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Nova era do comércio usa agentes de IA para facilitar compras e pagamentos

Comércio agêntico usa IA para pesquisar, comparar e realizar compras. Entenda o impacto para consumidores, varejistas e pagamentos no Brasil.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa··11 min de leitura
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O Pix transformou a maneira como os brasileiros pagam. Agora, uma nova tecnologia começa a avançar sobre outra etapa da jornada de consumo: a própria decisão de compra. O chamado comércio agêntico usa agentes de inteligência artificial (IA) capazes de pesquisar produtos, comparar preços, avaliar condições e, em determinados modelos, executar a compra em nome do consumidor.

A mudança ainda está em fase de desenvolvimento, mas já existem sinais concretos de adoção. Um estudo da Visa divulgado em 2026 apontou que 76% dos brasileiros entrevistados pretendem utilizar agentes de IA para realizar compras, índice superior ao registrado nos Estados Unidos, de 44%.

Para o consumidor, a promessa é reduzir o tempo gasto com pesquisas e comparações. Para as empresas, a transformação pode ser ainda maior: em vez de disputar apenas a atenção das pessoas em buscadores, redes sociais e marketplaces, as marcas terão de fazer com que seus produtos sejam encontrados e compreendidos pelas próprias máquinas.

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O que é comércio agêntico?

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

O comércio agêntico, ou agentic commerce, é um modelo no qual um agente de inteligência artificial recebe um objetivo do usuário e executa várias etapas necessárias para alcançá-lo.

Em uma compra tradicional, o consumidor pesquisa, abre diferentes lojas, compara preços, verifica avaliações, confere o prazo de entrega e realiza o pagamento. Com um agente, parte desse trabalho pode ser delegada à IA.

Um pedido como “encontre um tênis para corrida por até R$ 500, com entrega até amanhã” pode, em uma experiência mais avançada, fazer com que o sistema procure alternativas, filtre os resultados conforme as condições estabelecidas e apresente ou até conclua a melhor opção disponível.

A diferença para um simples chatbot está no grau de autonomia. Um assistente convencional pode responder qual produto parece melhor. Um agente, por sua vez, é projetado para agir em direção a um objetivo, utilizando diferentes sistemas e ferramentas para executar tarefas.

Como funcionaria uma compra feita por um agente de IA?

O funcionamento depende da tecnologia adotada por cada empresa e do grau de autonomia concedido pelo consumidor. Em geral, a jornada pode seguir quatro etapas.

1. O consumidor define o objetivo

A pessoa informa o que deseja comprar e estabelece parâmetros.

Pode indicar preço máximo, marca preferida, prazo de entrega, características do produto ou outras condições.

2. A inteligência artificial pesquisa as opções

O agente consulta informações disponíveis em lojas e plataformas compatíveis, podendo comparar preço, estoque, avaliações, características e prazo.

A diferença é que o consumidor não precisa necessariamente realizar cada pesquisa manualmente.

3. O sistema seleciona as alternativas

A IA interpreta os critérios fornecidos e identifica quais opções atendem melhor ao pedido.

Isso pode mudar a lógica tradicional do varejo. Uma pessoa pode ter preferência histórica por determinada marca, mas um agente que recebeu critérios objetivos pode recomendar outra empresa se ela oferecer melhor combinação de preço, qualidade e prazo.

4. A compra pode ser concluída

Nos modelos mais avançados, o agente também pode participar da etapa de pagamento, desde que existam infraestrutura, autorização e mecanismos de segurança para isso.

Isso não significa que qualquer inteligência artificial possa simplesmente acessar uma conta bancária e comprar produtos sem autorização. O nível de autonomia dependerá das permissões estabelecidas pelo usuário e da tecnologia utilizada.

O que o comércio agêntico tem a ver com o Pix?

A relação está principalmente na evolução da experiência de pagamento.

O Pix ajudou a tornar a transferência de dinheiro mais rápida e simples no Brasil. Segundo dados do mercado de pagamentos, o sistema já representa uma parcela significativa das transações de comércio eletrônico e tende a continuar ganhando espaço.

O avanço mostra como o pagamento deixou de ser apenas uma etapa operacional e passou a fazer parte da experiência de consumo.

No comércio agêntico, a tendência é levar essa lógica ainda mais longe. O consumidor poderá definir o que deseja comprar e em quais condições, enquanto a tecnologia assume uma parcela crescente do trabalho necessário para encontrar e adquirir o produto.

O consumidor brasileiro está preparado para isso?

Os dados disponíveis indicam uma receptividade significativa.

