Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Brasil pode levar décadas para ter carros autônomos em escala no Uber

Uber avalia que carros autônomos ainda levarão muito tempo para competir no Brasil. Entenda custos, regras e impactos para motoristas.

Bruna MachadoPor Bruna Machado··13 min de leitura
uber

Chamar um Uber e encontrar um carro sem motorista na porta já é uma realidade em algumas cidades dos Estados Unidos. No Brasil, porém, essa transformação deverá avançar em um ritmo bem mais lento — e o principal motivo não é apenas tecnológico.

Andrew Macdonald, presidente e diretor de operações da Uber, afirmou que o custo relativamente baixo das viagens realizadas por motoristas no Brasil dificulta a substituição do trabalho humano por veículos autônomos.

Segundo o executivo, a tarifa média das corridas brasileiras fica entre US$ 3,50 e US$ 4, enquanto um robotáxi ainda exige veículos caros, sensores, computadores, manutenção especializada e uma estrutura permanente de supervisão.

Isso não significa que o carro autônomo nunca chegará ao país. Significa que, nas condições atuais, colocar um veículo sem motorista nas ruas brasileiras pode custar mais do que continuar operando com condutores parceiros.

A seguir, entenda por que o Uber autônomo deve demorar no Brasil, como essa tecnologia funciona, quais obstáculos precisam ser superados e o que pode mudar para passageiros e motoristas.

Leia mais:

Uber amplia serviço Uber Mulher para todas as cidades do Brasil

O que a Uber disse sobre carros autônomos no Brasil

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Em entrevista ao podcast 20VC, Andrew Macdonald afirmou que Brasil e Índia deverão retardar o momento em que a maioria das viagens realizadas pela plataforma será autônoma.

Os dois países estão entre os mercados mais importantes para a Uber, mas possuem corridas de baixo valor quando comparadas às de cidades norte-americanas. De acordo com Macdonald, poderá levar décadas para que o custo da tecnologia autônoma fique baixo o suficiente para competir com o trabalho humano nesses mercados.

A declaração não representa um calendário oficial. A Uber não anunciou uma data para lançar carros sem motorista no Brasil. A fala apresenta uma avaliação econômica sobre quanto tempo a tecnologia pode levar para se tornar competitiva.

O executivo também informou que a empresa realiza aproximadamente 300 milhões de viagens por semana em todo o mundo, enquanto as corridas autônomas ainda somam alguns milhões por mês. Portanto, mesmo nos mercados mais avançados, os robotáxis representam uma parcela pequena da operação. Os números e a avaliação sobre Brasil e Índia foram apresentados no episódio oficial do 20VC com Andrew Macdonald.

Por que o carro autônomo ainda custa tão caro

Um carro autônomo não é apenas um automóvel comum equipado com um programa de navegação. Para circular sem motorista, ele precisa interpretar o ambiente, prever o comportamento de outras pessoas e tomar decisões em poucos segundos.

Dependendo do projeto, o veículo pode utilizar:

  • câmeras para identificar faixas, semáforos, placas e obstáculos;
  • radares para calcular a distância e a velocidade de outros veículos;
  • sensores a laser, conhecidos como lidar, para criar uma representação tridimensional do ambiente;
  • computadores de alto desempenho para processar as informações;
  • mapas de alta precisão;
  • conexão com centros de monitoramento;
  • sistemas de segurança capazes de assumir o controle diante de uma falha.

Além da compra do veículo, a empresa precisa manter garagens, equipes de limpeza, recarga ou abastecimento, manutenção dos sensores, atualização dos mapas e assistência remota.

O preço do motorista muda a conta

Nos lugares onde contratar um motorista é mais caro, o investimento em robotáxis pode se pagar mais rapidamente. A empresa troca uma despesa permanente com a condução por uma tecnologia que pode operar durante várias horas por dia.

No Brasil, essa conta é diferente. O valor médio das corridas é menor, enquanto boa parte da tecnologia autônoma continua cotada em dólar.

Imagine, em um exemplo hipotético, que uma corrida gere R$ 20 de receita. Se o custo operacional de um robotáxi, considerando compra, manutenção, seguro e supervisão, ficar acima do valor destinado ao motorista humano, não haverá vantagem financeira imediata na substituição.

