinante para saber quais pontos serão efetivamente incorporados ao acordo.
O que muda na prática para o empregado?
Se a proposta for aprovada, o trabalhador deverá ficar atento principalmente ao aumento dos custos relacionados ao plano.
As principais mudanças são:
- mensalidade do titular entre 2,7% e 4,5% da remuneração-base, conforme a idade;
- dependentes com mensalidades entre R$ 480 e R$ 660;
- limite familiar aumentando de 7% para 9%;
- dependentes indiretos fora do teto familiar;
- cobrança mínima de R$ 50 por dependente;
- teto anual de coparticipação subindo de R$ 3.600 para R$ 4.800;
- R$ 150 por atendimento em pronto-socorro;
- teleconsultas sem coparticipação;
- janela de 90 dias para adesão de quem está fora do plano;
- impossibilidade de retorno para quem deixar o Saúde Caixa após a adesão.
O impacto dependerá da situação de cada beneficiário. Uma família com vários dependentes, por exemplo, poderá sentir a mudança de maneira diferente de um empregado que utiliza o plano individualmente.
O que acontece agora?

A proposta entra agora na fase de avaliação pela categoria.
O desafio da negociação é encontrar um modelo que ajude a reduzir o déficit do Saúde Caixa e, ao mesmo tempo, defina uma divisão dos custos considerada adequada pelos empregados.
Para os beneficiários, o ponto central será acompanhar o resultado das assembleias e verificar a versão final do acordo. Até lá, os valores e regras apresentados pela Caixa devem ser tratados como proposta, e não como mudanças definitivas.
Conclusão
A proposta apresentada pela Caixa busca conter o déficit do Saúde Caixa por meio de um conjunto de medidas financeiras, mas também transfere parte maior dos custos para empregados e dependentes. O aumento das mensalidades, do limite familiar e da coparticipação deve ser o principal ponto de atenção para os beneficiários.
Por enquanto, nada foi definido de forma definitiva. A categoria ainda deverá analisar e votar a proposta nas assembleias previstas para setembro. Até lá, os empregados devem acompanhar as negociações e considerar como as novas regras poderiam afetar o orçamento de sua família antes da decisão.



