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Clínicas de estética na mira da Anvisa: inspeções atingem cinco regiões

Veja os riscos e como denunciar clínicas de estética irregulares. Saiba o que a Anvisa encontrou nas inspeções!

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro5 min de leitura
anvisa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) iniciou, no dia 1º de julho, a segunda fase da operação Estética com Segurança, reforçando a fiscalização em clínicas de estética, farmácias de manipulação e distribuidoras de produtos médicos e cosméticos.

A ação se estende pelo Distrito Federal e pelos estados de São Paulo, Amazonas, Piauí e Ceará, contando com a atuação de 77 fiscais dos níveis federal, estadual e municipal.

A operação visa garantir que os serviços estejam de acordo com as normas sanitárias, protegendo a saúde dos consumidores que buscam tratamentos de beleza.

As inspeções da Anvisa foram motivadas por denúncias de usuários e por provas coletadas na primeira fase da operação, realizada em fevereiro deste ano.

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Principais irregularidades encontradas

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Imagem: Canva

Produtos vencidos, sem registro e uso proibido de medicamentos

Entre os principais problemas identificados pelas equipes de fiscalização da Anvisa estão:

  • Produtos com prazo de validade vencido;
  • Medicamentos manipulados em larga escala sem prescrição individual;
  • Produtos injetáveis sendo vendidos como cosméticos;
  • Equipamentos descalibrados ou sem manutenção;
  • Reutilização de materiais de uso único, como seringas, aumentando o risco de infecção;
  • Cosméticos injetáveis, proibidos por lei.

Essas práticas colocam em risco a integridade física dos pacientes, além de representarem infração grave às normas sanitárias brasileiras.

Panorama das inspeções por estado

Ceará: todas as clínicas autuadas em Fortaleza

Na capital cearense, quatro clínicas de estética foram inspecionadas. Todas foram autuadas por:

  • Utilização de produtos vencidos;
  • Uso de materiais sem registro sanitário;
  • Aplicação de medicamentos manipulados sem identificação de paciente ou prescrição.

Além disso, foram encontrados equipamentos não regularizados e o uso de cosméticos injetáveis, prática proibida pela legislação.

Piauí: lipoaspiração interditada e seringas reutilizadas

Em Teresina, nove clínicas foram inspecionadas e todas apresentaram irregularidades. Uma delas teve o serviço de lipoaspiração interditado. Os fiscais identificaram:

  • Produtos vencidos;
  • Fios de sustentação (PDO) sem registro sanitário;
  • Seringas reutilizadas com resíduos de substâncias não identificadas;
  • Mistura de alimentos com medicamentos em geladeiras compartilhadas;
  • Falta de protocolos operacionais e de registro dos pacientes;
  • Equipamentos sem manutenção e com risco de acidentes.

Essas falhas comprometem a segurança dos procedimentos e aumentam a chance de eventos adversos, como infecções, queimaduras ou reações inesperadas.

Distrito Federal: distribuidoras com operação irregular

No DF, quatro distribuidoras foram alvo da fiscalização. Foram observadas situações como:

  • Ausência de responsáveis legais nos endereços fiscais;
  • Autorização de Funcionamento concedida, mas sem atividade operacional;
  • Produtos com regularização cancelada sendo armazenados;
  • Falta de rastreabilidade e comprovação de origem dos produtos.

Amazonas: procedimentos invasivos sem autorização

Em Manaus, seis estabelecimentos foram vistoriados, dos quais quatro foram autuados por:

  • Uso de produtos vencidos;
  • Fios de PDO sem registro;
  • Reutilização de seringas;
  • Equipamentos sem registro ou manutenção;
  • Falta de licenças para procedimentos invasivos.

Duas máquinas — uma bomba de infusão e um lipoaspirador — foram interditadas por não atenderem aos requisitos legais.

São Paulo: tarja preta prescrita por fisioterapeuta

A fiscalização paulista revelou duas situações críticas:

  • Prescrição de medicamentos controlados por profissional não autorizado (fisioterapeuta);
  • Uso de insumo ativo sem aprovação pela Anvisa em farmácia de manipulação;
  • Interdição de 14 produtos industrializados sem registro.

Consequências legais para os estabelecimentos

Todos os estabelecimentos com irregularidades foram autuados. A depender do processo administrativo, podem ser aplicadas multas, interdições parciais ou totais e até cancelamento de licenças de funcionamento. Como a legislação garante o direito à ampla defesa, os nomes dos locais autuados ainda não foram divulgados.

Como escolher um serviço estético seguro?

Verifique a regularização do estabelecimento

Antes de realizar qualquer procedimento, é fundamental:

  • Consultar o alvará sanitário junto à Vigilância Sanitária da cidade
  • Confirmar se os profissionais têm registro nos conselhos de classe (CRM, CRBM, etc.)
  • Conferir a procedência dos produtos utilizados. Isso pode ser feito no site:
    consultas.anvisa.gov.br.

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Cuidado com promessas milagrosas

Desconfie de clínicas que oferecem:

  • Resultados garantidos;
  • Preços muito abaixo da média;
  • Procedimentos divulgados por influenciadores sem formação técnica.

Cada pessoa tem características únicas, e somente profissionais habilitados podem indicar o tratamento mais adequado.

Riscos dos procedimentos clandestinos

Procedimentos estéticos realizados por profissionais não habilitados, com produtos sem registro ou vencidos, podem resultar em:

  • Infecções graves;
  • Cicatrizes permanentes;
  • Queimaduras;
  • Reações alérgicas;
  • Internações hospitalares;
  • Morte.

Além dos danos à saúde, esses procedimentos podem não gerar os resultados esperados, trazendo frustração e prejuízo financeiro.

Campanha “Estética com Segurança”

anvisa
Imagem: Freepik e Canva

A operação da Anvisa faz parte da campanha nacional Estética com Segurança, que busca:

  • Informar a população sobre os riscos de procedimentos estéticos;
  • Conscientizar sobre o papel da vigilância sanitária;
  • Promover boas práticas nos serviços de saúde estética.

A campanha integra o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS) e reforça a importância de escolhas conscientes e bem informadas.

Denuncie irregularidades

A população pode ajudar a Anvisa e as Vigilâncias Sanitárias a combater práticas irregulares. Denúncias podem ser feitas pelos canais oficiais da Anvisa ou diretamente com as secretarias estaduais e municipais de saúde.

Conclusão

O crescimento do mercado estético exige maior rigor e vigilância. A atuação da Anvisa é essencial para proteger os consumidores e garantir que os procedimentos sejam realizados dentro dos padrões legais e sanitários exigidos.

Ao buscar tratamentos de beleza, informe-se, questione, e principalmente, priorize a sua saúde e segurança. A estética deve ser aliada do bem-estar, não um caminho para complicações evitáveis.

Imagem: Freepik e Canva

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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