Para a tecnologia avançar, será necessário reduzir o preço dos sensores e dos computadores, ampliar a vida útil dos equipamentos e operar uma frota grande o suficiente para diluir os custos.

Já existe Uber sem motorista em outros países?

Sim. A Uber oferece viagens autônomas em áreas selecionadas de cidades como Austin e Atlanta, nos Estados Unidos, em parceria com a Waymo.

O passageiro solicita a corrida pelo aplicativo e pode ser direcionado a um veículo autônomo quando estiver dentro da área atendida. Em Austin, por exemplo, a operação ocorre por meio de veículos da Waymo disponíveis na plataforma da Uber, conforme detalhado pela própria empresa em sua página oficial sobre o serviço.

Esses carros, contudo, não circulam livremente por qualquer estrada. Eles operam dentro de uma área previamente definida e mapeada, conhecida como área operacional ou geofence.

Operação limitada não é autonomia em qualquer lugar

Um robotáxi pode estar preparado para dirigir sozinho em bairros específicos, sob determinadas condições climáticas e dentro de limites de velocidade estabelecidos. Isso não significa que consiga viajar por qualquer cidade, estrada rural ou rodovia do mundo.

Essa diferença é fundamental para compreender por que a expansão ocorre cidade por cidade. Antes de iniciar uma operação, a empresa precisa mapear as vias, testar o sistema, obter autorização e criar uma estrutura local de atendimento.

O que significam os níveis de direção autônoma

Nem todo veículo anunciado como “autônomo” consegue dirigir sozinho. A classificação mais utilizada pelo setor divide a automação em seis níveis, do zero ao cinco.

Níveis 0 a 2: o motorista continua responsável

Nos níveis iniciais, o veículo pode oferecer recursos como frenagem automática, controle de velocidade adaptativo e centralização na faixa.

No nível 2, o automóvel consegue controlar direção e velocidade simultaneamente em algumas situações. Ainda assim, a pessoa precisa permanecer atenta e pronta para assumir o comando.

Esse é o nível encontrado em diferentes carros comercializados atualmente. Portanto, não se trata de um veículo totalmente sem motorista.

Níveis 3 e 4: o sistema assume em situações delimitadas

No nível 3, o automóvel pode dirigir sozinho em certas condições, mas ainda pode solicitar que o condutor retome o controle.

No nível 4, o veículo consegue completar a viagem sem intervenção humana dentro de uma área e de condições previamente determinadas. É o modelo utilizado por boa parte dos robotáxis comerciais atuais.

Nível 5: autonomia completa

O nível 5 representa um veículo capaz de dirigir em qualquer local e condição em que uma pessoa conseguiria conduzir. Essa tecnologia ainda não está disponível em escala comercial.

A Uber desistiu de desenvolver seu próprio carro autônomo?

A Uber teve uma divisão dedicada ao desenvolvimento da tecnologia, chamada Advanced Technologies Group, ou ATG. Em 2020, a companhia anunciou a venda da unidade para a Aurora, negócio concluído no início de 2021.

Na operação, a Uber investiu US$ 400 milhões na Aurora e manteve uma parceria estratégica. Os detalhes foram divulgados no comunicado oficial da aquisição.

Desde então, a estratégia passou a ser mais parecida com a de uma plataforma. Em vez de desenvolver sozinha todo o sistema de condução, a Uber integra ao aplicativo veículos produzidos e operados por empresas especializadas.

Na prática, a companhia pode oferecer acesso aos passageiros, meios de pagamento, suporte operacional, gerenciamento de demanda e conhecimento sobre os mercados locais. Os parceiros ficam responsáveis principalmente pelo sistema autônomo e pelos veículos.

Por que dirigir sozinho no Brasil é um desafio maior

O custo não é a única barreira. Um carro autônomo precisa interpretar corretamente situações que até motoristas experientes consideram difíceis.

O trânsito brasileiro reúne grande quantidade de motocicletas, pedestres, ciclistas, ônibus e veículos de carga. Em determinadas regiões, também há sinalização desgastada, buracos, obras sem aviso prévio e mudanças frequentes no traçado das ruas.

Isso não torna a automação impossível. No entanto, aumenta a quantidade de situações que precisam ser testadas antes que uma operação comercial seja considerada segura.

Chuva, alagamentos e sinalização exigem validação local

Fortes chuvas podem dificultar o funcionamento de câmeras e sensores. Alagamentos também exigem decisões que vão além de seguir uma rota programada.

