A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) iniciou, no dia 1º de julho, a segunda fase da operação Estética com Segurança, reforçando a fiscalização em clínicas de estética, farmácias de manipulação e distribuidoras de produtos médicos e cosméticos.
Clínicas de estética na mira da Anvisa: inspeções atingem cinco regiões
Veja os riscos e como denunciar clínicas de estética irregulares. Saiba o que a Anvisa encontrou nas inspeções!
A ação se estende pelo Distrito Federal e pelos estados de São Paulo, Amazonas, Piauí e Ceará, contando com a atuação de 77 fiscais dos níveis federal, estadual e municipal.
A operação visa garantir que os serviços estejam de acordo com as normas sanitárias, protegendo a saúde dos consumidores que buscam tratamentos de beleza.
As inspeções da Anvisa foram motivadas por denúncias de usuários e por provas coletadas na primeira fase da operação, realizada em fevereiro deste ano.
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Principais irregularidades encontradas

Produtos vencidos, sem registro e uso proibido de medicamentos
Entre os principais problemas identificados pelas equipes de fiscalização da Anvisa estão:
- Produtos com prazo de validade vencido;
- Medicamentos manipulados em larga escala sem prescrição individual;
- Produtos injetáveis sendo vendidos como cosméticos;
- Equipamentos descalibrados ou sem manutenção;
- Reutilização de materiais de uso único, como seringas, aumentando o risco de infecção;
- Cosméticos injetáveis, proibidos por lei.
Essas práticas colocam em risco a integridade física dos pacientes, além de representarem infração grave às normas sanitárias brasileiras.
Panorama das inspeções por estado
Ceará: todas as clínicas autuadas em Fortaleza
Na capital cearense, quatro clínicas de estética foram inspecionadas. Todas foram autuadas por:
- Utilização de produtos vencidos;
- Uso de materiais sem registro sanitário;
- Aplicação de medicamentos manipulados sem identificação de paciente ou prescrição.
Além disso, foram encontrados equipamentos não regularizados e o uso de cosméticos injetáveis, prática proibida pela legislação.
Piauí: lipoaspiração interditada e seringas reutilizadas
Em Teresina, nove clínicas foram inspecionadas e todas apresentaram irregularidades. Uma delas teve o serviço de lipoaspiração interditado. Os fiscais identificaram:
- Produtos vencidos;
- Fios de sustentação (PDO) sem registro sanitário;
- Seringas reutilizadas com resíduos de substâncias não identificadas;
- Mistura de alimentos com medicamentos em geladeiras compartilhadas;
- Falta de protocolos operacionais e de registro dos pacientes;
- Equipamentos sem manutenção e com risco de acidentes.
Essas falhas comprometem a segurança dos procedimentos e aumentam a chance de eventos adversos, como infecções, queimaduras ou reações inesperadas.
Distrito Federal: distribuidoras com operação irregular
No DF, quatro distribuidoras foram alvo da fiscalização. Foram observadas situações como:
- Ausência de responsáveis legais nos endereços fiscais;
- Autorização de Funcionamento concedida, mas sem atividade operacional;
- Produtos com regularização cancelada sendo armazenados;
- Falta de rastreabilidade e comprovação de origem dos produtos.
Amazonas: procedimentos invasivos sem autorização
Em Manaus, seis estabelecimentos foram vistoriados, dos quais quatro foram autuados por:
- Uso de produtos vencidos;
- Fios de PDO sem registro;
- Reutilização de seringas;
- Equipamentos sem registro ou manutenção;
- Falta de licenças para procedimentos invasivos.
Duas máquinas — uma bomba de infusão e um lipoaspirador — foram interditadas por não atenderem aos requisitos legais.
São Paulo: tarja preta prescrita por fisioterapeuta
A fiscalização paulista revelou duas situações críticas:
- Prescrição de medicamentos controlados por profissional não autorizado (fisioterapeuta);
- Uso de insumo ativo sem aprovação pela Anvisa em farmácia de manipulação;
- Interdição de 14 produtos industrializados sem registro.
Consequências legais para os estabelecimentos
Todos os estabelecimentos com irregularidades foram autuados. A depender do processo administrativo, podem ser aplicadas multas, interdições parciais ou totais e até cancelamento de licenças de funcionamento. Como a legislação garante o direito à ampla defesa, os nomes dos locais autuados ainda não foram divulgados.
Como escolher um serviço estético seguro?
Verifique a regularização do estabelecimento
Antes de realizar qualquer procedimento, é fundamental:
- Consultar o alvará sanitário junto à Vigilância Sanitária da cidade
- Confirmar se os profissionais têm registro nos conselhos de classe (CRM, CRBM, etc.)
- Conferir a procedência dos produtos utilizados. Isso pode ser feito no site:
consultas.anvisa.gov.br.
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Cuidado com promessas milagrosas
Desconfie de clínicas que oferecem:
- Resultados garantidos;
- Preços muito abaixo da média;
- Procedimentos divulgados por influenciadores sem formação técnica.
Cada pessoa tem características únicas, e somente profissionais habilitados podem indicar o tratamento mais adequado.
Riscos dos procedimentos clandestinos
Procedimentos estéticos realizados por profissionais não habilitados, com produtos sem registro ou vencidos, podem resultar em:
- Infecções graves;
- Cicatrizes permanentes;
- Queimaduras;
- Reações alérgicas;
- Internações hospitalares;
- Morte.
Além dos danos à saúde, esses procedimentos podem não gerar os resultados esperados, trazendo frustração e prejuízo financeiro.
Campanha “Estética com Segurança”

A operação da Anvisa faz parte da campanha nacional Estética com Segurança, que busca:
- Informar a população sobre os riscos de procedimentos estéticos;
- Conscientizar sobre o papel da vigilância sanitária;
- Promover boas práticas nos serviços de saúde estética.
A campanha integra o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS) e reforça a importância de escolhas conscientes e bem informadas.
Denuncie irregularidades
A população pode ajudar a Anvisa e as Vigilâncias Sanitárias a combater práticas irregulares. Denúncias podem ser feitas pelos canais oficiais da Anvisa ou diretamente com as secretarias estaduais e municipais de saúde.
Conclusão
O crescimento do mercado estético exige maior rigor e vigilância. A atuação da Anvisa é essencial para proteger os consumidores e garantir que os procedimentos sejam realizados dentro dos padrões legais e sanitários exigidos.
Ao buscar tratamentos de beleza, informe-se, questione, e principalmente, priorize a sua saúde e segurança. A estética deve ser aliada do bem-estar, não um caminho para complicações evitáveis.
Imagem: Freepik e Canva
