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Facebook e Instagram entram na mira do Conselho da Meta por problemas na moderação eleitoral

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 9 min de leitura
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O Conselho de Supervisão da Meta apontou falhas recorrentes na aplicação das regras de moderação de conteúdo político e cobrou mais transparência da empresa durante períodos eleitorais. A manifestação, divulgada em 20 de outubro de 2026, citou restrições técnicas que atingiram contas de anúncios do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Brasil e levantou preocupações sobre a proteção da liberdade de expressão em disputas políticas.

O posicionamento ocorre em meio a questionamentos sobre a atuação das plataformas digitais no segundo turno da eleição presidencial brasileira, marcado para 25 de outubro. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também cobra explicações sobre o tratamento dado às campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro (PL), enquanto a empresa nega favorecimento político e atribui os problemas relatados a questões técnicas.

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O que o Conselho de Supervisão da Meta identificou?

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Imagem: Reprodução

O Conselho de Supervisão afirmou que os problemas de moderação eleitoral podem ocorrer em duas direções: quando as regras são aplicadas com rigor excessivo, restringindo manifestações legítimas, e quando são aplicadas de maneira insuficiente, permitindo a circulação de conteúdos que ameaçam a integridade do processo eleitoral.

No caso brasileiro, o colegiado apontou que a aplicação excessivamente rigorosa das políticas antifraude às contas de anúncios de Lula deveria ter sido encaminhada a uma equipe interna especializada. Para o órgão, falhas desse tipo precisam ser identificadas e corrigidas com rapidez, sobretudo quando ocorrem durante uma campanha eleitoral.

A avaliação não equivale, por si só, a uma conclusão de que a Meta tenha agido deliberadamente para beneficiar um candidato. O ponto central do comunicado é que erros na aplicação das regras podem afetar a participação política, mesmo quando não há comprovação de intenção de interferir na disputa.

O conselho também mencionou problemas envolvendo contas de ativistas políticos nos Estados Unidos, indicando que os desafios de moderação não se limitam ao Brasil.

Por que as falhas nas redes sociais preocupam durante as eleições?

As plataformas digitais se tornaram canais relevantes para a divulgação de propostas, a comunicação entre candidatos e eleitores e a circulação de informações sobre o processo eleitoral. Por isso, restrições indevidas podem afetar a capacidade de uma campanha alcançar o público, enquanto a falta de moderação pode facilitar a disseminação de desinformação.

O efeito não depende apenas da publicação permanecer disponível. Sistemas de recomendação, resultados de busca, ferramentas de inteligência artificial e mecanismos de publicidade também influenciam quais conteúdos chegam aos usuários e em que condições são distribuídos.

Uma publicação pode continuar acessível no perfil de um candidato, por exemplo, mas alcançar menos pessoas caso seja limitada nas recomendações ou no impulsionamento pago. Em uma campanha com prazo curto, a demora para corrigir esse tipo de problema pode reduzir a oportunidade de comunicação com o eleitorado.

Isso ajuda a explicar por que a discussão sobre integridade eleitoral envolve tanto a remoção de conteúdos quanto os critérios usados para distribuir publicações e veicular anúncios.

O que aconteceu entre a Meta e o TSE?

A controvérsia chegou à Justiça Eleitoral após questionamentos da campanha de Lula sobre restrições à divulgação de conteúdos e ao impulsionamento de anúncios. A campanha de Flávio Bolsonaro também participou das discussões relacionadas ao tratamento dado às candidaturas.

Em 15 de outubro, o TSE reuniu representantes da Meta para discutir medidas de combate à desinformação, o uso de inteligência artificial e a necessidade de garantir condições equilibradas entre as campanhas presidenciais. O tribunal destacou que a chamada paridade de armas busca permitir que os eleitores escolham seus candidatos livremente.

Posteriormente, o ministro Marco Aurélio Bellizze determinou que a empresa apresentasse informações sobre as medidas adotadas para assegurar tratamento igualitário às candidaturas nas plataformas. Em reunião realizada em 20 de outubro, representantes da empresa e das duas campanhas foram ouvidos sobre o cumprimento da determinação judicial.

A Meta afirmou que os conteúdos das duas candidaturas são tratados de maneira igual e não discriminatória. A empresa atribuiu os problemas apontados a questões técnicas e negou ter interferido na disputa eleitoral.

O caso evidencia uma dificuldade para a fiscalização: demonstrar que existe igualdade de tratamento exige mais do que declarações públicas. É necessário verificar como as regras são aplicadas, quais restrições foram impostas, quanto tempo levaram para ser corrigidas e se os mecanismos funcionaram de maneira equivalente para os candidatos.

Por que o Conselho cobra métricas públicas?

