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China avança na integração de plataformas de pagamento com o Pix do Brasil

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 10 min de leitura
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A China avançará na integração de seus sistemas de pagamento com o Pix, permitindo que usuários de aplicativos vinculados à rede UnionPay possam realizar compras no Brasil por meio da leitura de códigos QR. A iniciativa cria uma ponte entre o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos e plataformas utilizadas por consumidores chineses.

O projeto prevê que aplicativos como o UnionPay Cloud QuickPass e o UnionPay Wallet possam escanear códigos QR de estabelecimentos conectados à rede do Pix. A proposta é permitir que o pagamento seja feito diretamente a partir do ambiente financeiro chinês, sem que o turista precise utilizar um cartão internacional convencional para cada compra.

A medida ganha relevância com o crescimento do turismo chinês no Brasil e ocorre em um momento de maior disputa internacional em torno de sistemas de pagamentos digitais. Em 2025, os Estados Unidos abriram uma investigação comercial contra o Brasil que incluiu serviços de comércio digital e pagamentos eletrônicos entre os temas analisados. Em julho de 2026, Washington anunciou tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros.

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Como vai funcionar o pagamento chinês pelo Pix

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Imagem: Canva

A proposta é baseada na interoperabilidade entre os sistemas de pagamento dos dois países.

Na prática, o comerciante brasileiro continuará utilizando a infraestrutura do Pix para gerar o código QR. O turista chinês, por sua vez, poderá abrir um aplicativo compatível da rede UnionPay e escanear o código para iniciar a operação.

A liquidação da transação dependerá da infraestrutura financeira criada para conectar as duas redes. O acordo anunciado pela UnionPay e pelo Industrial and Commercial Bank of China (ICBC) prevê justamente a criação dessa conexão transfronteiriça entre os códigos QR chineses e a rede brasileira.

Isso significa que a novidade não transforma o Pix em um aplicativo chinês. O sistema brasileiro continua sob a estrutura regulatória e operacional do Banco Central, enquanto a UnionPay funciona como uma das pontes para que usuários chineses consigam acessar estabelecimentos brasileiros.

O que é o Pix e por que ele interessa à China

O Pix é o sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central do Brasil. Ele permite transferências e pagamentos em poucos segundos, 24 horas por dia, inclusive em estabelecimentos comerciais. O sistema entrou em operação em novembro de 2020.

A infraestrutura ganhou escala rapidamente e passou a fazer parte do cotidiano de consumidores e empresas brasileiras. O Banco Central mantém estatísticas atualizadas sobre o volume de transações realizadas pelo sistema.

Para empresas estrangeiras de pagamentos, essa ampla utilização torna o Pix uma infraestrutura relevante para operações voltadas ao mercado brasileiro.

No caso da China, a integração também pode reduzir uma dificuldade comum enfrentada por turistas: utilizar meios de pagamento diferentes daqueles aos quais estão acostumados em seu país de origem.

Acordo entre UnionPay e ICBC abriu caminho para a integração

A aproximação não surgiu apenas agora.

Em julho de 2025, durante a cúpula do Brics realizada no Rio de Janeiro, a UnionPay International anunciou um memorando de cooperação com o Industrial and Commercial Bank of China para promover a conexão de pagamentos por QR Code entre China e Brasil.

O acordo estabeleceu as bases para que aplicativos da UnionPay pudessem futuramente reconhecer códigos QR de estabelecimentos integrados ao Pix.

O ICBC Brasil também desempenha papel relevante na estrutura, já que atua como banco de compensação de renminbi no país. O projeto prevê a utilização dessa infraestrutura para operações de liquidação transfronteiriça.

A iniciativa, portanto, faz parte de um processo de integração financeira que já vinha sendo construído antes da atual disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos.

Turistas chineses estão entre os principais beneficiados

O turismo é um dos setores que podem sentir os efeitos mais rapidamente.

