As recentes demissões em massa anunciadas pelo Itaú reacenderam um debate sobre a forma de medir produtividade nas empresas. Parte das notícias indicou o uso de monitoramento de cliques e tempo de atividade nos computadores como critério de avaliação. Mas será que isso explica sozinho o corte de tantos funcionários? E mais: produtividade pode ser reduzida a movimentos de teclado e mouse?
Demissões no Itaú: reflexão sobre o verdadeiro valor da produtividade
Entenda como medir produtividade vai além de cliques e tempo de tela, e como demissões no Itaú revelam desafios do setor financeiro.
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O que é monitoramento digital nas empresas
Grandes empresas, especialmente bancos e corporações de tecnologia, utilizam sistemas de acompanhamento digital. Esses softwares servem para controlar processos, aumentar a segurança e avaliar rotinas internas. No entanto, problemas surgem quando esses dados se tornam o principal critério de avaliação de desempenho.
Produtividade, na realidade, não significa estar conectado o dia todo, mas sim entregar valor real para a empresa e para o cliente. O simples registro de cliques ou movimentos do mouse não traduz o impacto de uma pessoa no negócio.
Estudos mostram que resultados superam métricas de presença
Pesquisas reforçam a importância de medir desempenho com base em resultados. Um estudo publicado pela Harvard Business Review aponta que empresas que focam em resultados têm:
- 31% mais chances de reter bons funcionários
- 23% mais chances de atingir metas financeiras
Em contrapartida, organizações que priorizam métricas digitais registram maior desconfiança, queda no engajamento e um ambiente de trabalho menos produtivo.
Por que o Itaú pode ter outros motivos para demissões
Embora o monitoramento digital tenha sido citado, é pouco provável que ele tenha sido o único fator. Grandes bancos enfrentam desafios como:
Pressão por redução de custos
Cortes e ajustes financeiros são uma realidade constante no setor bancário, impactando decisões de desligamento.
Automação de processos
Sistemas automatizados reduzem a necessidade de determinadas funções, influenciando a composição de equipes.
Reorganização de setores
Mudanças estruturais podem tornar cargos redundantes ou exigir novas competências.
Revisão de serviços e produtos
Alterações estratégicas nos serviços oferecidos podem afetar diretamente a quantidade de colaboradores necessária.
O risco de priorizar métricas digitais
Se o monitoramento de cliques tiver sido decisivo, há um risco de gestão ultrapassada, em que o foco está em vigiar, e não em gerar resultados. O setor financeiro já demonstrou que o caminho mais eficaz é:
Focar na experiência do cliente
Colocar o cliente no centro das decisões promove engajamento e fidelidade.
Incentivar inovação
Empresas inovadoras crescem porque priorizam soluções e melhorias, não a quantidade de cliques registrados.
Avaliar entregas e impacto real
O desempenho deve ser medido pelo valor entregue e pelo impacto nos resultados da empresa.
Fintechs, como o Nubank, são exemplos de empresas que prosperaram sem depender de monitoramento constante de telas. O sucesso está em resultados tangíveis, e não em medir quem está com a tela aberta ou não.
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Dados da Gallup reforçam essa visão
Segundo a Gallup, equipes avaliadas por resultados apresentam:
- 21% mais produtividade
- 22% mais lucratividade
Isso ocorre porque, quando os colaboradores sabem que serão cobrados pelas entregas, assumem mais responsabilidade, trabalham com clareza e têm engajamento maior.
O desafio do Itaú
O Itaú enfrenta agora o desafio de transparência. Se as demissões foram motivadas por ajustes estratégicos, isso deve ser comunicado claramente. Porém, se houve excesso de peso em métricas digitais, o banco corre o risco de minar sua própria cultura de alta performance, afastando talentos e prejudicando resultados futuros.
Medindo o trabalho: além de cliques
Em conclusão, o trabalho não pode ser medido apenas por cliques ou horas diante da tela. O verdadeiro indicador de produtividade é:
- Valor entregue
- Impacto no cliente
- Contribuição para a empresa
Quando uma organização confunde movimento com entrega, não perde apenas funcionários: perde capacidade de crescer de forma sustentável.
Conclusão
Medir produtividade vai muito além de cliques e tempo de tela. Resultados reais, impacto no cliente e valor entregue são os verdadeiros indicadores de desempenho. Empresas que entendem isso conquistam engajamento, inovação e crescimento sustentável. Já organizações que focam apenas em métricas digitais correm o risco de perder talentos e comprometer sua cultura de alta performance.
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