De acordo com a investigação do Estadão, a Fundação Nacional dos Indígenas (Funai) adquiriu carne de pescoço por R$ 260 o quilo. Contudo, o preço médio em outros contratos na mesma época era de R$ 10,7. O fato ocorreu durante a gestão do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro.
Carne de pescoço a R$ 260: Bolsonaro pagou 2.000% mais caro e produto nunca chegou ao destino
Governo do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro comprou carne inflacionada que, de acordo com os relatos, nunca foram entregues.
A Funai adquiriu carne de pescoço de galinha com preços inflacionados para, supostamente, atender às necessidades dos indígenas da etnia Mura, localizados na região de Manicoré, no estado do Amazonas. Há relatos de que a administração da Funai não recebeu essas remessas. De acordo com os indígenas da região, o recebido foi apenas arroz, feijão, macarrão, farinha de milho, leite e açúcar.
Governo gastou R$ 927 mil em carnes que não foram entregues
De acordo com informações disponíveis, a Funai realizou uma compra de R$ 927,5 mil em carnes destinadas aos povos indígenas de Manicoré. Dentre os itens adquiridos, constava a quantidade de 20 kg de carne de pescoço de galinha, que também não teria sido entregue aos destinatários.
A empresa responsável pela venda das carnes é administrada pelo pai de Herivaneo Vieira de Oliveira Júnior, o ex-prefeito de Humaitá (AM), Harivaneo Vieira de Oliveira (PL). Durante seu mandato como prefeito em 2018, Harivaneo de Oliveira acabou sendo preso por envolvimento em ataques a órgãos ambientais.
Essa prisão ocorreu como resultado das investigações e ações das autoridades competentes para combater atividades ilegais e proteger o meio ambiente. A acusação foi de ter incentivado uma reação violenta contra a operação que tinha como objetivo fiscalizar o garimpo de ouro no Rio Madeira.
Ademais, nesse sentido, devemos destacar que essa ação ilegal de mineração afeta gravemente o meio ambiente e causa impactos negativos na região.
Ex-prefeito relata um erro nas notas fiscais
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O ex-prefeito alegou que todos os itens adquiridos foram entregues aos indígenas de acordo com as notas fiscais correspondentes. Em relação à questão específica da carne de pescoço, ele levantou a possibilidade de ter ocorrido um erro nas notas de pagamento.
Sendo assim, ele indicou um equívoco na documentação relacionada à compra e distribuição. As toneladas de carne que não foram entregues são provenientes da empresa Loja do Crente Rei da Glória, de propriedade de Samuel de Souza Matos.
Imagem: Alf Ribeiro / shutterstock.com