Segundo o Ministério do Turismo, o Brasil recebeu 103.122 turistas chineses em 2025, alta de aproximadamente 35% em relação aos 76.524 visitantes registrados em 2024. No primeiro quadrimestre de 2026, foram 39.880 chegadas, crescimento de 33,6% sobre o mesmo período do ano anterior.

A expansão do fluxo de visitantes aumenta a demanda por formas de pagamento adaptadas ao público chinês.

Com a integração, um turista poderá encontrar um estabelecimento brasileiro que aceite Pix, abrir um aplicativo compatível e utilizar o QR Code apresentado pelo comerciante.

Para o consumidor, a experiência tende a ser mais familiar. Para o comércio, a possibilidade de receber clientes chineses utilizando um meio de pagamento já conhecido pelo público pode facilitar as vendas.

Comércio brasileiro também pode ser beneficiado

A mudança não interessa apenas aos turistas.

Hotéis, restaurantes, lojas, atrações turísticas e outros negócios que recebem visitantes estrangeiros podem ganhar uma nova alternativa para atender consumidores chineses.

A possibilidade de utilizar o mesmo QR Code associado ao Pix reduz a necessidade de criar uma estrutura de pagamento completamente separada para cada nacionalidade ou aplicativo.

A expansão também pode ser relevante para pequenos negócios, especialmente aqueles que não possuem uma estrutura robusta para processar cartões internacionais.

Ainda assim, a implementação dependerá da adesão dos participantes envolvidos e das condições técnicas e regulatórias estabelecidas para as operações internacionais.

Integração não significa que todo chinês poderá usar o Pix imediatamente

Um ponto importante é que a conexão não significa que qualquer pessoa com uma conta bancária na China já possa, automaticamente, abrir seu aplicativo e pagar qualquer QR Code brasileiro.

O funcionamento depende dos aplicativos participantes, das instituições financeiras conectadas à rede e da conclusão da infraestrutura de interoperabilidade.

O projeto anunciado prevê a integração inicialmente com serviços da própria rede UnionPay, enquanto uma eventual ampliação para outras carteiras e plataformas dependerá de novos acordos e implementações.

Por isso, a novidade deve ser entendida como uma conexão entre sistemas de pagamento, e não como a transformação do Pix em uma rede internacional aberta a qualquer aplicativo.

China e Brasil ampliam cooperação financeira

A aproximação dos sistemas de pagamento faz parte de uma relação econômica mais ampla entre os dois países.

Brasil e China vêm ampliando a cooperação em áreas como comércio, turismo, tecnologia, inovação e finanças. Em 2026, os dois governos também instituíram iniciativas relacionadas ao Ano Cultural Brasil–China, com ações envolvendo turismo, inovação e economia criativa.

No setor de turismo, o Ministério do Turismo criou em julho de 2026 um Grupo de Trabalho de Turismo Brasil–China para coordenar e acompanhar ações de cooperação entre os dois países.

A integração dos pagamentos pode funcionar como mais uma peça dessa aproximação, especialmente diante do crescimento do número de visitantes chineses.

Pix também está no centro de uma disputa comercial

A internacionalização do Pix ocorre em um contexto geopolítico particularmente sensível.

Em julho de 2025, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) abriu uma investigação sob a Seção 301 contra o Brasil. Entre os temas analisados estavam políticas relacionadas ao comércio digital e aos serviços de pagamentos eletrônicos.

Em junho de 2026, o órgão norte-americano concluiu que determinadas medidas brasileiras eram consideradas prejudiciais ao comércio dos Estados Unidos. No mês seguinte, anunciou uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros.

O fato de o Pix ter aparecido na investigação colocou o sistema brasileiro no centro de uma discussão que ultrapassa a tecnologia de pagamentos e envolve comércio internacional e competição entre empresas e infraestruturas financeiras.

A integração com a China, porém, não foi criada em resposta direta às tarifas. O acordo entre UnionPay e ICBC já havia sido anunciado em 2025, antes da decisão tarifária de 2026.

O que muda para o brasileiro?

