O Ministério dos Transportes detalhou, nesta semana, o novo processo de emissão da CNH que dispensa a obrigatoriedade das aulas em autoescola. A medida, autorizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no início de outubro, está em consulta pública até o dia 1º de novembro e promete reduzir drasticamente o custo da habilitação no Brasil.
Governo revela como a CNH sem autoescola vai funcionar; confira
O governo federal anunciou o funcionamento da CNH sem autoescola, com redução de até 80% no custo. Veja o passo a passo.
A mudança, considerada uma das mais amplas já realizadas no sistema de formação de condutores, busca democratizar o acesso à carteira de motorista, especialmente entre pessoas de baixa renda e mulheres. Segundo o governo, a economia pode chegar a 80%, já que as autoescolas são responsáveis por cerca de 77% dos custos totais do processo.
Redução de custos e ampliação do acesso

De acordo com o Serviço Nacional de Trânsito (Senatran), o custo médio atual para obter a CNH no Brasil é de R$ 3.215,64. Com o novo modelo, que permite o estudo e o treinamento prático de forma independente, o valor pode cair para cerca de R$ 600 a R$ 700 — dependendo do estado.
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A principal justificativa do Ministério dos Transportes é tornar o processo mais acessível e digital, ampliando o número de brasileiros com habilitação formal e reduzindo a informalidade nas vias.
Em menos de uma semana de consulta pública, o projeto já recebeu mais de 10 mil contribuições, o segundo maior número entre as propostas do Executivo abertas para participação popular.
Como vai funcionar a CNH sem autoescola
O novo modelo mantém os exames obrigatórios, mas dá liberdade ao candidato para escolher como estudar e se preparar para as provas. Veja o passo a passo completo abaixo.
Requisitos básicos
Os pré-requisitos para iniciar o processo de habilitação não mudam. O candidato precisa:
- Ter pelo menos 18 anos;
- Saber ler e escrever;
- Possuir documento de identidade e CPF.
Quem optar por fazer o curso teórico on-line poderá confirmar sua identidade digitalmente, usando a conta gov.br.
Abertura do processo
A abertura do processo de habilitação poderá ser feita totalmente on-line, pelo site ou aplicativo do Detran de cada estado. Também será possível fazer o procedimento de forma presencial, caso o candidato prefira.
Todo o andamento — da inscrição ao resultado dos exames — poderá ser acompanhado pelo Registro Nacional de Carteira de Habilitação (Renach).
Etapa teórica: liberdade para estudar onde quiser
A principal mudança ocorre no curso teórico. Antes, era obrigatório cumprir 45 horas de aula em uma autoescola credenciada. Agora, o candidato poderá escolher como e onde estudar.
Coleta biométrica
Após concluir o curso teórico, o candidato deverá comparecer ao Detran para realizar a coleta biométrica, que inclui foto, digitais e assinatura.
Essa etapa é indispensável e será usada para confirmar a identidade do candidato durante as provas teóricas e práticas.
Exames médicos e psicológicos
As avaliações médica e psicológica continuam obrigatórias. Elas devem ser realizadas em clínicas credenciadas pelo Detran. O agendamento será feito pelos canais oficiais do órgão em cada estado.
Esses exames têm validade de 12 meses e são fundamentais para verificar se o candidato está apto a dirigir.
Aulas práticas: agora opcionais
Uma das mudanças mais significativas é a flexibilização das aulas práticas. Atualmente, a legislação exige no mínimo 20 horas-aula de direção em autoescola. Com a nova norma, essas aulas se tornam opcionais.
O candidato poderá escolher entre:
- Fazer aulas com uma autoescola, como hoje;
- Contratar instrutores autônomos credenciados pelo Detran;
- Praticar com veículo próprio, desde que acompanhado por instrutor habilitado.
Essa alteração é vista como um avanço na liberdade de escolha do cidadão, permitindo que ele busque a melhor forma de se preparar para o exame prático.
Exame teórico
A prova teórica continua sendo obrigatória. O agendamento será feito junto ao Detran, e o exame poderá ser realizado presencialmente ou on-line, conforme a estrutura disponível em cada estado.
Para ser aprovado, o candidato precisa acertar pelo menos 70% das questões. Em caso de reprovação, será possível refazer a prova quantas vezes forem necessárias.
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Prova prática
O exame prático de direção também permanece obrigatório. Ele será aplicado pelos Detrans estaduais e seguirá as mesmas regras atuais.
O candidato inicia a prova com 100 pontos e vai perdendo conforme comete erros. Para ser aprovado, é necessário terminar com no mínimo 90 pontos.
Quem reprovar pode reagendar o exame e tentar novamente, sem limite de tentativas, respeitando o prazo de validade do processo.
Emissão da PPD e da CNH definitiva

Após ser aprovado na prova prática, o candidato receberá automaticamente a Permissão para Dirigir (PPD), válida por um ano.
Durante esse período, não é permitido cometer infrações graves, gravíssimas ou reincidir em médias. Cumprido o prazo sem penalidades, o sistema emitirá automaticamente a CNH definitiva.
FAQ – Perguntas frequentes
1. Ainda será possível fazer a CNH em autoescola?
Sim. As autoescolas continuarão existindo e oferecendo cursos teóricos e práticos, mas a participação nelas deixa de ser obrigatória.
2. A prova prática será mais fácil?
Não. O exame de direção continuará com o mesmo nível de exigência e avaliação técnica aplicada pelos Detrans.
3. O curso teórico on-line será gratuito?
Sim. O Ministério dos Transportes disponibilizará gratuitamente um curso digital para quem optar por estudar por conta própria.
4. Posso usar meu carro para as aulas práticas?
Sim. Desde que o veículo esteja em bom estado e o acompanhamento seja feito por um instrutor credenciado pelo Detran.
5. Quando posso solicitar minha CNH sem autoescola?
A previsão é que o novo sistema entre em vigor até o final de 2025, após a fase de consulta pública e publicação das portarias regulamentadoras.
Considerações finais
A CNH sem autoescola representa uma das maiores transformações no sistema de trânsito brasileiro. O novo modelo, mais simples e digital, promete democratizar o acesso à habilitação e reduzir significativamente o custo do processo.
Ao permitir que o cidadão escolha como estudar e praticar, o governo busca equilibrar liberdade individual e responsabilidade pública, mantendo o foco na segurança viária e no cumprimento das exigências legais.
