A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) protocolou um pedido para revogar a prisão domiciliar determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os advogados argumentam que a medida é ilegal e carece de fundamento jurídico, uma vez que o ex-chefe do Executivo não foi formalmente denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Defesa afirma que prisão de Bolsonaro é ilegal e cobra Moraes por decisão
Advogados de Jair Bolsonaro pedem ao STF a revogação da prisão domiciliar, alegando ilegalidade da medida decretada por Alexandre de Moraes.
A solicitação reacende o embate jurídico e político em torno das investigações que miram Bolsonaro e seu entorno, relacionadas à tentativa de obstrução do julgamento da chamada “trama golpista”.
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Prisão domiciliar e investigação em andamento

O ex-presidente está em prisão domiciliar desde que a Polícia Federal apontou descumprimento de restrições impostas pelo STF. Entre as condições estavam a proibição de manter contato com investigados e a obrigação de não interferir nos processos em curso.
A medida foi tomada após o nome de Bolsonaro aparecer em diálogos investigados pela Polícia Federal. Segundo os investigadores, havia indícios de que o ex-presidente poderia tentar deixar o país. No celular de Bolsonaro, foi encontrada uma minuta de pedido de asilo político, o que reforçou a suspeita de risco de fuga.
Contexto político
A investigação ganhou força após o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente, articular em Washington sanções contra ministros do STF. A Polícia Federal suspeita que Jair Bolsonaro teria financiado tais movimentações, o que o tornaria beneficiário direto das pressões contra a Corte.
Argumentos da defesa de Bolsonaro
Os advogados Paulo Amador Cunha Bueno e Celso Vilardi, que representam Bolsonaro, alegam que a prisão é insustentável porque o ex-presidente não foi alvo de denúncia formal no processo.
Segundo eles, a medida cautelar não se justifica sem uma acusação concreta. Em nota, Cunha Bueno afirmou que, sem denúncia, a prisão “não pode ser mantida de forma legal” e disse esperar que a revogação ocorra rapidamente.
Trecho da manifestação
“Com o oferecimento de denúncia, na qual o presidente Bolsonaro não foi acusado, esvazia-se a necessidade de quaisquer medidas cautelares, já que não há ação penal”, escreveu a defesa, apontando violação ao direito de liberdade de expressão e de ir e vir do ex-presidente.
PGR denuncia aliados, mas não inclui Bolsonaro

A Procuradoria-Geral da República apresentou denúncia contra o deputado Eduardo Bolsonaro e o blogueiro Paulo Figueiredo Filho, acusados de coação no processo. No entanto, o órgão não incluiu o ex-presidente no rol dos denunciados nesta fase.
Continuidade do inquérito
Apesar da ausência de denúncia direta contra Bolsonaro, a investigação segue em andamento. A própria PGR destacou que novas diligências podem trazer elementos adicionais contra o ex-presidente. Isso significa que a prisão domiciliar pode ser revista, mas não necessariamente derrubada de imediato.
Decisão nas mãos de Alexandre de Moraes
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O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, será o responsável por decidir sobre o pedido da defesa. Antes, ele pode solicitar um parecer do procurador-geral da República.
A decisão deve considerar não apenas a ausência de denúncia, mas também os indícios de que Bolsonaro poderia tentar evadir-se da Justiça. Esse ponto, sustentado pela Polícia Federal, pode pesar contra a revogação imediata da prisão domiciliar.
Impactos políticos e jurídicos
O pedido da defesa reacende tensões entre o STF e setores políticos ligados ao ex-presidente. A base bolsonarista no Congresso já articula discursos contra a Corte, reforçando a narrativa de perseguição judicial.
O papel do Supremo
Especialistas ouvidos por juristas apontam que a Corte deverá avaliar o caso com cautela. Se, por um lado, manter uma prisão sem denúncia pode ser interpretado como desproporcional, por outro, o histórico de investigações envolvendo Bolsonaro e a possibilidade de fuga justificam medidas preventivas.
Repercussão pública
A situação mantém o ex-presidente em evidência e amplia a polarização política no país. Enquanto apoiadores denunciam abuso de autoridade, críticos destacam que a prisão é consequência do desrespeito às ordens judiciais e das tentativas de pressionar instituições democráticas.
Imagem: Alan dos Santos/ Presidência

