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Câmara dos Deputados revoga lei que recria o seguro DPVAT; entenda

Câmara dos Deputados revoga lei que recriava o seguro DPVAT, agora chamado SPVAT. Entenda os impactos da decisão e o que muda!

Helena SerpaPor Helena Serpa4 min de leitura
DPVAT poderá pagar custos de funeral de vítimas de acidentes no trânsito

Nesta quarta-feira, 18 de dezembro, a Câmara dos Deputados revogou a lei que recriava o seguro obrigatório para acidentes de trânsito, conhecido anteriormente como DPVAT e que seria renomeado para SPVAT.

A decisão foi tomada através da aprovação de um destaque ao projeto de lei complementar (PLP) integrante do pacote de ajuste fiscal proposto pelo governo federal. Com a aprovação, o texto segue para apreciação no Senado.

Contexto da revogação

câmara
Imagem: Regiane_Ferraz / shutterstock.com

A reintrodução do DPVAT estava prevista na primeira versão do projeto relatado pelo deputado Átila Lira (PP-PI). Posteriormente, essa previsão foi retirada do texto, o que faria o seguro voltar a vigorar em janeiro de 2025. Entretanto, em um movimento liderado pela oposição, foi aprovado um destaque que anulou definitivamente o retorno do seguro. Vale lembrar que o DPVAT havia sido extinto em 2020 durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Leia mais: Pacote fiscal: Câmara conclui votação e extingue DPVAT

Apesar de o Congresso Nacional ter aprovado anteriormente uma lei sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para recriar o seguro sob o nome de Seguro Obrigatório para Proteção de Vítimas de Acidente de Trânsito (SPVAT), a revogação dessa medida representa um retrocesso para aqueles que defendem o seguro como uma proteção essencial para vítimas de acidentes.

O que é o DPVAT?

O DPVAT, ou Seguro Obrigatório de Danos Pessoais causados por Veículos Automotores de Via Terrestre, foi criado em 1974 com o objetivo de garantir indenizações para vítimas de acidentes de trânsito, independentemente de culpa. Ele abrangia três categorias principais: morte, invalidez permanente e despesas médicas. Em 2020, a sua cobrança foi extinta sob o argumento de ineficiência e fraudes recorrentes na gestão do seguro.

Impactos da decisão

Para os motoristas

Com a revogação do SPVAT, os motoristas continuam desobrigados de pagar o seguro. Isso pode ser visto como um alívio financeiro imediato, mas também representa a ausência de uma cobertura coletiva para despesas de acidentes de trânsito.

Para as vítimas de acidentes

A inexistência de um seguro obrigatório limita as opções de proteção financeira para vítimas, que ficam dependentes de seguros privados ou do Sistema Único de Saúde (SUS). Especialistas apontam que essa decisão pode sobrecarregar ainda mais o sistema público de saúde.

Outras medidas do ajuste fiscal

A revogação do SPVAT faz parte de um pacote de medidas de ajuste fiscal elaborado pelo governo para conter gastos públicos e equilibrar as contas do país. Entre os principais pontos, estão:

  • Vedado o crescimento de despesas de pessoal acima de 0,6% em termos reais em caso de déficit primário.
  • Restrição à concessão de incentivos tributários enquanto houver déficit.
  • Permissão para utilizar recursos de fundos parados para abatimento da dívida pública.

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Essas medidas visam atender ao novo arcabouço fiscal e garantem um controle mais rigoroso sobre os gastos discricionários e obrigatórios.

O que esperar a partir de agora?

Foto do prédio do congresso nacional em brasília INSS
Imagem: Alejandro Zambrana / Shutterstock.com

Com a decisão da Câmara, o debate agora se desloca para o Senado, que poderá alterar ou ratificar as mudanças propostas. Caso aprovada, a revogação marca o fim definitivo do DPVAT/SPVAT no Brasil. Essa decisão divide opiniões entre especialistas, entidades civis e representantes governamentais.

A ausência de um seguro obrigatório reacende discussões sobre como financiar a proteção de vítimas de acidentes de trânsito e garante que o tema continue em pauta tanto no Congresso quanto na sociedade.

Considerações finais

A revogação do SPVAT reflete um contexto político e econômico complexo, no qual a busca pelo ajuste fiscal impacta diretamente a vida dos cidadãos. Embora o alívio financeiro para os motoristas seja um ponto positivo, a falta de um seguro coletivo pode gerar consequências graves para as vítimas de trânsito e seus familiares.

O desfecho desse debate dependerá da atuação do Senado e de possíveis soluções alternativas que garantam a proteção dos brasileiros em situações de vulnerabilidade no trânsito.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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