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Consumo de café sobe 2,44% no início de 2026

Queda nos preços do café impulsiona consumo no Brasil em 2026, enquanto setor aposta em safra recorde e novas reduções no varejo.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
café

O café continua sendo um dos produtos mais presentes na mesa dos brasileiros. Depois de um período marcado por preços elevados e retração no consumo, o mercado começa a mostrar sinais de recuperação em 2026. Com a desaceleração dos preços nos supermercados e a expectativa de uma safra recorde, o consumo da bebida voltou a crescer no país nos primeiros meses do ano.

Dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Café mostram que o consumo nacional aumentou 2,44% entre janeiro e abril de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. O volume chegou a 4,9 milhões de sacas de 60 quilos, reforçando a importância do café no cotidiano e na economia brasileira.

O movimento representa uma mudança importante após o cenário desafiador vivido em 2025, quando a alta dos preços reduziu o poder de compra do consumidor e afetou diretamente as vendas no varejo.

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Recuperação começou em março

Segundo a Abic, o avanço no consumo ganhou força principalmente a partir de março de 2026. Naquele mês, o crescimento atingiu 10,25% em relação a março de 2025, indicando uma retomada mais consistente da demanda.

Em abril, o mercado continuou registrando crescimento, embora em ritmo mais moderado, com alta de 3,66%.

De acordo com o diretor executivo da entidade, Celírio Inácio, o setor iniciou o ano ainda tentando recuperar as perdas acumuladas anteriormente, mas a melhora nas condições de oferta ajudou a estimular novamente o consumo.

O cenário demonstra como o comportamento do consumidor brasileiro é fortemente impactado pelas oscilações de preço de produtos básicos do dia a dia. Em muitos lares, o café é um item indispensável, mas mesmo assim acaba sofrendo ajustes quando o orçamento familiar fica pressionado.

Alta nos preços derrubou consumo em 2025

O ano de 2025 foi marcado por forte pressão nos preços do café. Entre novembro de 2024 e outubro de 2025, o consumo caiu 2,31% em relação ao período anterior.

A disparada dos valores ocorreu principalmente por fatores ligados à produção agrícola, clima e menor oferta da matéria-prima. Eventos climáticos adversos em importantes regiões produtoras afetaram a produtividade das lavouras, pressionando toda a cadeia do setor cafeeiro.

Com preços mais altos nas prateleiras, muitos consumidores passaram a reduzir a frequência de compra, optar por marcas mais baratas ou diminuir o consumo diário da bebida.

Essa mudança foi percebida especialmente entre famílias de renda média e baixa, que sentem com maior intensidade o impacto da inflação alimentar.

Queda nos preços já aparece nos supermercados

O início de 2026 trouxe um cenário mais favorável para o consumidor. O aumento da oferta de café no mercado ajudou a reduzir os preços praticados no varejo.

Segundo levantamento da Abic, o café tradicional registrou queda de 15,51% em abril de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano passado. O preço médio do quilo ficou em torno de R$ 55,34.

Na prática, isso significa que muitos brasileiros voltaram a comprar embalagens maiores ou retomaram hábitos que haviam sido reduzidos durante o período de inflação mais elevada.

Apesar da queda geral, algumas categorias ainda apresentaram aumento nos preços ao consumidor.

Categorias que ficaram mais caras

Entre as oito categorias monitoradas pela Abic, apenas três registraram alta:

  • Cafés especiais: aumento de 16,9%;
  • Descafeinados: alta de 21%;
  • Café solúvel: avanço de 0,55%.

O crescimento nos preços dos cafés especiais reflete uma tendência de valorização de produtos premium no mercado brasileiro. Consumidores que buscam qualidade superior, grãos selecionados e métodos diferenciados continuam movimentando esse segmento, mesmo em cenários econômicos mais desafiadores.

Já o café descafeinado ainda possui custos industriais maiores, o que ajuda a explicar a elevação mais intensa dos preços.

Safra recorde pode reduzir ainda mais os preços

A expectativa do setor para 2026 é bastante positiva. O presidente da Abic, Pavel Cardoso, afirmou que o Brasil poderá registrar uma das maiores colheitas de café da história.

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Segundo ele, a safra deste ano deve superar a de 2025 e pode até ultrapassar os números históricos registrados em 2020.

A perspectiva também foi reforçada pela Companhia Nacional de Abastecimento, que divulgou previsão de crescimento de 18% na produção nacional de café em 2026.

Caso a estimativa seja confirmada, o país deverá alcançar 66,7 milhões de sacas, estabelecendo um novo recorde histórico e superando em 5,74% o volume colhido em 2020.

Como uma safra maior afeta o consumidor

Quando a produção cresce e a oferta aumenta, a tendência natural é de maior equilíbrio entre oferta e demanda. Isso reduz a pressão sobre os preços pagos pela indústria e, consequentemente, pelo consumidor final.

No caso do café, a expectativa é que parte dessa redução continue sendo repassada para supermercados, atacados e pequenos comércios ao longo dos próximos meses.

Além disso, um mercado mais estável tende a reduzir a volatilidade dos preços, algo importante tanto para produtores quanto para consumidores.

Segundo representantes do setor, essa estabilidade pode estimular uma recuperação ainda maior do consumo nacional até o fim do ano.

Brasil segue como potência mundial do café

O Brasil permanece como o maior produtor e exportador de café do mundo, além de ocupar posição de destaque entre os maiores consumidores globais da bebida.

Estados como Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo e Bahia lideram a produção nacional e têm papel fundamental no abastecimento interno e nas exportações.

O desempenho do setor impacta diretamente a economia brasileira, gerando empregos em áreas como agricultura, indústria, logística, exportação e comércio varejista.

Além disso, o café possui forte peso cultural no país. O tradicional “cafezinho” continua sendo parte importante da rotina dos brasileiros, presente em reuniões de trabalho, cafés da manhã, encontros familiares e momentos de convivência.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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