Um estudo de grande porte, publicado pela revista científica JAMA, trouxe dados contundentes sobre o tratamento da obesidade. Segundo a pesquisa, a cirurgia bariátrica proporciona uma perda de peso mais expressiva e sustentada a longo prazo quando comparada ao uso de medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1, como Ozempic e Wegovy.
Estudo revela que cirurgia bariátrica é mais eficaz que Ozempic
Estudo internacional mostra que a cirurgia bariátrica oferece maior perda de peso a longo prazo do que medicamentos como Ozempic.
Metodologia envolveu mais de 11 mil pacientes com obesidade
Perfil dos participantes e tipos de tratamento avaliados
O levantamento analisou os registros de saúde de 11.500 adultos com obesidade. Os pacientes foram divididos em dois grupos principais:
- Pessoas que realizaram cirurgia bariátrica, incluindo bypass gástrico e gastrectomia vertical (sleeve);
- Pessoas que optaram pelo tratamento medicamentoso com análogos de GLP-1, principalmente Ozempic e Wegovy.
O acompanhamento dos participantes foi feito ao longo de cinco anos, permitindo a avaliação de resultados consistentes a médio e longo prazo.
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Resultados de perda de peso foram expressivos a favor da cirurgia
De acordo com os dados, os pacientes que passaram por cirurgia bariátrica apresentaram uma redução de peso corporal significativamente maior. Em média, a perda foi o dobro da registrada entre os usuários de medicamentos.
O estudo indicou que, após cinco anos, os pacientes cirúrgicos perderam entre 22% e 30% do peso corporal inicial, dependendo do tipo de procedimento. Já os pacientes tratados com Ozempic e Wegovy apresentaram redução média de cerca de 10% a 15%.
Efeitos colaterais e riscos: cirurgia e medicamentos também têm desafios
Principais riscos da cirurgia bariátrica
Embora os resultados de perda de peso sejam superiores, a cirurgia bariátrica traz riscos inerentes ao procedimento cirúrgico, como:
- Complicações pós-operatórias;
- Deficiências nutricionais;
- Necessidade de suplementação vitamínica por toda a vida;
- Possíveis internações hospitalares nos primeiros meses após a cirurgia.
Efeitos adversos dos medicamentos como Ozempic e Wegovy
Os medicamentos GLP-1 também não são isentos de efeitos colaterais. Os principais são:
- Náuseas;
- Vômitos;
- Diarreia;
- Risco de pancreatite;
- Possível aumento do risco de obstrução intestinal em tratamentos prolongados.
Além disso, o custo contínuo desses medicamentos é considerado elevado, o que limita o acesso para muitos pacientes.
Impacto sobre o diabetes tipo 2: um benefício adicional da cirurgia
Remissão do diabetes é mais comum após a cirurgia
Outro aspecto importante observado no estudo foi o efeito dos tratamentos sobre o diabetes tipo 2. Os dados mostraram que os pacientes submetidos à cirurgia bariátrica apresentaram taxas significativamente maiores de remissão da doença, quando comparados aos que utilizaram apenas medicamentos.
Enquanto aproximadamente 60% dos pacientes cirúrgicos entraram em remissão do diabetes tipo 2 após cinco anos, o índice entre os usuários de medicamentos foi inferior a 30%.
Por que a cirurgia bariátrica tem resultados mais duradouros?

Alterações hormonais e metabólicas
A superioridade da cirurgia está ligada a vários fatores fisiológicos. Além da redução do tamanho do estômago, os procedimentos bariátricos provocam mudanças hormonais importantes, como:
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- Diminuição da grelina (hormônio da fome);
- Aumento de GLP-1 endógeno;
- Melhor controle glicêmico.
Mudança definitiva no estilo de vida
Outro ponto relevante é que a cirurgia costuma desencadear mudanças duradouras no estilo de vida. Muitos pacientes relatam maior disciplina alimentar e adesão a práticas saudáveis após o procedimento, o que potencializa os resultados.
Perspectivas futuras para o tratamento da obesidade
Combinação entre cirurgia e medicamentos: uma tendência emergente
Pesquisadores destacam que a escolha entre cirurgia e medicamentos depende do perfil individual do paciente. Uma tendência recente é a combinação de ambas as abordagens. Em alguns casos, pacientes bariátricos utilizam GLP-1 como complemento para evitar reganho de peso anos após a cirurgia.
Avanços nos medicamentos para emagrecer
A indústria farmacêutica também segue avançando. Novas gerações de medicamentos, com doses maiores de GLP-1 e combinação com outras moléculas, estão em desenvolvimento. A expectativa é que, nos próximos anos, esses tratamentos se tornem mais eficazes e acessíveis.
Conclusão:
A escolha entre cirurgia bariátrica e medicamentos como Ozempic não deve ser feita de forma isolada. Cada caso exige avaliação médica criteriosa, levando em conta:
- Grau de obesidade;
- Presença de doenças associadas, como diabetes;
- Condições clínicas gerais;
- Preferências e expectativas do paciente.
O estudo da JAMA reforça que, apesar do avanço das opções medicamentosas, a cirurgia bariátrica segue sendo a estratégia mais eficaz para quem busca uma perda de peso mais robusta e sustentada a longo prazo.