Para quem vive no Brasil, a mudança inicial tende a ser pequena no uso cotidiano do Pix.

O brasileiro continuará utilizando seu aplicativo bancário normalmente, e os pagamentos domésticos continuarão funcionando dentro da infraestrutura já existente.

A principal diferença estará do outro lado da transação: um visitante chinês poderá utilizar uma plataforma financeira chinesa para pagar um estabelecimento brasileiro conectado ao Pix.

No médio prazo, porém, a integração pode abrir espaço para novas conexões internacionais e aumentar a quantidade de países cujos sistemas de pagamento conseguem conversar com a infraestrutura brasileira.

A integração pode ir além dos turistas

O turismo é uma das aplicações mais imediatas, mas não necessariamente será a única.

Uma infraestrutura de pagamentos transfronteiriços pode facilitar operações de empresas, serviços e outras atividades econômicas entre os dois mercados, dependendo da evolução dos acordos e dos mecanismos de liquidação.

O projeto também coloca o renminbi, moeda chinesa, em uma posição mais relevante nas operações financeiras relacionadas ao mercado brasileiro. A proposta anunciada em 2025 prevê justamente a utilização de mecanismos de liquidação transfronteiriça em renminbi.

Isso transforma a iniciativa em algo maior do que uma simples ferramenta para turistas: trata-se de uma experiência de conexão entre infraestruturas financeiras nacionais.

Quando a novidade estará disponível?

A integração foi anunciada como um projeto de conexão transfronteiriça, mas a disponibilidade para o consumidor depende da implementação técnica e operacional pelas instituições envolvidas.

Por isso, não é possível afirmar que todos os turistas chineses já conseguem utilizar qualquer aplicativo da UnionPay para pagar qualquer estabelecimento brasileiro por Pix.

A expansão deverá ocorrer conforme os participantes da rede concluam as etapas necessárias para colocar a interoperabilidade em funcionamento.

O que o turista chinês precisará fazer?

Quando a integração estiver disponível para seu aplicativo e instituição financeira, o processo deverá seguir uma lógica semelhante à de outros pagamentos por QR Code:

  1. abrir um aplicativo compatível da UnionPay;
  2. selecionar a função de pagamento por QR Code;
  3. escanear o código apresentado pelo estabelecimento;
  4. conferir o valor da compra;
  5. autorizar a transação.

As etapas exatas podem variar conforme o aplicativo e o banco utilizado.

O que essa integração representa para o Pix

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

A conexão com sistemas chineses representa uma nova etapa na evolução do Pix.

O sistema nasceu como uma infraestrutura doméstica de pagamentos instantâneos, mas sua ampla utilização passou a criar oportunidades para conexões internacionais.

Para o Brasil, a vantagem potencial está em ampliar a utilidade da infraestrutura para visitantes estrangeiros e empresas que atuam no comércio internacional.

Para a China, a integração facilita o uso de seus próprios ecossistemas de pagamento por consumidores que viajam ao Brasil.

O resultado é uma aproximação entre dois grandes mercados de pagamentos digitais, com potencial para alterar a forma como consumidores e empresas realizam transações entre os países.

Conclusão

A integração entre a rede UnionPay e o Pix cria uma nova ponte entre os sistemas financeiros de Brasil e China. O projeto prevê que usuários de aplicativos da UnionPay possam pagar estabelecimentos brasileiros por meio da leitura de códigos QR associados ao Pix, tornando as compras mais simples para turistas chineses.

A iniciativa também ganha importância pelo crescimento do turismo entre os dois países e pelo avanço da cooperação bilateral em tecnologia, finanças e inovação. Ao mesmo tempo, a internacionalização do Pix ocorre em um momento de maior disputa comercial envolvendo o Brasil e os Estados Unidos.

Para o consumidor brasileiro, a mudança inicialmente será pouco perceptível. Para o sistema financeiro nacional, porém, a possibilidade de conectar o Pix a grandes redes internacionais pode representar um passo relevante na expansão do sistema brasileiro para além das fronteiras do país.

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