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Consignado cresce entre aposentados: quando vale a pena e quando evitar

Veja quando o empréstimo consignado vale a pena e como evitar armadilhas. Confira dicas seguras para aposentados!

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro5 min de leitura
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O número de aposentados brasileiros que recorrem ao empréstimo consignado vem crescendo significativamente. Segundo uma pesquisa recente do Datafolha, 43% dos brasileiros com mais de 60 anos já contrataram essa modalidade de crédito, contra apenas 32% entre trabalhadores CLT de outras faixas etárias.

A preferência por esse tipo de empréstimo está relacionada à facilidade de aprovação, juros mais baixos e pagamento direto na folha. Mas, embora pareça uma solução imediata para equilibrar o orçamento, o consignado pode se tornar um problema a longo prazo se não for usado com planejamento.

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O que é o empréstimo consignado?

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Imagem: user25042088 – Freepik

O empréstimo consignado é uma modalidade de crédito em que as parcelas são descontadas automaticamente do salário ou benefício do tomador. Ele é amplamente utilizado por aposentados, pensionistas do INSS e trabalhadores com carteira assinada, sendo oferecido por bancos e instituições financeiras com autorização do Banco Central.

Principais características:

  • Desconto direto em folha de pagamento;
  • Juros mais baixos do que empréstimos pessoais ou rotativo do cartão;
  • Prazo de pagamento mais longo, geralmente de até 84 meses;
  • Limite de comprometimento da renda: até 45% (35% para empréstimo, 5% para cartão consignado e 5% para cartão benefício).

Por que aposentados recorrem mais ao consignado?

Estabilidade de renda

A principal razão está na renda estável e garantida dos aposentados. Como o pagamento do INSS é regular, os bancos consideram esse grupo como de baixo risco de inadimplência, o que facilita a aprovação do crédito.

Necessidade de reorganizar as finanças

Muitos aposentados enfrentam dívidas acumuladas, especialmente com cartões de crédito e financiamentos. O consignado se torna uma alternativa viável para substituir dívidas caras por outras mais baratas, ajudando a reequilibrar o orçamento.

Menor acesso a outras modalidades de crédito

Por conta da idade e eventuais restrições no nome, aposentados têm menos opções de crédito disponíveis. O consignado surge como única possibilidade de financiamento, mesmo em condições adversas.

Quando o empréstimo consignado vale a pena?

1. Para quitar dívidas com juros mais altos

Essa é a principal recomendação de especialistas. Substituir um crédito rotativo do cartão (que pode ter juros de até 10% ao mês) por um consignado com juros em torno de 1,5% a 2% ao mês pode gerar uma economia substancial.

2. Quando a parcela cabe no orçamento

Antes de contratar, é essencial calcular o impacto da parcela na renda mensal. Se a parcela comprometer gastos essenciais ou impedir a formação de uma reserva de emergência, o crédito deve ser evitado.

3. Quando há planejamento

O consignado pode ser útil se houver uma finalidade clara, como investir em saúde, reformas urgentes ou apoio à família — desde que haja controle financeiro e consciência sobre o compromisso a longo prazo.

Quando o empréstimo consignado deve ser evitado?

1. Para consumo não essencial

Utilizar o consignado para compras de bens supérfluos ou viagens pode ser altamente arriscado. O desconto automático compromete a renda por vários anos, podendo gerar desequilíbrios futuros.

2. Quando o aposentado já está endividado

Se mais de 30% da renda já estiver comprometida com dívidas, é melhor buscar renegociação antes de assumir um novo contrato.

3. Em casos de comportamento impulsivo

Aqueles que têm dificuldade em controlar os gastos devem evitar crédito fácil. O consignado pode funcionar como uma armadilha disfarçada, levando ao superendividamento.

Como contratar com segurança: passo a passo

Avalie o Custo Efetivo Total (CET)

Esse é o valor final que será pago, incluindo juros, tarifas, seguros embutidos e outros encargos. Compare o CET entre instituições antes de decidir.

Leia todo o contrato

Fique atento a:

  • Taxas administrativas;
  • Seguros prestamistas ocultos;
  • Multas por quitação antecipada.

Consulte sua margem consignável

No site Meu INSS ou pelo telefone 135, é possível consultar quanto da sua renda ainda pode ser comprometida.

Evite intermediários

Dê preferência para canais oficiais dos bancos ou vá diretamente a agências físicas. Cuidado com ofertas por WhatsApp ou redes sociais.

Como identificar golpes no crédito consignado

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Aposentados estão entre os principais alvos de fraudes financeiras. Veja como se proteger:

Sinais de alerta:

  • Ofertas com aprovação imediata, mesmo com nome sujo;
  • Solicitação de pagamento antecipado;
  • Empresas sem CNPJ ou fora da base do Banco Central;
  • Crédito liberado sem sua solicitação.

Como agir:

  • Nunca informe dados por telefone sem ter certeza da fonte;
  • Use o aplicativo Meu INSS para conferir autorizações de empréstimo;
  • Denuncie abusos à ouvidoria do INSS ou ao Procon.

Alternativas ao empréstimo consignado

Renegociação de dívidas

Negociar diretamente com os credores pode permitir melhores condições, sem a necessidade de novos empréstimos.

Portabilidade de crédito

É possível transferir a dívida para outra instituição que ofereça juros menores. Isso pode reduzir significativamente o valor das parcelas.

Refinanciamento

Em vez de contratar um novo empréstimo, o tomador pode refinanciar o contrato atual, estendendo o prazo ou ajustando o valor das prestações.

Educação financeira é essencial

Juros do consignado
Imagem: Freepik

Para Rubens Neto, da Crédito Popular, o aumento no uso do consignado entre idosos mostra que há uma busca por soluções financeiras, mas falta preparo para lidar com o crédito.

“É preciso mais educação financeira. O consignado deve ser uma solução pontual, não uma fonte constante de crédito”, alerta Neto.

Especialistas reforçam que o acesso ao crédito precisa vir acompanhado de mudanças de hábitos. Isso inclui controle de gastos, planejamento orçamentário e criação de reserva de emergência.

Conclusão

O empréstimo consignado pode ser um importante aliado na reorganização financeira de aposentados, especialmente quando utilizado com responsabilidade e planejamento. No entanto, não é uma solução milagrosa. Ele exige atenção, comparação de ofertas, leitura de contratos e, principalmente, educação financeira para evitar o endividamento crônico.

A escolha consciente do consignado começa com a pergunta: “Essa dívida vai melhorar minha vida financeira ou agravá-la?” Se a resposta não for clara, o melhor é buscar orientação especializada antes de assinar qualquer contrato.

Imagem: fizkes / shutterstock.com

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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