Uma pesquisa da Visa com consumidores de diferentes mercados apontou que 76% dos brasileiros entrevistados pretendem utilizar agentes de IA para compras. O levantamento também mostrou um nível relevante de confiança dos brasileiros nesse tipo de experiência.

Isso não significa, porém, que 76% dos consumidores já estejam comprando dessa maneira. O número representa intenção de uso, e não adoção efetiva em larga escala.

Essa diferença é fundamental. O comércio agêntico ainda depende da evolução de plataformas, padrões tecnológicos, sistemas de pagamento, segurança e integração entre varejistas e agentes de inteligência artificial.

O que muda para quem compra?

A principal mudança pode ser a redução do esforço necessário para encontrar uma boa oferta.

Hoje, comparar dez lojas pode consumir bastante tempo. É preciso abrir páginas, verificar preços, calcular frete, analisar avaliações e observar prazos de entrega.

Um agente poderia fazer parte desse trabalho em segundos.

Isso também pode aumentar o poder de negociação do consumidor. Se a IA conseguir identificar rapidamente alternativas semelhantes, trocar de fornecedor ficará mais simples.

A fidelidade a uma determinada loja ou marca poderá perder força em algumas categorias. Um consumidor que sempre compra da mesma empresa pode receber outra recomendação caso o agente identifique uma opção que atenda melhor às condições estabelecidas.

O preço continuará sendo o principal critério?

Não necessariamente.

No comércio agêntico, preço, prazo, disponibilidade e conveniência podem ser analisados simultaneamente.

Imagine, por exemplo, uma pessoa que precisa comprar ração para o cachorro. A opção mais barata pode não ser a melhor se demorar uma semana para chegar. Um produto um pouco mais caro, mas disponível para entrega no mesmo dia, pode ser escolhido pelo agente.

Essa lógica transforma a conveniência em um componente da decisão de compra.

E o que muda para as empresas?

É provavelmente aqui que está uma das maiores transformações.

Durante décadas, as empresas investiram em estratégias para convencer consumidores a escolher suas marcas. Isso envolveu publicidade, posicionamento nos mecanismos de busca, redes sociais, influenciadores, programas de fidelidade e presença em marketplaces.

Com agentes de IA intermediando parte das compras, surge uma nova pergunta:

Como fazer uma máquina encontrar, interpretar e recomendar determinado produto?

Um catálogo pode ser visualmente excelente para uma pessoa e, ao mesmo tempo, apresentar informações pouco estruturadas para sistemas automatizados.

Preço, estoque, características, prazo de entrega, políticas comerciais e especificações precisam estar organizados de forma que os agentes consigam interpretar corretamente essas informações.

A busca do Google pode perder importância?

Isso não significa que os mecanismos de busca tradicionais deixarão de existir.

O que pode mudar é a forma como parte das pesquisas acontece.

Em vez de procurar manualmente por “melhor notebook até R$ 4 mil”, abrir vários resultados e fazer a comparação, o consumidor poderá pedir a um agente que faça esse trabalho.

Isso cria uma nova camada de competição. As empresas não precisarão apenas aparecer para o usuário; precisarão também ser legíveis e relevantes para os sistemas de IA.

A consequência pode atingir publicidade, marketplaces, mecanismos de busca, programas de fidelidade e até a forma como os sites de comércio eletrônico estruturam seus catálogos.

Pequenas empresas também serão afetadas?

Sim.

Uma possível vantagem do comércio agêntico é diminuir parte da dependência de marcas conhecidas quando a decisão puder ser baseada em critérios objetivos.

Se uma pequena empresa tiver preço competitivo, boas avaliações, estoque disponível e entrega rápida, poderá aparecer como alternativa mesmo sem possuir o mesmo reconhecimento de uma grande marca.

Por outro lado, isso cria uma nova obrigação: manter informações de produto completas, atualizadas e confiáveis.

Uma empresa com catálogo desatualizado, estoque incorreto ou dados insuficientes pode ter dificuldade para ser considerada por um agente.

O comércio agêntico já existe no Brasil?

A tecnologia já começou a sair do campo experimental, mas ainda não se tornou uma prática dominante.

Em 2026, Banco do Brasil e Visa realizaram uma transação apresentada pelas empresas como uma das primeiras experiências de compra agêntica do país. O movimento mostra que instituições financeiras e empresas de pagamentos já estão testando como agentes de IA podem participar de transações reais.

Empresas de pagamentos e varejo também vêm desenvolvendo infraestrutura específica para esse modelo.

A Mastercard, por exemplo, anunciou soluções voltadas a permitir que agentes de compras verificados realizem transações em nome de consumidores e empresas.

No varejo brasileiro, empresas do setor de pagamentos também passaram a apresentar soluções relacionadas ao chamado checkout agêntico.

