O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) é um dos principais direitos trabalhistas no Brasil, criado para proteger o trabalhador em casos de demissão sem justa causa e em outras situações específicas previstas em lei. Muitos brasileiros têm dúvidas sobre quanto tempo de carteira assinada é necessário para poder sacar o saldo disponível. A resposta, no entanto, depende da forma de desligamento, do tipo de contrato e do motivo que permite a liberação dos recursos.
Saiba se carteira assinada por um mês já garante FGTS
Entenda que basta um mês de registro em carteira assinada para ter direito ao FGTS, as regras de saque, situações permitidas e como acessar o benefício.
O que é o FGTS e como ele funciona
O FGTS é um fundo criado pelo governo federal e gerido pela Caixa Econômica Federal. Todo mês, o empregador deve depositar o equivalente a 8% do salário bruto do empregado em uma conta vinculada ao contrato de trabalho. No caso de menores aprendizes, a alíquota é de 2%. Esse dinheiro pertence ao trabalhador, mas só pode ser sacado em situações específicas previstas na legislação.
Além dos depósitos mensais, o saldo do FGTS é corrigido com juros e atualização monetária, o que ajuda a preservar seu poder de compra ao longo do tempo.
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Quanto tempo de carteira assinada é necessário para sacar o FGTS
Não existe um tempo mínimo universal de carteira assinada para ter direito ao saque do FGTS. O que determina a liberação do saldo são as hipóteses previstas em lei. A seguir, explicamos as principais.
Demissão sem justa causa
Quando o trabalhador é dispensado sem justa causa, ele pode sacar o saldo total do FGTS. Não importa se trabalhou por um mês ou por anos — basta que haja saldo disponível na conta vinculada. Nesse caso, o empregador também deve pagar a multa de 40% sobre o saldo depositado.
Término de contrato por prazo determinado
Nos contratos temporários ou com prazo definido, o saque do FGTS é permitido ao final do contrato. Assim como na demissão sem justa causa, não há exigência de tempo mínimo de trabalho.
Rescisão por acordo entre empregado e empregador
Desde a reforma trabalhista de 2017, é possível que empregador e empregado façam um acordo para encerrar o contrato. Nesse caso, o trabalhador pode sacar até 80% do saldo do FGTS, mas não recebe a multa de 40% integral (apenas 20%).
Demissão por justa causa ou pedido de demissão
Nessas situações, o trabalhador não pode sacar o FGTS imediatamente. O saldo permanece na conta e só poderá ser retirado se ocorrer alguma das condições previstas para saque, como aposentadoria, compra da casa própria ou outras hipóteses legais.
Outras situações que permitem o saque do FGTS
A legislação também garante o saque do FGTS em diversas situações além da demissão, o que pode alterar a resposta sobre “quanto tempo” é necessário ter de carteira assinada.
Aposentadoria
Ao se aposentar, o trabalhador pode sacar todo o saldo do FGTS, independentemente de quanto tempo tenha contribuído.
Compra de imóvel
O FGTS pode ser usado para a compra, construção ou amortização de financiamento habitacional. Para isso, é necessário ter pelo menos três anos de trabalho sob o regime do FGTS, que podem ser consecutivos ou não.
Doenças graves
Trabalhadores com doenças graves como câncer, HIV ou em estágio terminal de vida podem sacar o saldo do FGTS, sem exigência de tempo mínimo de contribuição.
Falecimento do trabalhador
Em caso de falecimento, os dependentes ou herdeiros legais têm direito ao saque do saldo do FGTS do falecido.
Suspensão do trabalho por desastre natural
Se o local de trabalho for atingido por desastre natural reconhecido pelo governo, é possível liberar o FGTS, ainda que o tempo de carteira assinada seja curto.
Diferença entre tempo de contribuição e direito ao saque
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É importante não confundir o tempo de contribuição ao FGTS com o direito de sacar o saldo. Um trabalhador com apenas um mês de carteira assinada já tem uma conta ativa de FGTS, mas só poderá movimentá-la em situações autorizadas por lei.
FGTS ativo e inativo
Cada contrato de trabalho gera uma conta de FGTS. Quando o contrato é encerrado e o saque não é feito, a conta passa a ser considerada inativa. É possível ter várias contas de FGTS, de diferentes empregos.
O saque de contas inativas só ocorre nas hipóteses legais, como demissão sem justa causa, aposentadoria ou campanhas de liberação especial autorizadas pelo governo.
Saque-aniversário
O saque-aniversário é uma modalidade opcional que permite ao trabalhador retirar anualmente uma parte do saldo do FGTS no mês de seu aniversário. Quem adere a essa opção perde o direito ao saque total em caso de demissão sem justa causa, podendo apenas resgatar a multa rescisória.
Como consultar o saldo do FGTS

O trabalhador pode verificar seu saldo por meio do aplicativo FGTS, disponível para celulares, ou pelo atendimento telefônico da Caixa. Também é possível acompanhar os depósitos mensais para garantir que o empregador esteja cumprindo com a obrigação.
O que fazer se o empregador não depositar o FGTS
O não pagamento do FGTS é uma infração grave. O trabalhador pode denunciar a irregularidade ao Ministério do Trabalho ou acionar a Justiça do Trabalho. A empresa pode ser multada e obrigada a fazer os depósitos retroativos, com juros e correção.
Planejamento para uso do FGTS
O FGTS pode representar um importante recurso financeiro em momentos de necessidade, mas também é uma ferramenta para investimentos de longo prazo, especialmente na compra da casa própria. Planejar seu uso é essencial para aproveitar ao máximo esse benefício.
Conclusão
Não há um tempo mínimo único de carteira assinada para sacar o FGTS. O que define a possibilidade de saque é a ocorrência de situações previstas em lei, como demissão sem justa causa, aposentadoria, compra de imóvel ou doença grave. Por isso, o trabalhador deve conhecer seus direitos, acompanhar os depósitos e manter-se informado sobre mudanças na legislação para garantir acesso ao benefício sempre que necessário.