O Conselho de Supervisão já havia defendido, após problemas identificados nas eleições presidenciais brasileiras de 2022, a criação de uma estrutura mensurável para avaliar a eficácia das medidas de proteção da integridade eleitoral.

Segundo o órgão, a Meta costuma divulgar indicadores gerais de atividade, como o número de anúncios armazenados ou de contas removidas. Esses dados, isoladamente, não mostram se as medidas adotadas foram eficazes nem revelam com clareza as falhas mais relevantes.

Uma avaliação pública mais completa poderia incluir informações sobre o tempo necessário para corrigir erros, a quantidade de restrições revertidas após revisão, os critérios de aplicação das políticas e o desempenho dos mecanismos de moderação em diferentes idiomas e contextos políticos.

Esses indicadores permitiriam que pesquisadores, autoridades eleitorais e organizações da sociedade civil examinassem as medidas com maior precisão. Também ajudariam a distinguir problemas pontuais de falhas sistemáticas.

A transparência, nesse caso, não significa divulgar indiscriminadamente dados pessoais ou informações que comprometam a segurança dos sistemas. O objetivo é permitir uma fiscalização independente e verificar se as regras anunciadas correspondem ao funcionamento efetivo das plataformas.

Como a inteligência artificial interfere na moderação eleitoral?

A inteligência artificial (IA) pode ser usada para identificar conteúdos potencialmente irregulares, recomendar publicações e responder a perguntas dos usuários. Essas ferramentas, porém, podem apresentar resultados inconsistentes quando não reconhecem corretamente nomes, idiomas, expressões locais ou o contexto de uma disputa política.

Uma regra automatizada que identifica incorretamente determinado conteúdo pode restringir uma publicação legítima. No sentido contrário, um sistema que não reconhece uma violação pode permitir que material irregular continue circulando.

O Conselho de Supervisão defendeu que os mecanismos automatizados considerem as particularidades linguísticas e o contexto político para proteger manifestações que não incitem à violência. A orientação busca evitar que erros técnicos ou interpretações descontextualizadas silenciem discursos legítimos.

Isso não elimina a necessidade de moderação. O desafio é aplicar as regras de maneira consistente, respeitando a liberdade de expressão sem abrir espaço para práticas que prejudiquem a integridade eleitoral.

O que muda para os eleitores e para as campanhas?

Para os eleitores, a discussão reforça a necessidade de avaliar informações políticas com cuidado, principalmente quando conteúdos são apresentados por sistemas de recomendação ou ferramentas de IA. A presença de uma publicação nas redes não garante sua veracidade, assim como a ausência de um conteúdo não comprova, por si só, censura ou favorecimento.

Para as campanhas, o caso destaca a importância de documentar falhas, registrar pedidos de revisão e recorrer aos canais institucionais quando houver indícios de tratamento desigual. A análise de cada ocorrência depende de evidências, do contexto e das regras aplicáveis.

Para as autoridades, o episódio amplia o debate sobre a fiscalização das plataformas digitais durante as eleições. O desafio é garantir que as empresas cumpram as determinações judiciais, preservem a liberdade de expressão e ofereçam condições equilibradas para a comunicação política.

Já para a Meta, a cobrança do conselho aumenta a pressão por procedimentos mais claros, respostas mais rápidas e indicadores que permitam avaliar o desempenho da moderação.

Quais são os próximos passos?

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

A evolução do caso depende da análise das informações apresentadas pela Meta ao TSE e das providências que a Justiça Eleitoral considerar necessárias. O tribunal poderá avaliar os documentos, as explicações técnicas e os elementos apresentados pelas campanhas para verificar o cumprimento das determinações.

O comunicado do Conselho de Supervisão, por sua vez, reforça a cobrança por transparência e consistência nas práticas de moderação eleitoral. A declaração não substitui uma decisão judicial nem determina, por si só, a existência de favorecimento intencional.

O episódio também reacende uma discussão que ultrapassa a eleição brasileira: como fiscalizar empresas privadas que controlam canais importantes de comunicação política sem comprometer a liberdade de expressão?

A resposta passa pela combinação de regras claras, mecanismos de revisão, transparência verificável e fiscalização institucional. Para o eleitor, a orientação prática é consultar fontes oficiais, comparar informações e desconfiar de conteúdos que não apresentem evidências verificáveis.

Conclusão

As falhas apontadas pelo Conselho de Supervisão da Meta reforçam a necessidade de maior transparência e imparcialidade na moderação de conteúdo político durante as eleições. A análise do TSE será importante para esclarecer os questionamentos e verificar se as regras foram aplicadas de maneira igualitária às campanhas. Enquanto o caso segue em discussão, o episódio evidencia os desafios de fiscalizar as plataformas digitais e proteger a liberdade de expressão. Para os eleitores, buscar informações em fontes confiáveis e verificar conteúdos antes de compartilhá-los continua sendo fundamental para uma escolha consciente.

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