Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Congresso derruba veto e mantém isenção de FIIs e Fiagros

O Congresso Nacional derrubou os vetos de Lula à isenção de FIIs e Fiagros na Reforma Tributária. Saiba como fica a tributação desses fundos.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
fundo eleitoral

O Congresso Nacional decidiu, na terça-feira (17), derrubar os vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que retiravam a isenção fiscal de FIIs (Fundos de Investimento Imobiliário) e Fiagros (Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas do Agronegócio) na nova Reforma Tributária. A decisão representa uma vitória política das frentes parlamentares do Agronegócio e do Empreendedorismo, que articularam nas últimas semanas para garantir a manutenção dos benefícios aos investidores.

Leia mais:

Congresso rejeita urgência do IOF proposta por Lula e Haddad por 346 a 97 votos

Imagem de miniaturas de casa com os escritos "Fundos de investimento imobiliário"
Imagem: Maurice NORBERT / shutterstock

Entenda o contexto da Reforma Tributária e os vetos de Lula

A Reforma Tributária, aprovada no fim de 2024, criou os novos tributos IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), que substituirão vários impostos federais, estaduais e municipais atualmente em vigor. Durante a tramitação, o texto previa expressamente a isenção de IBS e CBS sobre rendimentos distribuídos por FIIs e Fiagros, como forma de estimular o investimento e proteger o mercado de capitais.

No entanto, ao sancionar a lei, o presidente Lula vetou o trecho que previa a isenção, alegando falta de amparo constitucional e apontando preocupações com a arrecadação. Segundo o Palácio do Planalto, a isenção criaria um impacto fiscal relevante sem contrapartida orçamentária.

Pressão do Congresso e articulação política

A decisão do governo gerou forte reação no Congresso. Parlamentares ligados ao setor produtivo e ao mercado financeiro intensificaram as articulações para reverter o veto. Deputados e senadores das frentes parlamentares do Agronegócio, do Empreendedorismo e de Investimentos argumentaram que a tributação de FIIs e Fiagros prejudicaria o desenvolvimento econômico, especialmente em setores estratégicos como habitação e produção agropecuária.

Além disso, analistas de mercado alertaram que a manutenção da tributação poderia provocar uma fuga de investidores e afetar diretamente o desempenho da bolsa de valores, com queda nas cotações de fundos imobiliários e de agronegócio.

O que foi decidido pelo Congresso?

Na votação desta terça-feira, o Congresso derrubou os vetos presidenciais aos seguintes pontos:

  • Isenção de IBS e CBS sobre rendimentos distribuídos por FIIs
  • Isenção de IBS e CBS sobre rendimentos de Fiagros

Com isso, os dois tipos de fundos permanecem isentos desses tributos na nova estrutura tributária. Essa decisão reforça a manutenção de um regime fiscal atrativo para investidores pessoa física, que são maioria entre os cotistas desses fundos.

Outras partes vetadas seguem pendentes

Pessoa segurando papel escrito "reforma tributária" sobre panos da cor verde e amarela.
Imagem: rafastockbr / shutterstock.com

Ao todo, o presidente Lula vetou 17 artigos da Reforma Tributária durante a sanção. Na sessão desta terça-feira, o Congresso manteve a derrubada de 34 pontos vetados pelo Palácio do Planalto, mas 10 itens ainda permanecem sobrestados, ou seja, com votação adiada para a próxima sessão conjunta do Legislativo.

Entre os trechos pendentes, está o regime regular de tributação para fundos que operam com bens imóveis, um tema de alta relevância para o mercado de investimentos.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), ao presidir a sessão, informou que deve convocar uma nova sessão conjunta para análise desses itens ainda neste semestre.

Posicionamento do governo

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, minimizou o impacto da derrubada dos vetos, classificando as supressões como “questões técnicas” e afirmando que o governo seguirá dialogando com o Congresso para ajustes futuros.

Nos bastidores, a equipe econômica teme um possível efeito dominó de novas perdas de arrecadação, principalmente diante do cenário de necessidade de equilíbrio fiscal para 2025.

O Palácio do Planalto avalia que a derrubada dos vetos pode exigir compensações fiscais futuras, como ajustes em outras alíquotas ou revisão de benefícios concedidos a outros setores.

Impacto para investidores de FIIs e Fiagros

A decisão de manter a isenção representa uma notícia positiva para os cerca de 2 milhões de investidores pessoa física que hoje aplicam em fundos imobiliários e para os cotistas dos Fiagros, que têm ganhado relevância nos últimos anos.

O que muda com a manutenção da isenção?

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Na prática, os investidores continuarão a receber rendimentos dos FIIs e Fiagros livres da nova tributação de IBS e CBS, mantendo a atratividade desses fundos em comparação com outros investimentos de renda variável e renda fixa.

A medida também tende a estabilizar o mercado financeiro, evitando novas quedas nas cotas desses fundos, que já vinham sendo pressionadas desde o anúncio inicial dos vetos.

Reação do mercado

Após a votação, a tendência é de recuperação nos preços das cotas de FIIs e Fiagros nas negociações da B3. Especialistas avaliam que a derrubada dos vetos remove uma incerteza importante que vinha impactando o comportamento dos investidores.

Próximos passos: o que esperar para os demais vetos?

A manutenção dos benefícios fiscais para FIIs e Fiagros sinaliza que o Congresso deve continuar resistindo a medidas que tragam aumento de carga tributária sobre o mercado financeiro e o setor produtivo.

A expectativa agora gira em torno da próxima sessão conjunta do Congresso, quando os parlamentares deverão analisar os 10 vetos que seguem sobrestados, incluindo regras específicas para outros fundos de investimento e para operações imobiliárias.

Debate sobre a segurança jurídica

Reforma tributária é aprovada na Câmara dos Deputados
Foto: Zeca Ribeiro | Câmara dos Deputados

O episódio reabre o debate sobre a segurança jurídica no ambiente tributário brasileiro. Representantes de entidades de mercado criticaram a postura inicial do governo federal, argumentando que mudanças bruscas de entendimento sobre benefícios fiscais prejudicam o planejamento de longo prazo de investidores.

A derrubada dos vetos é vista como uma vitória da previsibilidade e da proteção ao investidor.

Imagem: M.Antonello Photography / Shutterstock.com

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

Topicos relacionados