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CNPJ passará a ter letras em 2026; entenda o motivo da mudança!

A partir de julho de 2026, o CNPJ brasileiro passará a incluir letras em seu formato. Saiba como será o novo modelo alfanumérico.

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
CNPJ

O CNPJ passará por uma mudança significativa a partir de julho de 2026. Pela primeira vez, o número de identificação das empresas, organizações, produtores rurais e profissionais liberais poderá conter letras, além dos tradicionais números.

A Receita Federal afirma que a alteração visa ampliar a capacidade do sistema, garantindo a continuidade do modelo diante do limite técnico do formato atual. O novo CNPJ manterá 14 caracteres, mas permitirá a combinação de números e letras, aumentando exponencialmente as possibilidades de identificação.

No Brasil, existem atualmente mais de 24,9 milhões de CNPJs ativos e aproximadamente 29,2 milhões desativados, segundo dados da Estatística Redesim da Receita Federal.

Por que o CNPJ vai mudar

CNPJ
Imagem: rafastockbr/ shutterstock.com

O formato atual do CNPJ, composto apenas por números, está próximo de atingir seu limite de combinações possíveis. Assim como acontece com o CPF, cada CNPJ é único e permanente, e não pode ser reutilizado, mesmo quando a empresa encerra suas atividades.

Leia mais: MEI: veja como manter o CNPJ ativo e evitar prejuízos financeiros

Segundo a Receita Federal, o novo modelo alfanumérico permitirá:

  • Expansão das combinações possíveis de identificação;
  • Preparação do sistema para novas demandas tributárias;
  • Maior integração com plataformas digitais e sistemas automatizados.

Como será o CNPJ alfanumérico

Estrutura do novo formato

O CNPJ continuará com 14 caracteres, mas poderá incluir letras de A a Z em posições específicas. A visualização do número será semelhante ao atual, mas com elementos alfanuméricos, permitindo uma quantidade maior de combinações únicas.

Dígito Verificador

O Dígito Verificador (DV), que valida a autenticidade do CNPJ, continuará sendo calculado pelo método do Módulo 11. A diferença é que agora o cálculo incluirá letras, convertidas em valores numéricos com base na tabela ASCII.

Por exemplo: a letra A possui o código 65 na tabela ASCII; para o cálculo do DV, será considerado o valor 17 (65 menos 48). A Receita Federal planeja disponibilizar rotinas em linguagens de programação populares para auxiliar empresas e desenvolvedores.

Quando a mudança começa

A emissão dos primeiros CNPJs alfanuméricos está prevista para julho de 2026. A implementação será gradual, e a Receita Federal divulgará um calendário detalhando quais atividades econômicas receberão primeiro o novo formato.

Quem será impactado

  • Empresas recém-criadas;
  • Novas filiais;
  • Profissionais liberais;
  • Produtores rurais;
  • Condomínios.

É importante destacar que CNPJs já existentes continuarão válidos. Não será necessário trocar ou atualizar os números atuais.

Procedimentos para inscrição de novos CNPJs

O processo para abertura de empresas e solicitação do CNPJ permanecerá o mesmo. Todos os sistemas integrados à Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (REDESIM) estarão preparados para aceitar o novo modelo.

Adequações necessárias para empresas

Softwares e sistemas internos

Empresas que emitem notas fiscais, controlam tributos ou mantêm bancos de dados precisarão atualizar seus sistemas para lidar com o CNPJ alfanumérico. Caso contrário, podem ocorrer:

  • Falhas na emissão de notas fiscais;
  • Dificuldades com fornecedores;
  • Atrasos em obrigações tributárias.

A Receita Federal informou que disponibilizará ferramentas para auxiliar na adaptação técnica.

Custos envolvidos

A atualização pode gerar custos, principalmente em softwares de emissão fiscal e bancos de dados. No entanto, a Receita garante que a transição será gradual e permitirá tempo para adequações.

Relação com a reforma tributária

placa escrito "cnpj"
Imagem: rafastockbr / shutterstock.com

A mudança prepara o caminho para a implementação da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), que unificarão tributos atualmente vigentes.

Com um sistema mais moderno e integrado, será possível:

  • Facilitar a separação entre despesas pessoais e profissionais;
  • Automatizar a recuperação de créditos tributários;
  • Garantir maior segurança e precisão no controle fiscal.

Perguntas frequentes (FAQ)

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O que é o CNPJ alfanumérico?

É o novo modelo de identificação das pessoas jurídicas no Brasil. Mantém 14 caracteres, mas combina números e letras.

Quem receberá o CNPJ com letras?

Somente novas inscrições a partir de julho de 2026. CNPJs existentes continuarão válidos.

O processo de inscrição vai mudar?

Não. O processo permanece o mesmo, apenas o número gerado poderá conter letras.

Empresas precisam atualizar sistemas?

Sim. Softwares de emissão fiscal e bancos de dados precisam estar preparados para o novo formato.

Haverá custo para empresas?

Sim, principalmente relacionados à atualização de sistemas e rotinas internas.

O Dígito Verificador mudará?

Sim. Continuará sendo calculado pelo método Módulo 11, mas adaptado para considerar letras convertidas em valores numéricos.

Qual a relação com a reforma tributária?

O novo CNPJ é parte da modernização do sistema tributário, facilitando a implementação de novos tributos e maior integração de sistemas.

Considerações finais

A introdução do CNPJ alfanumérico representa uma mudança histórica no cadastro de empresas brasileiro. A ampliação do sistema garante mais combinações, moderniza o processo de registro e prepara o país para futuras reformas tributárias. Embora os números existentes continuem válidos, as empresas e profissionais que precisarem emitir novos CNPJs deverão se adaptar tecnicamente ao novo padrão.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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