Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Comprar imóvel na planta com rendimentos de aplicação: vale a pena hoje?

Comprar imóvel na planta com rendimentos pode ser vantajoso, mas exige análise de risco, rentabilidade e valorização.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
Financiamento

A compra de um imóvel na planta sempre desperta dúvidas entre investidores e futuros proprietários. A promessa de valorização, somada à possibilidade de parcelamento direto com a construtora, costuma ser atraente. No entanto, em um cenário de juros elevados e rendimentos consistentes na renda fixa, a decisão de sair de um investimento seguro para aplicar o dinheiro em um bem físico exige cautela e análise detalhada.

Recentemente, uma dúvida enviada por um ouvinte ao programa CBN Dinheiro, apresentado por Marcelo d’Agosto, exemplificou bem esse dilema. O ouvinte Adriano possui um investimento em renda fixa que rende 1,3% ao mês e cogita utilizar apenas os rendimentos para pagar as parcelas de um apartamento na planta. A pergunta é direta: essa estratégia é financeiramente inteligente em 2025?

Leia Mais:

INSS: veja os principais motivos que levam peritos a negar benefícios por incapacidade


O cenário atual dos investimentos e do mercado imobiliário

imóvel planta
Imagem: Sorapop Udomsri / shutterstock

Antes de decidir entre manter o dinheiro aplicado ou investir em um imóvel na planta, é essencial entender o contexto econômico.

Nos últimos meses, as aplicações em renda fixa voltaram a atrair investidores. Com a taxa Selic estabilizada em 10,75% ao ano, produtos como CDBs, LCIs e Tesouro Direto têm oferecido rendimentos próximos ou superiores a 1% ao mês, com baixo risco e liquidez razoável.

Por outro lado, o mercado imobiliário vive uma retomada gradual após anos de instabilidade. Segundo dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), houve um crescimento nas vendas de imóveis novos em 2024, impulsionado por programas habitacionais e pela confiança no setor. Ainda assim, a valorização média de imóveis residenciais ficou em torno de 6% ao ano, segundo o FipeZap, o que equivale a aproximadamente 0,5% ao mês — abaixo do rendimento de muitos investimentos conservadores.


Comprar imóvel na planta: vantagens e riscos

A promessa de valorização

Um dos principais atrativos de comprar um imóvel na planta é o potencial de valorização até a entrega das chaves. Em média, o imóvel tende a valorizar entre 20% e 30% ao longo da construção, considerando prazos de 2 a 4 anos. Essa valorização ocorre porque o comprador está assumindo parte do risco do projeto — o risco de atrasos, problemas na obra ou até dificuldades da construtora.

Além disso, um imóvel pronto tem valor agregado maior porque pode ser habitado ou alugado imediatamente, tornando-se uma fonte de renda ou um ativo líquido.

Os riscos do investimento imobiliário

Entretanto, o investimento em um imóvel na planta não é isento de riscos. O comprador precisa estar ciente de possíveis atrasos na entrega, mudanças no cenário econômico e variações nos custos de financiamento. Se o plano é pagar as parcelas com o rendimento da aplicação, basta uma queda no retorno da renda fixa para comprometer o fluxo financeiro.

Outro ponto é que, após a entrega das chaves, começam os custos de manutenção, condomínio e IPTU, além de eventuais taxas de financiamento se o imóvel não for quitado. Caso o comprador não consiga vender ou alugar rapidamente, o ativo pode se transformar em um passivo financeiro temporário.


A análise de Marcelo d’Agosto

No programa da CBN, o economista Marcelo d’Agosto explicou que a decisão de Adriano só poderá ser avaliada de forma concreta após a venda do imóvel. Isso porque o ganho real do investimento depende de quanto o imóvel irá valorizar até a entrega e de quanto tempo levará para vender ou alugar depois de pronto.

Segundo ele, “você está financiando a construtora e assumindo o risco de um eventual atraso nas obras”. Ou seja, o investidor troca a segurança e previsibilidade da renda fixa por um ativo com potencial de valorização, mas também com incertezas.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

D’Agosto recomenda que o investidor faça simulações realistas, comparando a evolução do rendimento da aplicação com o custo total da compra do imóvel e uma estimativa da valorização esperada.


Quando a estratégia pode valer a pena

financiamento para imóveis na planta

A compra de um imóvel na planta utilizando os rendimentos de uma aplicação financeira pode ser vantajosa em alguns cenários:

  • Mercado imobiliário em alta: se a região do empreendimento tem histórico de valorização acima da média.
  • Construtora sólida: com histórico de entregas no prazo e bom padrão de acabamento.
  • Planejamento de longo prazo: se o objetivo for usar o imóvel no futuro, e não apenas revender.
  • Renda fixa robusta: se a aplicação realmente mantém rendimentos líquidos suficientes para cobrir as parcelas sem comprometer o principal.

Nessas condições, o investidor consegue aproveitar o melhor dos dois mundos: o rendimento financeiro que paga o imóvel e o potencial ganho patrimonial na valorização.


Quando o melhor é ficar na renda fixa

Por outro lado, manter o dinheiro aplicado pode ser mais vantajoso em tempos de juros altos e valorização imobiliária modesta. Se a aplicação rende mais de 1% ao mês, como no caso de Adriano, e o imóvel escolhido não está em uma região com forte potencial de valorização, a matemática tende a favorecer a renda fixa.

Além disso, a liquidez é um ponto importante. Aplicações financeiras permitem resgates parciais e ajustes conforme a necessidade. Já o imóvel é um ativo de baixa liquidez, que pode demorar meses para ser vendido.

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

Topicos relacionados