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Trabalhadores da Serede ficam sem acordo devido a conflito entre Oi e V.tal

Impasse entre Oi e V.tal paralisa acordo mediado pelo TST e deixa futuro de 2,5 mil trabalhadores da Serede em risco.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto4 min de leitura
serede

Um acordo que poderia garantir indenizações e segurança trabalhista a 2,5 mil funcionários da Serede foi interrompido por divergências entre a Oi e a V.tal, empresa de infraestrutura de telecomunicações controlada pelo BTG Pactual. A negociação, mediada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), tinha avançado até a definição dos termos gerais, mas não chegou à assinatura final.

No centro da disputa está o uso de recursos para custear as indenizações dos trabalhadores que perderão o emprego com o fim do contrato entre Serede e V.tal. Enquanto a expectativa era de que houvesse um aporte de novos recursos, o que ocorreu foi o depósito em juízo de valores já devidos à Serede por serviços prestados.

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Acordo emperrado

Operadora Oi serede
Imagem: Fernando Dias Fotografia / shutterstock.com

O que previa a proposta inicial

O acordo estabelecia que a V.tal assumiria o compromisso de garantir:

  • pagamento das indenizações trabalhistas dos empregados desligados;
  • apoio à realocação dos profissionais em novas prestadoras que assumiriam parte dos contratos da Nio, sucessora da Oi em determinados serviços.

Para os sindicatos e para a própria Serede, o avanço representava um alívio diante da instabilidade vivida pelos trabalhadores. No entanto, a iniciativa se desfez rapidamente.

Divergência sobre os recursos

A V.tal defende que os pagamentos seriam feitos com base em faturas já emitidas, destinadas especificamente para esse fim. O depósito em juízo foi justificado como forma de assegurar que o dinheiro chegaria de fato aos empregados, evitando desvios de finalidade.

A Serede e a Oi, por sua vez, acusam a V.tal de tentar mascarar o que chamam de “não aporte” de novos recursos. Segundo a versão da companhia, o que ocorreu foi apenas o direcionamento de valores que já pertenciam à Serede e que resultaram de serviços devidamente prestados.


Duas versões do mesmo conflito

A visão da Serede/Oi

A Serede sustenta que o acordo não trouxe nenhum benefício extra aos trabalhadores, apenas o repasse de valores que já estavam em aberto. Em nota, a empresa criticou o posicionamento da V.tal e afirmou que não houve aporte adicional de recursos por parte do BTG Pactual ou da operadora de infraestrutura.

A visão da V.tal

Já a V.tal argumenta que desde o início ficou claro que os recursos viriam de faturas pendentes. Para a companhia, a medida é legítima porque não possui obrigação de arcar com passivos trabalhistas da Oi. Além disso, acusa a Oi — atualmente sob gestão da Pimco — de tentar redirecionar os valores para outras finalidades.

A empresa também declarou estar aberta a continuar negociando, desde que os direitos dos empregados sejam priorizados.


Trabalhadores no fogo cruzado

martelo de juiz e dinheiro
Imagem: Billion Photos/ Shutterstock.com

Sindicatos cobram solução

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Enquanto as empresas trocam acusações, os trabalhadores vivem dias de incerteza. A Fenattel (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Telecomunicações) alertou que, caso não haja solução até o fim de setembro, pode haver greve nacional. Uma nova rodada de negociação está prevista para o dia 29.

Já a Fitratelp (Federação Interestadual dos Trabalhadores e Pesquisadores em Serviços de Telecomunicações) se mostra contrária ao acordo, argumentando que as condições apresentadas pela V.tal seriam inferiores às oferecidas anteriormente pela Serede.

Clima de insegurança

O impasse aprofunda o clima de insegurança para os 2,5 mil empregados que aguardam uma definição. Muitos deles dependem da indenização e da possibilidade de recolocação em novas prestadoras para não ficarem desamparados.


O que está em jogo

Repercussões trabalhistas

O caso é emblemático porque evidencia as dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores em meio a disputas corporativas e judiciais. O TST, que havia conseguido avançar no diálogo, agora precisa lidar com uma crise que pode escalar para paralisações.

Impactos no setor de telecomunicações

Além do drama social, o impasse expõe a fragilidade da reestruturação da Oi e de seus contratos com empresas terceirizadas. A disputa entre V.tal, BTG Pactual e a própria Oi pode impactar o ritmo de prestação de serviços e aumentar a pressão sobre a continuidade de projetos de infraestrutura.

Imagem: Zolnierek / shutterstock.com

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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