A Câmara dos Deputados deu um passo decisivo para barrar o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) promovido pelo governo federal. Na noite desta segunda-feira, 16 de junho de 2025, os parlamentares aprovaram, por 346 votos a 97, o requerimento de urgência do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 314/2025, que revoga o decreto presidencial que elevou o imposto.
Congresso rejeita urgência do IOF proposta por Lula e Haddad por 346 a 97 votos
Câmara aprova urgência para derrubar aumento do IOF, impondo derrota ao governo Lula. Entenda o impacto fiscal!
A decisão representa uma derrota política significativa para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e um desafio direto à estratégia fiscal do governo Lula, que vinha apostando na elevação do IOF como medida para reforçar o caixa e evitar cortes no Orçamento de 2025.
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O que foi aprovado na Câmara?
O que aconteceu nesta segunda-feira foi a aprovação da urgência, o que significa que o PDL pode ser votado no plenário a qualquer momento, sem a necessidade de passar por comissões temáticas.
Próximos passos:
- O mérito do projeto ainda precisa ser votado;
- Não há uma data definida, mas o acordo político é que a análise só ocorrerá após o recesso informal de São João, no fim de junho;
- O projeto ainda precisará passar pelo Senado, caso seja aprovado pela Câmara.
Por que o aumento do IOF gerou tanto desgaste?
O decreto que ampliou o IOF foi uma medida articulada por Fernando Haddad como forma de aumentar a arrecadação federal. A previsão extraoficial era de que o governo conseguiria entre R$ 6 bilhões e R$ 7 bilhões adicionais em 2025 com a mudança.
Essa receita seria fundamental para:
- Cumprir metas fiscais;
- Evitar cortes em áreas estratégicas;
- Garantir o pagamento de emendas parlamentares.
No entanto, o aumento foi recebido com forte resistência dentro do Congresso, incluindo partidos que integram a base do governo.
Como votaram os partidos?
A votação evidenciou uma ampla articulação suprapartidária contra a medida do governo. Os principais destaques foram:
- PT, PV, PC do B, Psol e Rede orientaram voto contra a urgência, defendendo o governo Lula.
- O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), liberou a bancada do PT para votar como quisesse.
- Partidos com ministros no governo, como União Brasil, PP, PSD e PDT, votaram a favor da urgência, numa clara demonstração de insatisfação.
Essa configuração reforça a fragilidade da articulação política do Planalto, que vê sua base legislativa agir de maneira cada vez mais independente.
Negociações de última hora não surtiram efeito
A tentativa do governo de evitar a aprovação da urgência mobilizou as principais lideranças da articulação política. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e o ministro da Casa Civil, Rui Costa, passaram a segunda-feira reunidos com líderes partidários e o presidente da Câmara, Arthur Lira, na tentativa de costurar um acordo.
Mesmo com os apelos, a base governista não conseguiu evitar a derrota.
O ministro Fernando Haddad, que está de férias até o dia 22 de junho, não participou das articulações desta semana, o que, segundo alguns analistas políticos, pode ter enfraquecido ainda mais a posição do governo.
Impacto fiscal: quanto o governo pode perder?

Embora o Ministério da Fazenda não tenha divulgado um número oficial, a expectativa de arrecadação com o decreto do IOF era estimada entre R$ 6 bilhões e R$ 7 bilhões para o exercício de 2025.
Caso o decreto seja efetivamente derrubado:
- O governo precisará buscar fontes alternativas de receita;
- A equipe econômica cogita usar reservas de dividendos da Petrobras, Banco do Brasil e BNDES, que somam cerca de R$ 29 bilhões;
- Outra alternativa seria contingenciar emendas parlamentares, o que tende a gerar ainda mais resistência no Congresso.
Durante as negociações, integrantes do Ministério da Fazenda alertaram deputados de que o bloqueio de emendas seria uma consequência direta caso a derrubada do decreto se confirme.
Oposição fala em devolver a MP
Além do PDL 314/2025, há outros projetos de decreto legislativo em tramitação que também visam barrar o aumento do IOF. Deputados de oposição já sugerem que o Congresso devolva ao Executivo a Medida Provisória que regulamenta o novo IOF, impedindo até mesmo sua tramitação.
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O temor da equipe econômica é que uma rejeição ampla — tanto ao decreto quanto à MP — gere um rombo fiscal difícil de compensar no curto prazo.
Recesso de São João: prazo estratégico para o governo
Com o recesso informal das festas juninas se aproximando, o governo ganhou um prazo de cerca de duas semanas para reorganizar a articulação política.
Analistas do Congresso acreditam que, quando Haddad retornar de suas férias, haverá uma intensificação nas negociações com líderes partidários, visando:
- Garantir votos suficientes para salvar o decreto;
- Negociar contrapartidas com os partidos mais resistentes;
- Buscar soluções fiscais alternativas.
Risco de deterioração da relação entre Executivo e Legislativo
O episódio marca mais um capítulo da relação desgastada entre o governo Lula e o Congresso Nacional, que vem apresentando sinais de desgaste desde o início de 2025.
Fatores que agravam o cenário:
- Críticas à condução econômica de Haddad por parte de parlamentares do Centrão;
- Resistência da base em votar matérias que aumentem a carga tributária;
- Insatisfação com o ritmo de liberação de emendas;
- Clima de pré-eleição municipal, que aumenta as pressões locais sobre os deputados.
O que é o IOF e por que o governo queria o aumento?

O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) incide sobre:
- Operações de crédito (como empréstimos e financiamentos);
- Câmbio;
- Seguros;
- Operações com títulos e valores mobiliários.
O objetivo do aumento proposto era, basicamente, elevar a arrecadação federal num momento de forte restrição fiscal, especialmente após a desaceleração econômica registrada no primeiro semestre de 2025.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