Outro desafio está na qualidade das faixas pintadas no asfalto. Quando a sinalização desaparece ou muda por causa de uma obra, o sistema precisa reconhecer o novo cenário e agir sem colocar passageiros ou terceiros em risco.

Cada combinação adicional aumenta o trabalho de validação. Por isso, uma tecnologia aprovada para circular em uma região dos Estados Unidos não pode simplesmente ser transferida para São Paulo, Recife ou Belo Horizonte sem testes locais.

O Brasil já tem regras para carros autônomos?

O país possui regras gerais de trânsito e normas para veículos, mas ainda trabalha na construção de uma regulamentação nacional específica para a circulação comercial de automóveis totalmente autônomos.

O Projeto de Lei 1.317/2023 pretende alterar o Código de Trânsito Brasileiro para disciplinar esses veículos. A proposta prevê pontos como monitoramento de falhas, segurança cibernética e mecanismos para colocar o automóvel em condição segura diante de problemas.

A Câmara dos Deputados informou, em 2025, que uma comissão havia aprovado regras para a circulação de carros autônomos. A proposta, entretanto, ainda precisa concluir sua tramitação antes de se transformar em lei. O andamento pode ser acompanhado na ficha oficial do PL 1.317/2023.

Responsabilidade por acidentes é um ponto central

Em uma colisão provocada por um motorista, a apuração considera sua conduta. Quando o veículo dirige sozinho, a responsabilidade pode envolver diferentes participantes:

  • fabricante do automóvel;
  • desenvolvedor do sistema autônomo;
  • empresa responsável pela frota;
  • plataforma que intermediou a viagem;
  • proprietário ou operador do veículo;
  • prestador responsável pela manutenção.

A legislação precisará esclarecer quem responde civil e administrativamente em cada situação. Também será necessário definir como serão aplicadas multas, realizados testes, contratados seguros e investigadas falhas no programa.

Proteção de dados também entra na discussão

Carros autônomos registram grandes volumes de informações sobre o ambiente. Câmeras podem captar rostos, placas, endereços e deslocamentos.

O tratamento desses dados precisa respeitar a Lei Geral de Proteção de Dados, a LGPD. As empresas deverão explicar quais informações são coletadas, por quanto tempo são armazenadas e como são protegidas contra acessos indevidos.

A segurança cibernética é igualmente importante. Um sistema conectado precisa impedir invasões capazes de interferir no funcionamento do veículo.

Motoristas de aplicativo perderão espaço?

Não há sinal de substituição imediata dos motoristas brasileiros. A própria dimensão econômica apontada pela Uber mostra que a condução humana continuará sendo mais competitiva no país durante um período considerável.

Mesmo em cidades com robotáxis, as corridas autônomas convivem com veículos conduzidos por pessoas. A transição tende a começar em áreas pequenas, com trajetos previsíveis e condições favoráveis.

Em um primeiro momento, é mais provável que os carros sem motorista atendam aeroportos, centros empresariais, condomínios, regiões planejadas ou rotas com grande demanda.

A mudança pode criar outras funções

A automação elimina a necessidade de condução dentro do veículo, mas não torna a operação completamente independente de pessoas.

Uma frota autônoma continua precisando de profissionais responsáveis por:

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google
  • manutenção mecânica e eletrônica;
  • limpeza dos automóveis;
  • recarga das baterias;
  • atendimento aos passageiros;
  • assistência remota;
  • segurança da informação;
  • atualização e verificação dos mapas.

Não é possível afirmar que essas novas funções compensarão todos os postos eventualmente afetados. A transformação dependerá da escala, da velocidade de adoção e da qualificação oferecida aos trabalhadores.

O passageiro pagará menos pela corrida?

Não necessariamente. Retirar o motorista reduz um componente do custo, mas acrescenta outros.

O robotáxi precisa pagar o investimento no veículo, sensores, manutenção especializada, seguro, infraestrutura e equipe de suporte. Nas primeiras etapas, essas despesas podem tornar a viagem mais cara do que uma corrida convencional.

O preço poderá cair quando houver produção em maior escala, concorrência entre fornecedores e utilização intensa da frota. Ainda assim, a plataforma poderá definir a tarifa de acordo com demanda, disponibilidade e estratégia comercial.