Isso mostra que a tecnologia já está sendo testada comercialmente, embora o cenário ainda esteja longe de uma substituição generalizada do e-commerce tradicional.

Quais são os riscos?

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A expansão do comércio agêntico também cria problemas que precisam ser resolvidos.

Segurança

Um agente que possa realizar pagamentos terá acesso a informações e permissões mais sensíveis do que um sistema usado apenas para responder perguntas.

Por isso, autenticação, autorização, limites de compra e mecanismos de prevenção a fraude serão fundamentais.

Erros de interpretação

Uma IA pode interpretar incorretamente uma preferência.

Se o consumidor pedir “o melhor celular barato”, por exemplo, o sistema precisará entender o que significa “melhor” e quais características são prioritárias.

Sem critérios bem definidos, existe o risco de uma compra tecnicamente compatível com o pedido, mas inadequada para a pessoa.

Privacidade

Quanto mais informações o agente conhecer sobre o consumidor, maior será sua capacidade de personalizar decisões.

Isso pode ser útil, mas também aumenta a importância da proteção dos dados e da transparência sobre como essas informações são utilizadas.

Falta de controle

O consumidor precisará saber exatamente quais decisões delegou à IA.

Autorizar um agente a pesquisar produtos é diferente de permitir que ele finalize compras automaticamente. A evolução do setor dependerá, portanto, de mecanismos claros para definir limites de atuação.

O consumidor deixará de escolher o que compra?

Não necessariamente.

O cenário mais provável é uma combinação entre autonomia humana e automação.

Em compras simples e recorrentes, como produtos de limpeza, alimentos ou itens para animais de estimação, pode fazer sentido delegar grande parte do processo.

Em categorias como roupas, presentes, decoração ou produtos de alto valor, a decisão pessoal pode continuar sendo central.

O comércio agêntico não elimina necessariamente a escolha. Ele pode transformar a escolha em uma definição de critérios, deixando para a tecnologia o trabalho operacional de encontrar a alternativa que melhor se encaixa neles.

O que pode acontecer nos próximos anos?

A evolução deve ocorrer gradualmente.

Primeiro, agentes tendem a ganhar espaço na pesquisa e comparação de produtos. Depois, podem avançar para recomendações personalizadas, negociação, preenchimento de carrinhos e, por fim, transações com maior grau de autonomia.

O ritmo dependerá de três fatores principais: confiança do consumidor, capacidade tecnológica das empresas e segurança das transações.

No Brasil, a experiência adquirida com o Pix pode favorecer essa evolução. O país já possui uma população acostumada a pagamentos instantâneos e a experiências digitais de baixa fricção.

Ao mesmo tempo, a existência de uma tecnologia não garante sua adoção imediata. Há diferenças de comportamento entre países, além de questões regulatórias, econômicas e culturais que podem acelerar ou retardar a mudança.

O que o comércio agêntico significa para o consumidor?

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Na prática, a principal promessa é simples: menos tempo procurando e mais facilidade para comprar.

O consumidor poderá delegar tarefas repetitivas, como comparar preços, verificar disponibilidade e acompanhar condições de entrega, mantendo para si a definição do que realmente importa.

Para as empresas, entretanto, a mudança será mais profunda. O concorrente não será apenas a loja que aparece ao lado na busca. Poderá ser qualquer produto que um agente considere mais adequado aos critérios estabelecidos pelo consumidor.

O Pix mostrou como rapidamente um novo modelo de pagamento pode se incorporar ao cotidiano brasileiro. O comércio agêntico está em uma fase anterior, mas já começa a construir uma próxima transformação: a passagem de uma internet em que a pessoa procura a loja para outra em que um agente procura por ela.

Conclusão

O comércio agêntico ainda não substituiu o modelo tradicional de compras online, mas deixou de ser apenas uma hipótese tecnológica. Testes comerciais, novas soluções de pagamento e pesquisas sobre intenção de uso mostram que o mercado já está construindo essa infraestrutura.

Para o consumidor, a promessa é ganhar tempo e ampliar a capacidade de comparação. Para o varejo, a mudança pode exigir uma revisão de catálogos, dados, atendimento, pagamentos e estratégias de aquisição de clientes.

O ponto central é que a inteligência artificial pode passar de uma ferramenta usada durante a compra para uma tecnologia que participa da própria decisão de onde, quando e como comprar.

O consumidor continuará dando a palavra final em muitas situações. A diferença é que poderá chegar ao momento da compra acompanhado por um agente capaz de fazer, em poucos segundos, um trabalho que hoje exige dezenas de etapas manuais.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

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