Portanto, carro sem motorista não é sinônimo automático de passagem barata.

Carros autônomos são mais seguros?

A tecnologia tem potencial para reduzir acidentes associados a excesso de velocidade, distração, cansaço ou consumo de álcool. Por outro lado, pode cometer erros na interpretação de situações incomuns ou sofrer falhas de software, sensores e comunicação.

A resposta depende do sistema, da cidade, da qualidade dos testes e das condições nas quais o veículo opera. Não é correto considerar todos os carros autônomos mais seguros apenas porque não possuem motorista.

Para avaliar uma operação, autoridades e consumidores precisam observar:

  • número de quilômetros percorridos;
  • acidentes e intervenções registrados;
  • condições em que o sistema pode funcionar;
  • auditorias independentes;
  • procedimentos adotados em caso de falha;
  • transparência da empresa sobre ocorrências.

O que precisa acontecer para o Uber autônomo chegar ao Brasil

A implantação dependerá de uma combinação de avanços tecnológicos, econômicos e regulatórios.

Entre as principais condições estão:

  1. Redução do preço dos sensores e computadores.
  2. Criação de regras claras para circulação e responsabilidade.
  3. Homologação dos veículos pelas autoridades brasileiras.
  4. Formação de uma rede local de manutenção e supervisão.
  5. Mapeamento detalhado das áreas atendidas.
  6. Contratação de seguros compatíveis com a operação.
  7. Comprovação de segurança em situações típicas do trânsito brasileiro.
  8. Custo por viagem competitivo com o dos motoristas humanos.

Uma estreia também não significaria atendimento nacional. O cenário mais provável seria um projeto-piloto em uma área restrita, seguido de expansão gradual caso os resultados fossem positivos.

O que muda agora para quem usa ou dirige pela Uber

No curto prazo, nada muda na rotina dos brasileiros. Não há lançamento confirmado de Uber sem motorista no país, nem prazo oficial para que isso aconteça.

O passageiro continuará solicitando viagens normalmente e sendo atendido por um motorista parceiro. Da mesma forma, os condutores não enfrentam uma substituição iminente causada pelos robotáxis.

A fala de Andrew Macdonald ajuda a colocar a discussão em perspectiva: embora a tecnologia já esteja em operação no exterior, sua adoção depende de ser economicamente vantajosa em cada país.

No Brasil, corridas de menor valor, custos em dólar, infraestrutura desigual e regulamentação ainda em construção formam uma barreira relevante. O carro autônomo provavelmente chegará, mas deverá começar pequeno — e não substituir toda a frota de uma só vez.

Perguntas frequentes

Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

Já existe Uber sem motorista no Brasil?

Não. Até o momento, a Uber não oferece viagens comerciais com veículos totalmente autônomos no Brasil.

Quando o carro autônomo da Uber chegará ao país?

Não existe uma data confirmada. Um executivo da Uber avaliou que a tecnologia poderá levar muito tempo, possivelmente décadas, para competir financeiramente com motoristas humanos em mercados como Brasil e Índia.

Carro autônomo pode circular legalmente no Brasil?

Veículos com recursos de assistência já circulam, mas o país ainda discute uma regulamentação específica e completa para operações comerciais totalmente autônomas. Projetos de lei sobre o assunto continuam em tramitação.

Um carro com piloto automático é totalmente autônomo?

Não. Sistemas vendidos como piloto automático normalmente oferecem assistência à condução. O motorista continua responsável, deve prestar atenção e precisa estar pronto para assumir o controle.

Motoristas da Uber serão substituídos?

Não há indicação de substituição imediata. A transição tende a ser gradual, começando em áreas limitadas e mantendo uma operação mista com veículos conduzidos por pessoas.

A corrida em um carro autônomo será mais barata?

Não necessariamente. Embora não haja motorista, o veículo exige sensores, computadores, manutenção, seguro, limpeza e supervisão remota. A redução de preço dependerá da escala e do custo da tecnologia.

É seguro andar em um Uber sem motorista?

A segurança depende do sistema, dos testes e da área em que o veículo opera. As empresas e autoridades precisam divulgar dados de ocorrências e definir procedimentos claros para falhas e emergências.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Compartilhar
Seu Crédito Digital

Descubra tudo que você tem direito

Benefícios, crédito e dinheiro esquecido: veja as ofertas e ferramentas que separamos para o seu perfil.